PREFEITURA SANEAMENTO

Em diálogo com as idéias dos filósofos ingleses Jeremy Bentham e John Stuart Mill e do norte-americano Michael J. Sandel, Saíto nos propõe a busca de razão para viver que se estruture a partir de padrões que superem os conceitos tão elementares do prazer e da dor

Saíto (à direita), com John Stuart Mill, Jeremy Bentham e Michael J Sandel, filósofos e estudiosos do Direito, mestres pensadores

Saíto (à direita), com John Stuart Mill, Jeremy Bentham e Michael J Sandel, filósofos e estudiosos do Direito, mestres pensadores

Pensar não é fácil
GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO

 

 

Muito se tem discutido entre a vida fácil, simplória, de pessoa sem comportamento elevado, e a vida daquelas de pensamento responsável, que se dedicam à reflexão. Bentham, que ao lado de Mill ocupa o lugar de destaque na defesa do utilitarismo, resumia tudo a um cálculo primitivo de prazer e dor. Essa seria a fórmula das evidências de escolhas humanas. O homem e a mulher optam pelo caminho que lhes dão prazer, a utilidade reside nisso.

Mas entre o pensamento dos dois filósofos citados tem uma singular diferença: um é mais pragmático e o outro destaca o ideal moral da dignidade e da personalidade humana. Mill representa o último, salva o utilitarismo como pensamento filosófico moderno.

Quando em textos anteriores escrevíamos sobre os masoquistas e sádicos, o parâmetro de avaliação se concentrava, de forma irônica, exatamente na maior ou menor interação na escolha entre prazer e dor. Quanto mais conhecimento que o individuo tem, a tendência de sua escolha tende para padrões mais elevados, aumentando o próprio stress social. Por ser mais crítico e de axiologia mais aperfeiçoada, sofre mais com as vicissitudes diárias, com as análises da língua solta, irresponsável.
O ignorante, ora, é ignorante, nada mais. Vive feliz na academia, em ver seus músculos mais torneados, o carrinho mais limpinho e potente, e adora, mas como se regozija com isso, assistir à derrocada dos outros. Afinal, os programas policiais não têm considerável audiência? Está a nos dar prazer no outro, naquilo que estamos a salvo, até por sermos politicamente corretos. A terceira pessoa é proposital, aqui, por modéstia.

O homem e a mulher, de estatura moral, sofrem. Os julgamentos apressados, as atitudes antiéticas, a falsa coragem, o moralismo fingido, os fazem masoquistas. Sofrem por opção pelo conhecimento e reflexão. Em imperdível obra – Justiça-, Michael J. Sandel provoca: “Os desejos de facto não são mais a única base para julgar o que é nobre e o que é vulgar. O padrão atual parte de um ideal da dignidade humana independente daquilo que queremos e desejamos. Os prazeres mais elevados não são maiores porque os preferimos; nós os preferimos porque reconhecemos que são mais elevados”.

Os utilitaristas têm razão. Mill os salva do pensamento estreito ao avançar sobre as escolhas morais. Prazer e dor como opção, com a tendência do menos racional pelo primeiro. Cabe àqueles que sentem as agruras da injustiça, de forma mais crítica e não leviana, a dor dos masoquistas. Muitíssima espiritualizada que o prazer dos sádicos; e dos inocentes que nem sabem o que é isso. É por aí…

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO é Juiz de Direito e escreve aos domingos em A Gazeta (e-mail: [email protected]).

 

2 Comentários

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  1. - IP 177.0.103.2 - Responder

    Pra ficar filosofando, viajando na maionese tá blz…Mas sentenciar que é bom nada!!!

  2. - IP 189.59.59.48 - Responder

    Alinny, ou é Mario ou é Pinto Fernandes? Parabéns, professor. “O ignorante, ora, é apenas ignorante”. Valeu, né “Mário”.

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