EDUARDO PÓVOAS: Resolvi dar uma voltinha pelo centro de Cuiabá, como faço vez em quando, mas desta vez voltei da voltinha com um nó na garganta

O cronista Eduardo Póvoas resolveu passear pelo centro de Cuiabá, em busca de uma sacola de pequi. Não encontro o pequi - mas foi pego pela saudade de uma Cuiabá do tempo em que a cidade era mais simples e mais fraterna

PASSEIO PELO CENTRO

Por EDUARDO PÓVOAS

Final de tarde resolvi dar uma voltinha pelo centro da cidade como faço de vez em quando, mas desta vez voltei da voltinha com um nó na garganta. Deixei meu carro em um estacionamento ao lado da Academia de Letras e saí de lá com o intuito de comprar uma sacola de pequi para colocar em uma panela junto com um frango caipira.

Passei pelo “senadinho” que estava deserto, pois já se passava das quinze horas, atravessei por cima da calçada do Bar Pinheiro parecendo estar vendo aquelas mesas e cadeiras pesadíssimas em cima dela onde sentávamos após os jogos dos domingos no Presidente Dutra para apreciar o “footing” das meninas ao redor da Praça Alencastro.

Cheguei até a do Bar do Bugre, deslocando minha visão para dentro do imóvel onde ao invés de ver aquelas cervejas dentro dos sacos de palha o que vi foi um monte de remédio, sem nenhum charme como tinha aquela exuberante caixa registradora que por muitos anos ocupou aquele lugar.

Desci em direção ao Edifício Palácio do Comercio e procurava no começo da Rua do meio a entrada do salão de bilhar do Bar Pinheiro onde seu gerente Dario parecia “chamar” seus clientes da janela. Nada disso apareceu, e sim um imenso salão cheio de sapatos.

Continuo a descer e ao invés de estar em frente ao majestoso Hotel Centro América que serviu de hospedagem a várias autoridades daqui e de fora, deparo-me com um enorme “caixote” cheio de roupas.

Continuo minha descida pelo lado esquerdo da Treze de Junho sentindo falta da antiga sede da Caixa Econômica Federal, e na esquina, da Relojoaria Miraglia e da Casa Granja em frente à Farmácia Americana, ao lado da São Luis Magazine infelizmente fechado.

Chego à Praça Ipiranga e aproveito para tirar uma foto da única palmeira retorcida do planeta, mas não antes de me lembrar da sede da Rádio a Voz do Oeste de onde a cuiabania recebia todos os dias com fundo musical de Glenn Muller a “Crônica das doze e cinco” na magistral voz de Alves de Oliveira. Almoçava a cidade com os ouvidos atentos no radio.

Volto sem encontrar o pequi e escolho o lado direito da Rua 13 para subir. Vejo a poucos metros da esquina da Isac Póvoas na treze, a oficina de bicicletas do saudoso Névio Lotufo, a primeira da capital, chamada Motosblim. Frequentei-a por muito tempo quando menino admirando as novidades que o Névio trazia para as bicicletas da gurizada.

Continuei a subir até que na Praça da República, e ao lado do Correios e em frente ao Palácio da Instrução, vejo o prédio do antigo “Thezouro do Estado” caindo aos pedaços.

Lamentável….. Não adianta só desejar-lhe parabéns. Como diz um slogan: “Não basta ser pai, tem que participar”, cabe aqui dizer: que não basta ser politico tem que fazer! Nessa pequenina voltinha, “viajei” pela Cuiabá que fui criado e a cada passo parecia voltar ao tempo vendo o preço caro que é cobrado pelo progresso.

 

Eduardo Póvoas é cidadão cuiabano, Pós Graduado pela UFRJ.

 

4 Comentários

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  1. - IP 177.221.97.226 - Responder

    Muito bem redigido o texto. Parabéns!

  2. - IP 201.2.22.127 - Responder

    Edu, passeei junto com voce.Lembro ao amigo da igreja do Senhor Bom Jesus de Cuiaba, demolida com dinamite, onde e a atual Catedral. E o Hotel Centro America ? Um abraco forte de quem sempre te acompanha!

  3. - IP 187.55.151.27 - Responder

    Eduardo Póvoas….a quem eu chamo carinhosamente de bobó….e a recíproca é mais que verdadeira.!! Com muita propriedade tece comentários da Cuiabá de outrora….. tocando nossa alma de menino que éramos naquela Cuiabá dos anos 50/60..!!

  4. - IP 177.83.4.214 - Responder

    É isso aí Eduardo , o centro de Cuiabá esta muito mudado, imagine para mim que saí de Cuiabá há + de 20 anos,
    Quando volto esta muito diferente, por exemplo a Getúlio Vargas onde eu cresci, só tem comercio, e os moradores , você por exemplo morava lá, dá saudade hem?

    Albertino (Pinto)

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