Em queda nas pesquisas, José Serra chora e recebe benção de padre Marcelo Rossi

Tucano chora e recebe bênção em missa do padre Marcelo Rossi
DANIELA LIMA
FOLHA DE SÃO PAULO

Um dia depois de perder a dianteira na disputa pela Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB) chorou ao participar de uma missa do padre Marcelo Rossi. O tucano assistiu à cerimônia do altar.

Chamada “missa de cura e libertação”, a celebração tem, tradicionalmente, forte conteúdo simbólico. O evento não foi divulgado na agenda oficial do candidato.

Rossi falou a Serra sobre a missa há cerca de 20 dias, durante rápido encontro na Bienal do Livro. Na ocasião, ressaltou que a cerimônia era transmitida pela internet a “cerca de 500 mil pessoas”. Ontem, outras 15 mil a acompanharam in loco.

“Serra, você vai ver que missa emocionante é essa”, avisou Rossi, logo no início.

O padre pregou sobre superação de adversidades. Durante a palavra, citou um versículo de Eclesiástico. “Não entregues tua alma à tristeza e não aflijas a ti mesmo com tuas preocupações”, disse, lendo o texto. “No mundo, querem nos derrubar com mentiras e inverdades. Aqui não”, falou em outro trecho.

Serra comungou. “Nada poderá me abalar. Nada poderá me derrotar”, dizia a música que embalou a ceia.

No fim da missa, o tucano falou. Parabenizou o padre e dom Fernando Figueiredo pelo santuário que vão inaugurar. “Eles desconhecem o impossível”, disse. Depois, chorou ao lembrar que, já no fim da vida, sua mãe recebeu uma bênção de dom Fernando. “Isso me marcou muito”.

Serra recebeu água benta e saiu. “A porta está aberta para todos,” disse padre Marcelo Rossi. “Mas amigo é amigo”, concluiu.

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Eleições 2012

Forte desejo por mudança faz rejeição a Serra crescer

85% querem que as ações do próximo prefeito sejam diferentes das de Kassab

Com 43% de rejeição, segundo o Datafolha, tucano é o único dos 12 candidatos de São Paulo que defende atual gestão
DO EDITOR-ASSISTENTE DE PODER

O Datafolha detectou uma tendência em São Paulo que ajuda a explicar as dificuldades enfrentadas pelo candidato do PSDB, José Serra. Segundo o levantamento, 85% dos eleitores preferem que as ações do próximo prefeito sejam diferentes das ações do atual, Gilberto Kassab (PSD).

Com intenções de voto em queda e rejeição em alta, Serra é o único candidato que defende a gestão Kassab. Ele tem 22% das intenções de voto (nove pontos abaixo do líder Celso Russomanno, do PRB) e 43% de rejeição.

Serra e Kassab estão unidos desde 2004, quando disputaram a prefeitura como titular e vice. Em 2006, Kassab virou prefeito após a renúncia de Serra para concorrer a governador. Em 2008, com apoio de Serra, Kassab foi reeleito. Agora, apoia a volta do tucano à prefeitura.

O anseio por mudança, sempre perto de 85%, ocorre em todas as regiões e faixas de renda, idade e escolaridade. É majoritário até entre os que aprovam Kassab (24% dos paulistanos). Nesse grupo, 59% querem ações diferentes do sucessor.

RECORDES

O crescimento mais recente da rejeição de Serra (38% para 43% em nove dias) foi puxado por eleitores da zona norte, tradicionalmente tida como conservadora. Em 20 de agosto, 32% dos eleitores dessa área não votariam em Serra de jeito nenhum. O índice subiu para 45%.

Os recordes da rejeição ao tucano estão entre eleitores de 16 a 34 anos (50%), renda de 2 e 5 salários mínimos (49%) e ensino médio (46%). Na região sul 2, subdivisão da zona sul com 21% do eleitorado da capital, atinge 48%.

São Paulo nunca elegeu um candidato com mais de 32% de rejeição. Na cúpula da campanha tucana, avalia-se que o índice de Serra é grave, mas pode ser revertido. O entendimento comum é que ele recupera sua imagem com até dez programas de TV.

Há, porém, divergências sobre o que fazer. Um grupo acha que Serra deve “partir para o olho no olho”: dizer na TV, explicitamente, porque renunciou em 2006 e porque defende Kassab.

Outro grupo, este mais próximo de Serra, insiste numa abordagem mais sutil. Prefere dar ênfase às propostas para uma próxima gestão.

Ainda que não digam isso abertamente, há tucanos que atribuem o alto índice de rejeição a um cansaço do eleitorado com a imagem de Serra. Avaliam que o partido falhou ao não notar a tempo que o clima geral da eleição seria por mudança.

O Datafolha também investigou os atributos de cada candidato. Em parte por ser o mais conhecido, Serra lidera em critérios positivos e negativos. É tido como o mais inteligente e realizador, por exemplo, e também como o mais autoritário e o que mais faz promessas que não irá cumprir.

(RICARDO MENDONÇA)

Colaborou DANIELA LIMA, de São Paulo

Categorias:Plantão

1 Comentário

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  1. - IP 189.26.148.6 - Responder

    Vampiro na missa ? Nunca vi disso. Vade retro satanás.

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