MAHON: “Maurício Aude escancara a sua arrogância”

Lamentavelmente, a atual gestão da OAB não entende que vem sendo reprovada por índices de 40 a 45% dos votos, de eleição para eleição - argumenta Eduardo Mahon

A pergunta das urnas
por     EDUARDO MAHON

Todos os advogados, sem exceção, devem saudar o novo presidente eleito da instituição, Maurício Aude. Suas qualidades o ressaltam, conforme vimos na campanha; nome e discurso leve o precediam. É pena que, embevecido pela vitória, tenha claudicado em sua primeira declaração, em artigo escrito logo após o resultado. O presidente eleito escancara arrogância afirmando que o projeto encarnado por ele está correto, é mais coerente, é mais exequível, pelo sufrágio das urnas. Portanto, importa reconhecer apenas o que a maioria diz. A ovação tanto seduz como ensurdece.

Lamentavelmente, a gestão não entende que vem sendo reprovada por índices de 40 a 45% dos votos, de eleição para eleição. Essas vozes parecem insuficientes para serem ouvidas e a “resposta das urnas”, havendo vitória, é justificativa suficiente para não mudar. Ignorou Aude e seu grupo hegemônico o que as urnas perguntaram e preferiu escutar apenas o aplauso. Ignoraram milhares de jovens advogados, colegas do interior, do setor público e tantos outros da capital. O presidente eleito deixou passar uma oportunidade de ter a grandeza e humildade para abraçar plataformas alheias, preferindo afirmativas sobre o que ‘dá certo’, na própria ótica, como se fosse bom enxergar com um único olho.

Talvez Aude esteja certo numa constatação: o projeto da situação é mais coerente. Foi essa a palavra que marcou a campanha, por ressaltar uma diferença perceptível a olhos desarmados. De fato, indicar e apoiar em bloco um único candidato é muito menos traumático do que construir a oposição com vários ideais e posicionamentos diferentes. A oposição precisa aprender com Aude para não cometer os mesmos erros apontados por ele, porque parece que somente as urnas são capazes de dar respostas a esse grupo, de nada valendo as perguntas que pautam a campanha.

O que o ‘magistério de Aude’ nos ensina a todos é formar coalisões coerentes, estáveis, duradouras e coletivas. É preciso ter modéstia para reconhecer essa grande lição que é lançada, entre bravatas, gritos e alguns discursos impublicáveis do alto de carros de som. É claro que a humildade deveria ser a mesma, ao estender a mão para todos os advogados e não para, neste momento, aplicar-lhes lição alguma. As arestas que surgem em declarações precipitadas e arrogantes são talhadas gratuitamente, o que prejudica a Ordem dos Advogados porque afastam muitas contribuições.

Num gesto de boa vontade, podemos compartilhar com o recém-eleito algumas de nossas ideias de modo que possa implementar a renovação que tanto promete: 1) fim da cláusula de barreira, a fim de garantir a integral participação do jovem advogado; 2) consulta direta na formação do quinto constitucional e das indicações em cargos públicos; 3) tomada pública de preços para a contratação de serviços e aquisição de bens; 4) desincompatibilização dos cargos nos seis meses que antecedem a campanha eleitoral; 5) aplicação do regramento eleitoral comum às eleições da própria entidade; 6) orçamento participativo em assembleias, abrindo a possibilidade para a consulta às subseções; 7) fiscalização real do ensino jurídico a coibir o estelionato educacional; 8) comitê para fiscalização da prestação jurisdicional com elaboração de relatório público a ser enviado ao TJMT e ao Conselho Nacional de Justiça; 9) Abertura de novas subseções do interior, considerando o crescimento da advocacia; 10) afastamento cautelar imediato de cargos e funções de qualquer investigado, denunciado ou condenado criminalmente por atos ligados à advocacia ou, de qualquer forma, ao serviço público.

Atendendo a esta pauta, nosso presidente eleito provará que representa renovação não só de nomes, mas de posturas. Quem sabe esse grupo eleito retorne a abraçar movimentos civis organizados de combate à corrupção? Aos milhares de advogados que se engajaram na oposição, conclamamos atender à lição de Aude: mais união e coerência. Como pontifica, o fratricídio pré-eleitoral “não dá certo”. Precisamos de uma proposta madura que ofereça alternativa exequível aos advogados que querem mudar e a outros tantos que precisam de segurança para dar esse passo. Somente então, poderemos realizar o que não conseguiram até hoje.

Eduardo Mahon é advogado.

9 Comentários

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  1. - IP 177.41.92.192 - Responder

    A OAB,ñ tem a importancia para a socirdade que os advogados supõe.Basta deixa-la fechada por um ano,e observar que falta fara.Poderemos constatar que como a maioria das intituições brasileiras, são inuteis e só servem para um pequeno grupo tirem proveito dela!

  2. - IP 189.59.37.124 - Responder

    Até que enfim, a oposição marchará unida. Tomara que aprenda o que está esquecendo – união. Esse ensaio poderá ser um ponto de partida. Vamos ficar na torcida.

  3. - IP 187.24.178.3 - Responder

    Meu Deus!!! O Aude que é arrogante?? “Atendendo a esta pauta, nosso presidente eleito provará que representa renovação não só de nomes, mas de posturas”. Quer dizer que só há renovação se atender aos seus “mandamentos” ? Acorda!!! Onde você está afunda.

  4. - IP 189.123.132.57 - Responder

    Acorda. O dia que tiver mudança na OAB/MT Cuiabá pode nevar. A classe de advogados é igual mulher de bandido quanto mais apanha mais gosta. A OAB/MT sempre foi aquilo que está ali e permanecerá por muito tempo enquanto a classe nao tomar consciencia no momento do voto. É como se fosse uma familia siciliana buscando interesses privados. Estar no comando da OAB tornou-se uma atividade extremamente lucrativa senao nao havia tanta disputa pelo poder, tanta grana envolvida.

  5. - IP 177.41.92.221 - Responder

    Tenho absoluta certeza de que essa gestão não atenderá os advogados públicos, até porque foi contra a advocacia dos procuradores e nada fez pros defensores públicos. Vamos prosseguir unidos para que possamos mudar a OAB, porque essa meia dúzia está enriquecendo às nossas custas.

  6. - IP 187.62.40.227 - Responder

    A situação alardeava uma aprovação de 80% e não foi o que as urnas mostraram, contra uma candidatura lançada em 11 de Agosto enquanto a situação estava em campanha pelo menos seis meses antes, considerando o grande número de Advogados impedidos de Votar e o grande número de Abstenção, temos uma minoria contente com o Atual grupo, que em razão do uso da máquina e vaidade da Oposição permanece no Poder.

    • - IP 177.41.86.59 - Responder

      É simples Sobral. É só ganhar a eleição!

  7. - IP 189.59.42.230 - Responder

    Irreparável texto.
    Precisamos aprender a nos unir.
    Vamos que vamos – 3 anos passam muito rápido!

  8. - IP 68.171.231.84 - Responder

    Mto bom o.ensaio!!!
    Sera que vao falar que é eleitoreiro?!

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