EDUARDO PÓVOAS: Quem ganha dez, quinze mil reais, ou pouco mais, não tem nenhuma condição de ter um carro Mercedes Benz, um apartamento em Copacabana, uma mansão em Cuiabá, outra no Lago de Manso, Jet Sky e Iate recheado de scotch importado no fim de semana, milhares de imóveis esparramados pela cidade, fazenda com muito gado. Se você conhece alguém que ganha o que acima citei, nunca ganhou na loteria, não recebeu herança, não casou com mulher rica e tem tudo isso, mesmo sem prova, pode mandar prender que é ladrão!

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Régua de medir dinheiro

EDUARDO PÓVOAS

Quando profissional da área de saúde por trinta e cinco anos, fui um dos que melhor remuneração tinha neste estado. Graças a Deus tive a oportunidade de dar bons colégios aos meus filhos e sempre que podia, fazia minhas viagenzinhas com o dinheirinho limpo e cristalino que vinha da ponta dos meus alicates.
Nesse tempo aprendi a conviver com uma régua virtual, a régua de se “medir o dinheiro”.

Essa régua esteve por algum tempo em minhas mãos, e através dela eu sabia o quanto entrava e o quanto poderia gastar.

Muitos dos senhores que me leem, detém essa régua e sabem muito bem do que falo.

Era uma régua normal, de trinta centímetros de madeira, dessas que as crianças usam.

Aposentei-me, perdi a régua, mas jamais me esqueci de como ela funciona. Apesar de não a ter mais, não perdi a noção e o valor do dinheiro, falo do, ganho honestamente.

A intimidade com ela, me mostrou no decorrer do tempo, que quem ganha dez mil reais, quinze mil reais ou pouco mais, não tem nenhuma condição financeira de ter um carro Mercedes Benz, um apartamento em Copacabana, uma mansão em Cuiabá, outra no Lago de Manso, Jet Sky e Iate recheado de scotch importado no fim de semana, milhares de imóveis esparramados pela cidade, fazenda com muito gado etc.

Se você conhece alguém que ganha o que acima citei, nunca ganhou na loteria, não recebeu herança, não casou com mulher rica e tem tudo isso, mesmo sem prova, pode mandar prender que é ladrão!

Parece que a velha régua que usei, de madeira, foi substituída por trenas de raio laser pois medir essa dinheirada que alguns com “muito esforço e trabalho” acumularam em pouco tempo, só elas dariam conta.

Graças ao que a justiça vem divulgando, através de bloqueios de contas bancarias e bens de pessoas que ganham um pouquinho acima do que escrevi, fico perplexo como a matemática que hoje é totalmente diferente da do meu tempo. O que se divulga que foi apreendido, ou bloqueado, deve ser um terço do que ainda existe escondido, ou em nome de laranjas.

Imagine, quem se propõem a devolver um bilhão, o que ainda deve ter deixado no “fundo do tacho”.

Como em tão pouco tempo, acumular tantos bens e tanto dinheiro no banco? Mesmo se ficasse sem comer, beber ou comprar ao menos uma bermuda, seria inadmissível acumular riqueza de tamanha monta. A justiça está tal qual a marido traído, sabe que existe, vê a ousadia do ‘pé de pano”, mas sem prova, fica igual à mosca de padaria, assenta mas não come nada. Aí se não fosse à delação premiada.

Não, não mesmo, acumular tantos bens e tanto dinheiro em tão pouco tempo de maneira legal, a não ser com um recebimento de herança ou uma sorte grande na Mega Sena. Fico “matutando” o que fiz na vida. Hoje sou até motivo de gozação dos amigos.

Alguns debocham da inteligência dos outros. Desfilam seus carrões e seus bens na “lata” da sociedade e ainda gozam com a cara daqueles que seguem outra cartilha. Dá ou não raiva a quem sempre tentou ganhar a vida honestamente?

Perderam a vergonha e o caráter se algum dia tiveram. Eles ou nós perdemos?

Quanta inversão de valores! Endinheirados porem muitos aculturados, descobriram o mapa da mina nestas terras férteis de Candido Mariano da Silva Rondon.

eduardo póvoas

Eduardo Póvoas,odontólogo aposentado, é pós-graduado pela UFRJ

1 Comentário

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  1. - IP 187.54.208.213 - Responder

    Pois é Eduardo Póvoas , sempre pensei assim também . É desalentador para quem trabalhou uma vida como nós; olhar e ver que parecemos uns falidos que não souberam administrar os ganhos, se comparados a alguns patifes que desfilam por aí em carrões de 150 mil e morando nos tais condominios “floreados ” . Bastava uma rápida e séria olhada nos gastos mensais dessa gente para ver que é incompativel os gastos por eles efetuados todos os meses , e os seus ganhos declarados e de origem lícitas ( se os tiverem).
    Muitos desses patifes que ostentam o titulo de ” políticos” são o mais claro desses absurdos ; alguns deles deixam suas empresas nas mãos de terceiros para irem ganhar uma merreca como vereador , prefeito e deputado, e nunca mais deixam a vida politico/partidária , mas sempre ficam milionários.
    Não sei onde isso pode parar , mas sou tambem um órfão da honestiade e da decência.

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