EDUARDO PÓVOAS – As aventuras de um cuiabano em viagem por São Paulo, Minas e conferindo o terminal ferroviário em Alto Taquari

Eduardo Póvoas é cidadão cuiabano

POLÍTICA CAFÉ COM LEITE?
EDUARDO PÓVOAS

No mês de julho tive a oportunidade de voltar a algumas cidades dos estados de São Paulo e de Minas Gerais de automóvel para rever amigos de faculdade. Chega a ser humilhante ao resto do país, o estado das estradas tanto federais como estaduais que por lá percorri.

O pedágio é desgastante porem é determinante para que o usuário possa desfrutar de coisa boa.

Triste fiquei ao ver regiões que conheci na minha época de estudante ocupada por imensidão de pés de café em São Paulo, e postagens majestosas em Minas Gerais, trocadas hoje por um horizonte inatingível por nossa visão, de plantação da cana.

São Paulo virou literalmente um estado monocultor, ao menos por onde andei, da cana de açúcar, com isto afetando o jargão usado antigamente que ele e Minas Gerais faziam a famosa política do café com leite, ou seja, Minas entrava com o leite retirado do seu enorme rebanho leiteiro e São Paulo com o café vindo de seus majestosos cafezais.

Hoje se pode dizer que a política do café com leite virou a política da pinga com garapa. Um  “entra” com a garapa e o outro com a pinga, pois só dá cana de ponta a ponta.

Enquanto isso o álcool que usamos para abastecer nossos carros está cada dia mais caro, sem que se entenda o porquê.

Caminho em direção a Mato Grosso ansioso para ver pela primeira vez uma locomotiva atravessar nossa fronteira.

Pernoito em Alto Araguaia à beira do “pequenino” Rio Araguaia que por ali passa em direção norte sendo um dos alimentadores da bacia amazônica.

Cedinho saio com destino a Cuiabá, com saudades que um cuiabano de verdade sente de sua terra poucos dias sem vê-la.
Uma madrugada de domingo e eu pensando em encontrar pela frente uma estrada desimpedida e com pouco transito. Ledo engano!

Logo avisto milhares de caminhões à minha esquerda em um zigue zague infernal parecendo aquelas filas homéricas dos brinquedos da Disney americana. Estava eu frente a frente com o nosso terminal ferroviário de Alto Taquari e avistando orgulhosamente a primeira composição dentro do território mato-grossense.

Daí para frente foi um pesadelo. Acredite, um verdadeiro pesadelo, estrada pavorosa, em alguns trechos imprópria para carros pequenos e uma quantidade incalculável de carretas superlotadas de soja e milho num desperdício desses grãos jamais visto por olhos humanos. O acostamento da estrada chega a estar “pavimentado” por esses alimentos que, se fato dessa natureza, acontecesse no Japão ou China, seriam seus autores responsabilizados criminalmente.

A nota dissonante dessa viagem, na minha ótica, mesmo sabendo não ser o papel da Policia Rodoviária Federal, foi não ver em nenhum momento, esses valorosos e dedicados agentes, orientando os usuários dessa rodovia dos perigos que os esperam pela frente. È sim papel de qualquer servidor público orientar aqueles que desconhecem seus caminhos. É sim muito melhor salvar vidas alertando o usuário sobre as condições da rodovia, do que ficar o dia todo com um radar e um talão de multa na mão.

Se não é esse o papel da valorosa PRF, o bom senso manda que seus diretores incluam no papel dela, o manual de se preservar vidas, pelo menos nesse trecho.

Eduardo Póvoas é cidadão cuiabano
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1 Comentário

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  1. - IP 200.96.244.2 - Responder

    Senhor Eduardo falou tudo. Resido há cerca de três meses na querida Alto Taquari, local de clima ameno (morava no nortão, calor dia e noite) povo trabalhador, más, com um trânssito de carretas dia e noite dentro da cidade. Viajei semana passada para o interior de São Paulo, que diferença de estradas, chega dar gosto de dirigir. Ao contrário de nossas estradas, principalmente daqui até a capital, com trânsito assassino e nossas autoridades nada fazem para melhorar. Pior ainda é meu querido e saudoso nortão, é só poeira nessa época e atoleiro daqui há alguns dias. Acorda Silval !

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