ELESBÃO MORENO DA FONSECA – É sempre muito bom o exercício da democracia propiciando o embate de idéias, a apresentação de propostas. Mas é, também, preocupante ver, ao menos até agora, a superficialidade das proposições dos candidatos que pretendem comandar a capital mato-grossense.

Acacianismos
ELESBÃO MORENO DA FONSECA    

É sempre muito bom o exercício do voto. É sempre muito bom o exercício da democracia propiciando o embate de idéias, a apresentação de propostas. Mas é, também, preocupante ver, ao menos até agora, a superficialidade das proposições dos candidatos que pretendem comandar a capital mato-grossense. Genericamente todos são a favor da melhoria da saúde. Bem, não dá para ser de outra forma. Quem seria a favor da piora? A questão que se coloca naturalmente é: como fazê-lo? A melhora, naturalmente.

Poderíamos ser informados do orçamento para a saúde e como este orçamento tem atendido as necessidades. Em que percentagem? Se no total ou em parte? E o que fazer para aumentar aporte de recursos para essa área, caso não se mostre suficiente. Ou onde as falhas de gerenciamento com o recurso existente, caso este seja suficiente. Se, esse orçamento já é publicado poderiam fazê-lo de forma tal que se tornem populares.

As redes sociais poderiam prestar esse serviço para a sociedade. O IPTU também merece uma publicização. É possível saber qual bairro, região e qual classe social mais paga esse imposto? A população tem inteligência suficiente para entender essa prestação de contas desde que feita de forma a mais simplificada possível. Ou então ficaremos a ouvir acacianismos tipo: “Precisamos melhorar a saúde do município”.

Isto dito de forma solene por pessoas que, presumivelmente, nunca tiveram a necessidade de se tratar em alguma unidade pública de saúde. Aliás, essa é uma lei que deveria ser aprovada pela câmara legislativa: o detentor de mandato e/ou sua família que se tratasse em clínica privada, uma só vez, perderia o mandato. Presumivelmente, também, nunca sujaram os pés de poeira na periferia da cidade.

E como se fossem o Mago Merlin, parecem ter a varinha mágica que com um toque, tudo mudará, tudo ficará bom, muito bom. Proposições se circunscreveriam dentro de uma realidade, realidade política. Aliás, para quem está se decepcionando com a política, uma das definições de homem, ser vivente, é que este é “um animal político” e é pela política que encontraremos as soluções. Isto nos inclui a todos nós da sociedade como partícipes ativos na busca de soluções.

Não podemos terceirizar essas soluções somente para os políticos, e fingirmos que nada temos a ver com os nossos, sim, nossos, problemas. Outro tema incandescente e de boa presença no discurso dos candidatos é a questão da segurança. A presença de segurança particular na casa, na rua, ou no bairro dos detentores do mandato, também deveria ser causa de sua imediata cassação.

A questão das drogas tornando a vida na/s cidade/s um verdadeiro tormento tem, sistematicamente, vencido o poder estabelecido. Qual a solução? Não a tenho e nenhum indivíduo a tem, mas a sociedade deve buscar essa solução. Está na hora de se pensar em liberação das drogas e o consequente trabalho de recuperação dos dependentes para que estes não roubem, não matem e não morram pelo vício. Talvez um dos caminhos seja a escola e os centros comunitários como ponto de atração desses jovens com aulas de teatro, xadrez, línguas, música clássica, esporte olímpico.

O desenvolvimento, por professores, de atrativos para que esses jovens não se sintam atraídos pelos traficantes. Lembremo-nos de John Kennedy: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo seu país”. Também a convocação dos alunos das universidades públicas para trabalharem com esses jovens.

Ah! estava me esquecendo. Os detentores de mandato que colocassem os seus filhos em escolas privadas, deveriam ter os seus mandatos imediatamente cassados. Deveriam, alcaides, vereadores, governadores e deputados deslocarem-se para o trabalho nos coletivos, ao menos três vezes na semana. Seria muito bom vermos os pés bem calçados misturados com os pés descalços. Bom para a cidade, para o estado e para o país.

*ELESBÃO MORENO DA FONSECA – Engenheiro Civil e Músico

[email protected]

Categorias:Jogo do Poder

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

quatro × dois =