Tadeu Cury diz ser vítima de “excesso de pena”

 

Tadeu com sua esposa, Célia Cury , acusada de participar de esquema de venda de sentença

Como falar em venda de sentenças sem dinheiro?, reage Tadeu Cury  

Andréa Haddad

RD NEWS  

Dois anos após ser aposentado de forma compulsória, numa espécie de “pena de gala”, e ver a esposa Célia Cury ser detida na Operação Asafe por suposto envolvimento num esquema de venda de sentenças, o desembargador José Tadeu Cury não demonstra constrangimento em falar sobre o assunto, nega as denúncias e classifica de exagerada a decisão do CNJ, que, em 23 fevereiro de 2010, determinou a aposentaria compulsória dele e de mais nove magistrados pelo “rombo” de R$ 1,5 milhão nos cofres do TJ na gestão de José Ferreira Leite.      Demonstrando tranquilidade, Tadeu Cury questiona os critérios do julgamento do CNJ. “Não houve um peso, como posso ser aposentado só porque recebi o que me era devido? O TJ me devia, eu recebi e me aposentaram. Acho que todo mundo tem direito de batalhar para receber o que é de direito, seja de particular ou no Tribunal, acho que foi um exagero a pena”, diz.   Juízas seriam usadas como “laranjas” em desvios, diz relator

Em tom em otimista, ele diz aguardar a apreciação do mérito do processo, relatado pelo ministro Celso de Mello, que deferiu liminar, em agosto de 2010, para que os magistrados retornassem aos respectivos cargos. “Não há temor, pelo contrário, o que existe é o entendimento de que houve excesso de pena”, avalia.  Além dele, foram aposentados os desembargadores Ferreira Leite e Mariano Travassos, e os juízes Antônio Horácio da Silva Neto, Marcelo Souza de Barros, Irênio Lima Fernandes, Marco Aurélio dos Reis Ferreira, Juanita Clait Duarte, Maria Cristina de Oliveira Simões e Graciema Ribeiro de Caravellas. Todos foram denunciados em 2008 pelo ex-corregedor do TJ, Orlando Perri, por supostos desvios de verbas e de materiais na construção do Fórum de Cuiabá, além de favorecimento em licitação e tráfico de influência.   Juízes obtêm liminar no STF      Da mesma forma com que nega ter embolsado valores indevidos, Tadeu Cury garante não ter participação no suposto esquema de venda de sentenças investigado pelo STJ e que levou a PF a deflagrar, em 18 de maio de 2010, a Operação Asafe. Foram cumpridos nove mandados de prisão e 30 de busca e apreensão em residências e escritórios de advogados, desembargadores e juízes. “Não há prova alguma. Como se pode falar em venda de sentenças sem dinheiro?”, contrapõe o magistrado.   Lobistas citam comissão por sentença de R$ 100 mil de Cury

À época, Célia Cury foi presa por cinco dias. Ela aparece em dezenas de gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, e, segundo a PF, teria estreita relação com Ivone Reis de Siqueira, considerada uma das principais lobista nas negociações de sentença com magistrados. Após o cumprimento das prisões temporárias, as duas foram liberadas. “A única mulher grafada falando, falando, falando, veio em juízo e disse que era tudo mentira, é a dona Ivone, se não me engano”, diz Tadeu Cury.      Ele também afirma que o clima de tranquilidade paira na corte mato-grossense, mesmo com as investigações do STJ. “Não temos problema algum, são casos particulares. Os dois desembargadores também foram afastados, o Tribunal tem que ficar alheio a isso, eu acho”.      Tadeu Cury lembra que o processo foi desmembrado, em 2 de março deste ano. Em decorrência do foro privilegiado, o STJ vai apreciar apenas as denúncias contra os desembargadores Evandro Stábile e José Luiz de Carvalho. Outras 34 pessoas respondem à ação no próprio TJ, entre elas Eduardo Jacob, à época no TRE, e o juiz Círio Miotto.

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 201.15.103.178 - Responder

    IMPORTANTE MANIFESTAÇÃO DO DESEMBARGADOR TADEU CURY. DE TUDO O QUE ATÉ AGORA FOI APURADO, ESPERA-SE QUE AO FINAL SE FAÇA JUSTIÇA, TANTO EM DEFESA DA COLETIVIDADE, COMO TAMBÉM AOS PRÓPRIOS ACUSADOS. VAMOS ACOMPANHAR O DESENROLAR DOS FATOS. “QUEM VIVER VERÁ”.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

1 × um =