ENOCK CAVALCANTI: TJ-MT pagou mala de dinheiro para magistrados sem qualquer preocupação com teto constitucional e mesmo com as possibilidades do erário

 

Os marajás do Judiciário

por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: ser magistrado, em MT, é padecer em um paraíso. Enquanto nós, comuns dos mortais, ralamos para garantirmos nossa sobrevivência com o suor do nossos rostos, juízes e magistrados parece que vivem em mundo à parte, beneficiado por salários de marajás, ganhando como se fossem tipo Bill Gates, os homens mais ricos sobre a Terra. A diferença, aqui, é que o dinheiro é arrancado dos cofres públicos, da bolsa dos pobres e da Viúva.

Vejam que o juiz Mirko Giannotte, da 6ª Vara de Sinop, recebeu em julho R$ 415.693,02 líquido de salário, segundo dados do portal da transparência do Tribunal de Justiça. O valor bruto pago ao sr. Mirko foi de nada mais, nada menos que R$ 503.928,79.

Em nota, o TJ-MT, em tom burocrático, informa que estes altos ganhos resultaram de uma luta da Amam. “Considerando a decisão proferida pelo Conselho Nacional de Justiça no Pedido de Providencias n. 0005855-96.2014.2.00.0000, no mês de julho/2017, em que é requerente a Associação dos Magistrados de Mato Grosso, foi determinado pela Presidência deste Tribunal o pagamento do passivo da diferença de entrância aos magistrados que jurisdicionaram, mediante designação, em entrância ou instância superior no período correspondente a 29/5/2004 a 31/12/2009”.

A Associação dos Magistrados pediu, é uma ordem. O TJ paga uma mala de dinheiro para os magistrados, sem qualquer preocupação com o teto constitucional e até mesmo com as possibilidades do erário. Parece que os magistrados são mesmo uma categoria superior, à margem da crise que faz de MT um Estado pobre, com a Saúde, a Educação e a Segurança Pública aos frangalhos. Parece que, se depender da Amam, os pobres que explodam!

A lista dos marajás do Judiciário é impressionante, chocante. Depois dos 500 mil pagos ao juiz Mirko, em segundo lugar, empatados, tendo recebido R$ 414.709,76, aparecem os juízes Jorge Iafelice (3ª Vara Especial de Direito Bancário de Cuiabá), Debora Roberta Caldas (2ª Vara Criminal de Sinop), Wanderlei José Dos Reis (1ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Rondonópolis), Tatyana Lopes Borges (4ª Vara Criminal de Rondonópolis) e Rachel Fernandes Martins (Vara Especializada de Direito Bancário de Várzea Grande). Ganharam na Mega Sena? Que nada, não precisam correr atrás de milagres, são juízes em Mato Grosso.

Sim, o espanto é justificado: nada menos que 84 magistrados faturaram em julho quantias superiores a R$ 100 mil. O nosso Judiciário é mesmo uma mina de ouro.

E há quem diga – que horror! – que talvez ainda existam magistrados que ainda acham jeito de venderem sentenças para conseguirem uns dólares a mais. Será que tem juiz que precisa ser tão cafajeste?

 

ENOCK CAVALCANTI, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

Categorias:Direito e Torto

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