Entidades cobram punição para assassinos de jornalista-blogueiro

Entidades lamentam morte de jornalista no Maranhão

Décio Sá foi morto a tiros na noite de segunda-feira (23), em São Luís.
ANJ e ABI pedem rigor em investigações sobre o crime.

Do G1, em São Paulo

Entidades ligadas ao exercício do jornalismo lamentaram, na manhã desta terça-feira (24), a morte do jornalista Décio Sá, executado a tiros na noite de segunda-feira (23), na Avenida Litorânea, em São Luís. Sá tinha 42 anos e era repórter da editoria de política do jornal O Estado do Maranhão. O jornalista era também autor de um dos blogs mais acessados do Maranhão.

Em entrevista ao G1, o diretor executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, pediu a imediata apuração do crime por parte das autoridades. “Parece muito claro que o assassinato do jornalista Décio Sá ocorreu devido à cobertura que ele fazia dos crimes de pistolagem no Maranhão. A ANJ lamenta e pede a imediata apuração do crime por parte das autoridades, assim como a prisão, julgamento e condenação dos envolvidos. Infelizmente, o Brasil tem se destacado na estatística de assassinatos de jornalistas em decorrência de sua atividade profissional e o trabalho desses jornalistas é feito sempre em favor da comunidade”, afirmou.

Uma nota conjunta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Luís e do Sindicato dos Radialistas do Maranhão foi divulgada na tarde desta terça também pedindo a autoridades locais a rápida apuração dos fatos com a punição dos culpados.

“Décio Sá foi assassinado covardemente na noite de ontem, com seis tiros de uma pistola de uso exclusivo dos militares – conforme atestado por um perito criminal – por dois ocupantes de uma motocicleta, no Bar Estrela Dalva. (…) Profissional conhecido em todo o Estado por sua atuação destemida, seu covarde assassinato deixa entristecida toda a categoria dos jornalistas maranhenses e indignados todos os jornalistas brasileiros. Jamais imaginaríamos que, vencido o período de regime de exceção e, ao alcançarmos a democracia, nos encontramos cercados por uma legislação penal tão estimulante para a prática de atos criminosos, onde a vida dos cidadãos nada vale diante da vingança banal dos bandidos, pistoleiros e mandantes”, diz a nota.
Mapa crime jornalista (Foto: Editoria de Arte/G1)

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, também enfatizou a necessidade de rigor na investigação do caso, em entrevista por telefone à Globo News. “É lamentável que ainda ocorram fatos dessa natureza porque o jornalista não trabalha para si mesmo, ele trabalha para a sociedade e uma agressão, a morte de um jornalista, na verdade, constitui um ataque ao conjunto da sociedade. A ABI espera que haja rigor de apuração pelas autoridades do Maranhão para que não se repitam ataques dessa natureza e dessa gravidade”, diz.

De acordo com Azêdo, no ano passado foram pelo menos quatro jornalistas mortos em circunstâncias de ameaça permanente à liberdade de expressão.

Também em entrevista à Globo News, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, Leonardo Monteiro, defendeu rigor na legislação brasileira.

“Nós temos que ressaltar essa imprudência do nosso país em liberar tanto a legislação penal. O que se vê é uma banalidade. O assassino chega, pergunta quem é você e mata. Não precisa de máscara nem nada. Se as autoridades do nosso país não tomarem conhecimento dessa situação, nós vamos continuar tendo mais assassinatos. Décio era um jornalista que abraçou o destemor ao buscar fatos misteriosos e ocultos. Esse é o nosso dever: informar a socidade. Não devemos nos intimidar. (…) Isso nos encoraja para ir em frente, à luta”, diz.
saiba mais

Neste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) tentou aprovar uma resolução para reduzir o número de assassinatos de jornalistas.

Segundo o Jornal Hoje, o Brasil, a Índia e o Paquistão conseguiram adiar a votação da proposta para 2013.

Categorias:Imprensa em debate

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