ENOCK CAVALCANTI: Rúbia Fernanda, apontada como preferida de Bolsonaro para o Senado, tem curriculo de luta e honradez

Enock e a coronel Fernanda

A candidata de Bolsonaro ao Senado em MT

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos, preparem-se. Eu vou falar bem de uma bolsonarista.

A tenente-coronel Rúbia Fernanda entra na disputa pelo Senado Federal, em Mato Grosso, consagrada por um currículo de lutas.

Como dirigente da Associação dos Oficiais da Policia Militar e do Corpo de Bombeiros, em Mato Grosso, ela foi uma das organizadoras e coordenadoras das mobilizações que, agregando as mais diversas associações da categoria militar em nosso Estado, mudaram o atrelamento e a politicagem e o compadrio que antes imperavam entre as estruturas do Governo do Estado com as tropas da Policia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Acompanhei essas mobilizações, fazendo cobertura jornalística dos enfrentamentos com o Governo do Estado para a Assoade e a Assof. Depois da vitória, quando as associações cresceram e apareceram, trataram, claro, de me afastar. Mas lá estive eu, ao lado das jornalistas Hegla Oleiniczak, Vanessa Moreno, Fernanda Nazário, do diagramador Mário Hashimoto e do fotógrafo Dinalte Miranda, cumprindo com nossas responsabilidades.

Em matéria de organização popular e sindical, eu, Enock Cavalcanti, sem falta modéstia, tenho história para contar, nos lugares por onde passei.

Em Mato Grosso, estive com os servidores do Judiciário estadual, com os médicos, com os trabalhadores da Educação, com servidores da área meio, com os agentes penitenciários, com os delegados de Polícia, com os servidores da Empaer, com os oficiais de Justiça, com os docentes e servidores da UFMT, com os docentes e estudantes do IFMT, com os servidores da Saúde, com os jornalistas, com os servidores da Assembleia Legislativa (sou um dos fundadores do Sindal), com os estudantes secundaristas, com os servidores do Judiciário federal, com os servidores públicos federais, com o movimento negro, com a comunidade LGBT, com os indígenas, com os portadores de necessidades especiais, com os promotores do Ministério Público, com os magistrados quando levantaram a bandeira das Diretas Já no Judiciário… enfim, desde que aportei em Mato Grosso, vindo de outras lutas, lá em Nova Iguaçu e em todo Rio de Janeiro, jamais deixei de me solidarizar com a luta e a organização dos trabalhadores e das trabalhadoras por melhores condições de vida e trabalho.

Foi assim que conheci e hoje reconheço a tenente coronel Rúbia Fernanda e sua história. É uma brava mulher, mãe de família, servidora pública atuante, com uma atuação exemplar, até onde me foi dado conhecer.

Recordo que os militares estaduais, até os tempos confusos do domínio de Blairo Maggi e do coronel Eumar Novacki, para conseguir promoção tinham que se submeter ao mais constrangedor apadrinhamento político. Vejam que, até bem recentemente, o comando da Polícia Militar em Mato Grosso era tido como área de influência do inacreditável deputado estadual Mauro Savi, de triste memória. José Geraldo Riva também teria reinado muito tempo sobre a Polícia Militar.

Como resultado das lutas da Assof, da Associação de Cabos e Soldados, da Associação de Sargentos e Subtenentes e da Associação dos Aposentados da PM-BM essa relação foi profissionalizada, e tivemos então a implantação do Estatuto da Carreira Militar. Os militares ganharam melhor estrutura de trabalho, passaram a ser tratados com mais respeito e a receberem melhores salários. Ou seja, a geração de dirigentes das associações militares, da qual Rúbia Fernanda faz parte, já marcou a história dessa categoria de forma muito expressiva.

Acabou completamente a lambança? Claro que não, tanto que tivemos a Grampolândia Pantaneira, com o povo da PM se envolvendo com um dos mais baixos extratos da política, que nos dominara no período nefasto da gestão Zé Pedro Taques e Paulo Taques, como nos mostram as evidências dos processos que ainda correm na Justiça. Esse foi um período em que, ao que parece, também se abastardou o Ministério Público estadual. Mas tudo isso são fatos que merecem estudo mais aprofundado e eu, por mais que queira, tenho as minhas limitações.

O fato é que, no final de semana, o nome da tenente coronel Rubia Fernanda passou a ser relacionado como possível pré-candidata do Patriotas ao Senado Federal, na eleição suplementar de abril, e candidata da preferencia do próprio presidente da República, Jair Bolsonaro. 

Todo mundo sabe que considero o capetão Jair Bolsonaro um detrito de maré baixa, que nos foi imposto no pós-golpe de 2016. Nunca o poder político de nosso País esteve tão desonrado.

Mas como negar a evidência de que a tenente coronel Rúbia Fernanda teve uma atuação socialmente importante, até aqui, em Mato Grosso?

Dialeticamente, devo reconhecer que ela pode ser uma boa novidade na disputa. Vejamos, mais adiante, como se comporta.

Há a informação de que ela é irmã do ex-advogado, ex-presidente da OAB MT e atual desembargador Rubens de Oliveira. Por tudo que conheço desses dois irmãos, me inclino a opinar que a trajetória de Rúbia Fernanda, pelo menos na minha visão, data máxima vênia, é bem mais estimulante.

Enock Cavalcanti, jornalista, é editor do blogue PAGINA DO E, em Cuiabá-MT, desde 2009

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