Delação de Pedro Nadaf deve multiplicar processos

mischur da consignum na pagina do e

Willians Paulo Mischur, dono da Consignum Programa de Gerenciamento e Controle de Margem Ltda e João Batista Rosa, dono da Tractor Partsic, que agora são apresentados pelo Ministério Público Estadual como possíveis “vítimas” do esquema de corrupção que teria sido armado à sombra do Palácio Paiaguás, durante a administração do governador Silval Barbosa, estiveram no foco dos depoimentos, nesta quarta-feira, na atulhada sala de audiências da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Regendo a sessão, mais uma vez, lá estava a juiza Selma Arruda que chegou a ter alguns momentos de confronto com os advogados de defesa por conta de pretensas perguntas repetitivas que eles estariam fazendo aos interrogados.

O mais experiente profissional no dispositivo da defesa, o advogado João Cunha, mesmo montado em suas muletas, conseguiu enervar o empresário-delator João Rosa com seus questionamentos e acabou deixando no ar a suspeita de que o dono da Trator Partsic pode ter praticado grossa sonegação fiscal, triangulando com suas notas fiscais entre São Paulo e Mato Gosso, enquanto suas mercadorias ficariam lá mesmo na capital paulista, sem jamais chegar ao mercado mato-grossense. Será que o Ministério Público vai procurar esclarecer esse possível caso de triangulação ou os possíveis crimes praticados pelos delatores que adota prescrevem automaticaamente?

Uma novidade que passou desapercebida para muitos dos presentes na atulhada salinha de interrogatórios, foi a presença do jornalista Fábio Monteiro agora se lançando no mercado como gestor de crise e já contratado por Mischur para cuidar da imagem corporativa da empresa Consignum. A apresentação das novas atividades de Fábio você vê no video exclusivo desta PAGINA DO E, onde o diretor da DIALUM, empresa de assessoria de imprensa e comunicação estratégica, explica como passa a atuar no cada vez mais movimentado mercado mato-grossense de mídia, depois que se afastou da assessoria do Tribunal de Contas de Mato Grosso.

Os depoimentos aconteceram, mais uma vez, em um ambiente insalubre, com a sala botando gente pelo salão e o ar condicionado não dando conta de refrescar o calor produzido pelo vai e vem de tanta gente, tantos advogados, jornalistas, depoentes. A loira repórter Ianara Garcia, da afiliada da Rede Globo, reviveu um costume da Belle Epóque, abanando-se sem parar com um leque improvisado com os papéis de sua pauta. O grupo enorme de jornalistas escalado pelos saites para a rotina de tentar reproduzir o andamento da audiência minuto a minuto, via internet, vibrou em um agradecimento mudo, quando o advogado Ulisses Rabaneda, dando uma de bom samaritano, providenciou uma rodada de garrafinhas de água mineral para minorar a sede de quem tem que ficar ali plantado, enquanto a juíza que preside a 7ª Vara não se sensibiliza diante da precariedade daquele ambiente de trabalho. Um bebedouro no local seria uma providência divina. Alguns advogados reclamam à juíza providencias visando a solução do problema. Gentileza gera gentileza.

Outra coisa: se o objetivo ali é se ouvir depoimentos, a sala atulhada faz com que muita coisa se perca mesmo para os ouvidos mais atentos. Por que não providenciar uma estrutura de som que facilite o acompanhamento das falas?

O ponto central do depoimento do empresário-delator foi a explicação de que sua empresa,a Tractor Parts, com um faturamento anual de 50 milhões, tinha uma matriz aqui em Cuiabá e um depósito em São Paulo para armazenar mercadorias. Relatou que pagava 12% de ICMS para trazer os materiais a Cuiabá e 12% para levar daqui para São Paulo. Só que, apertado pelos questionamentos do advogado João Cunha, com quem deixou claro que tem uma rixa, ele acabou dizendo que suas mercadorias ficavam no centro de distribuição em São Paulo e não vinham para Mato Grosso, mas isso que gerava para ele os créditos no ICMS. Para João Cunha, essa foi uma confissao de um crime de sonegação que precisa ser devidamente investigado pelo Ministério Público Estadual.

O empresário Willans Paulo Mischur descreveu um cenário de completa subordinação sua ao pretenso esquema de extorsão que teria sido montado pelo então secretário de Administração César Zilio. Atraido por um faturamento mensal de mais de R$ 800 mil reais por mês, teria acabado entrando de cabeça no esquema de propina, chegando a repassar para Zilio e seus parceiros praticamente tudo que ganhava em Mato Grosso, patrocinando emprestimos consignados para servidores públicos estaduais. Garantiu que sobrevivia financeirmante em decorrência de atender outros estados e municípios, já que em Mato Grosso quase não dava lucro. Sua empresa foi descredenciada recentemente pela administração de Zé Pedro Taques e ele diz que luta para preservá-la depois de toda extorsão que teria recebido em Mato Grosso.

Nos bastidores das oitivas desta terça, alguns advogados comentavam que os inquéritos sobre corrupção devem se multiplicar, depois que a delação premiada de Pedro Nadaf for homologada. Além das denuncias já apuradas nas duas fases da Operação Sodoma, os advogado acreditam que novos inquéritos serão abertos, envolvendo novos personagens. “Bem, pelo menos essa é a expectativa. Que o MP deixe de olhar só para o Silval Barbosa”, argumentam.

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