ENOCK CAVALCANTI: Eleição mostra que há Democracia, desde que você lute

Há Eleição. Eleição é luta. Luta democrática

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: Eram 8 horas da manhã quando cheguei no meu carro vermelho pra votar na escola Djalma Ferreira, na Morada do Ouro.

Corte. Antes de ir pra escola, fui à padaria na Caramelas, no bairro Bela Vista, tomar meu café com leite.

Uma senhora cuiabana, que mora em São Paulo mas volta sempre pra votar em Cuiabá, não sei por que cargas d`´agua, me reconheceu, mesmo com a máscara, veio me falar de eleição.

Eu nunca perco a esperança”, me disse. E queria saber mais do Julier, de quem tinha poucas referências.

Bem. Contribui para confirmação de mais um voto pro Julier, dizendo que ele era um militante de esquerda que nunca se omitiu, no Judiciário, quando era juiz, ou fora dele.

E ficará na História porque deu as canetadas necessárias para que a quadrilha do Comendador Arcanjo fosse desmontada, em Mato Grosso.

Já escrevi que preferiria o Julier como juiz, talvez agora desembargador federal, em Brasília, sempre dando canetadas em favor do povo e contra os inimigos do povo.

Na padaria outra mulher, uma garota de cabelos muito curtos também me disse que não sabia ainda em quem votar. Cabelos curtos, parecendo um menino, sorriso cativante, as calças largas, com cós baixo, mostrando o inicio daquele delicioso cenário dos pentelhos.

Mas importante foi que ela me disse. “Eu nunca deixo de votar. Eu sempre mantenho a esperança”.

Essa senha me ficou. Nunca perder a esperança. Sustentar a luta, mesmo que a vida de vez emquando nos encha de tédio, com esse eterno vai e vai, como uma onda no mar.

Ontem tinhamos o PT no poder – aí a cupula do partido exagerou nos conchavos da coligação com partidos de politicos viciados em usar a política para ganhar dinheiro e o Mensalão desabou sobre as nossas cabeças.

A verdade das pesquisas nos mostra que aquele desgaste de nossas lideranças na presidencia da República ainda nos custam muitos votos. O povo vota muito pelas aparencias – e as trapalhadas do Delúbio e outros que tais ainda pesam contra nós, do PT, da esquerda. Tanto que houve um senhor, ao lado de minha mesa, na padaria que garantiu que não votaria no PT jamais, mesmo não tenho votado no Bolsonaro.

Tucano? Emedebista? Ficou a dúvida, por que ele saiu logo porque a mulher o chamava lá do carro…

Sim, os menos desavisados continuam comparando politicos da esquerda com políticos do MDB, do DEM, do PP, do PL, enfim…

Não sou um doutrinador. Confirmei o entusiasmo da velha senhora que vinha de São Paulo. Afaguei com carinho os cabelos curtos da jovem que, com seus corpo cheio de tatuagens, certamente tenta se diferenciar de nós, os velhos.

Ainda há esperança, eu sei. Sempre haverá esperança se pararmos para pensar, se tivermos coragem de agir.

Sai da padaria imaginando, esperançoso, que ali ficaram duas mulheres que também, mais tarde, neste domingo, poderiam acabar votando 13.

Corte. Na escola Djalma, ambiente tranquilo, com um carro com dois PMs na porta, sendo um deles uma agente com coxas bem malhadas e seios pequenos. Os velhinhos fazendo fila para votar e eu era um deles.

Digitei 13, deixei registrada minha esperança.

Que importa que o Julier não esteja na cabeça das pesquisas, se a nossa militancia continuar presente na eleição e depois dela?! Não há porque fazer drama, a vida é um processo que certamente ultrapassará as nossas vidas…Tratemos que cumprir nosso tempo com o mínimo de coerências e sem outros mensalões…

Eleição, claro, é uma etapa das lutas. A senhora cuiabana-e-paulista me falou que é professora, nunca deixa de participar das mobilizações de sua categoria.

A garota magra e tatuada falou rapidamente do grupo de amigas, dentro do qual está sempre questionando as tais verdades eternas. Até mesmo a qualidade dos candidatos e dos políticos do PT.

Achei tudo aquilo instigante. O café com leite estava pingado como deve ser, com bem menos café do que leite. A manteiga no pão quente, abundante. O domingo, fresco. As eleições democráticas rolando sem qualquer problema em Cuiabá. Eu, velho, mas sem dores. Eu, velho, mas sempre com o tesão do voto, da luta.

Cuiabá, 2020. No horizonte, um mundo todo para vir a ser. Se possível, vir a ser, com domingos de sol.

Enock Cavalcanti, jornalista, é editor do blogue PAGINA DO E desde 2009, a partir de Cuiabá.

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