PREFEITURA SANEAMENTO

EDUARDO MAHON EM DEFESA DE FILINTO MULLER – “Para a mentalidade intelectualóide brasileira, Fidel, Guevara e outros maníacos homicidas são festejados como heróis, enquanto uma figura do calibre de Filinto Muller merece ser defenestrado da ala senatorial à qual empresta o nome.”

Eduardo Mahon: "Surpreendentemente, comemora-se o aniversário de Fidel Castro, ao passo em que se tenta suprimir o nome do mato-grossense Filinto Muller (foto) do Senado Federal, onde foi senador por quatro mandatos."

Filinto Muller e Fidel: catequese e revisionismo
Eduardo Mahon

É claro que Marx estava certo ao afirmar que é farsa toda repetição histórica. Engodo dos dois lados convém sublinhar: direita e esquerda que, extremados, rendem totalitarismos idênticos, subvertendo o fato histórico para forjar ficções. Surpreendentemente, comemora-se o aniversário de Fidel Castro, ao passo em que se tenta suprimir o nome do mato-grossense Filinto Muller do Senado Federal, onde foi senador por quatro mandatos. Temo que a “inteligenzza” tupiniquim ainda não saiu dos anos rebeldes e vive à margem da realidade esfumaçada de guetos esquerdistas.

Não é que, por esses dias, o projeto de político cuiabano mais carioca da baixada (qual baixada é que são elas…) aparece com a camisa estampada de Che Guevara? E não teve qualquer pudor em ser fotografado posando de revolucionário pensante. O mitológico Guevara foi um fracasso que, repaginado para publicidade, virou hit contemporâneo em canecas, chinelos, bandeiras e outros cacarecos. Inspirador do extermínio em massa, assim como outros companheiros, pretendia derrubar o sistema na base do golpe, do tiro e do paredão. Fidel, mais esperto, dispensou Ernesto pelo dinheiro russo, o que consolidou décadas de ditadura sangrenta dissimulada sob o manto publicitário de “justiça social”.

Filinto Muller, por sua vez, participou da Coluna Prestes, promovido a major revolucionário e, depois de entender que a quixotada iria fracassar, pulou fora da patacoada. É que os jovens têm direito de errar, mas os adultos não devem se dar ao luxo de cometer a burrice de permanecer no erro. Muller deu meia volta e ingressou na polícia, de onde levaria marcas reacionárias, é bem verdade. Foi alvo da verve demolidora de David Nasser, acusado de nazista por reprimir com violência os comunistas. Sob o placet de ninguém menos do que o Presidente do STF, o (libertário) Vicente Rao, cumpriu ordens de deportar Olga Benário para os campos de concentração alemães, onde foi assassinada numa câmara de gás.

Muller achegou-se ao integralismo, doentio admirador de Vargas, foi eleito em Mato Grosso senador por quatro vezes, presidindo a Arena, a sustentar o regime militar no período ditatorial. Curiosamente, Filinto tinha como suplente um comunista como suplente por mais de vinte anos. Recebeu gerações de cuiabanos no Rio de Janeiro, abrigando-os em empregos públicos e dando suporte para os estudos. Ao longo de trinta anos, subvencionou uma “república cuiabana” no largo carioca, onde se formaram muitos engenheiros, médicos e advogados das melhores famílias mato-grossenses. Aliás, estradas, hospitais e a própria Universidade Federal não teria nascido, não fosse pelas mãos dos Muller.

Os dois “revolucionários” apresentam faces cruéis. No entanto, para a mentalidade intelectualóide brasileira, Fidel, Guevara e outros maníacos homicidas são festejados como heróis, enquanto uma figura do calibre de Muller merece ser defenestrado da ala senatorial à qual empresta o nome. Infelizmente, o revisionismo histórico de fundo ideológico está em alta no atual governo. Nada mais previsível do que garantir polpudas pensões para muito eterno-universitário-perseguido e apagar a memória dos infames-direitistas-nazi-getulistas. Tenha dó! Maltratam a memória histórica a ponto de fantasiar realidades paralelas, torcendo o nariz para alguns e cheirando o perfume de outros ditadores.

Se há o cinismo de afirmar pública e reiteradamente que o ex-Presidente da República Lula da Silva não sabia do que se passava na sala ao lado, da mesma forma que Getúlio tentou esconder Gregório Fortunato, não há porque olvidar a cara-de-pau e comemorar um genocida como Fidel Castro, além de barbarizar com a memória de Muller que, a se comparar com o cubano, não passou do jardim de infância. História não é ficção ao bel prazer do governante de plantão, nem que seja repetida mil vezes. Gozado é que a esquerda brasileira aprendeu melhor do que ninguém o catecismo de direita, não é mesmo?

Eduardo Mahon é advogado em Cuiabá

7 Comentários

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  1. - IP 187.32.41.86 - Responder

    É… O que o dinheiro não faz?

    Estamos criando um monstrinho em Mato Grosso e quando nos dermos conta não conseguiremos mais exorcizá-lo! Fico imaginando quanto teria custado à família Müller esse artigo do vendilhão…

    Cara, não sei se você tem filhos, mas pense neles antes de escrever, assim você no poupa desses absurdos!

    Argh! Deem-me licença, preciso ir ali vomitar!!!

  2. - IP 189.31.39.132 - Responder

    Já fui um tolo que achava que os Barbudos da Sierra Maestra ; os Sandinistas ; e o pt eram a legitima representação dos ideais ; hoje me dia vendo oque o pt faz e seu nível de corrupção , me tornei fà do PSDB , do Jair Bolsonaro e até acho que o Geisel era um cara simpático . Eu um jovem idealista hoje sou um quarentão decepcionado com o pt ( partido dos traidores) e com lulla ( o collorido) amigo de jader, renan , collor, sarney ,malluf e outras figuras abjetas deste país. Quem agora ataca o senador Muller , defende quem? Esses que hoje saqueiam nosso país ???

  3. - IP 201.86.176.173 - Responder

    Ruas, entendo sua decepção com alguns setores mais à esquerda do pensamento neoliberal, sob alguns poucos aspectos, até posso concordar com você. Ocorre que, guardadas as devidas proporções, me igualaria a vocês dois se declarasse a minha antiga decepção com as atitudes dos dirigentes judeus em Israel através de textos elogiosos ao sanguinário Adolf Hitler!
    A vida é mesmo muito paradoxal, cheia de contradições próprias dos seres inteligentes, mas essas incongruências não justificam em absoluto, para abominá-las, abandonarmos as nossas convicções éticas e a nossa integridade moral.

  4. - IP 189.53.37.89 - Responder

    Com certeza EDUARDO MAHON não conhece a verdadeira “biografia” de FILINTO MULLER para defendê-lo. . .
    Filinto era membro da coluna Prestes de onde roubou grande soma de valores e depois fugiu . . . Foi um grande delator e “bate-pau” da ditadura de Getúlio Vargas . . .

  5. - IP 200.207.66.212 - Responder

    Sou Filinto Müller, popularmente conhecido como “VETOR”, “Linha Reta”, “Conta-Passo”, “Medidor de Rua”, etc… fiz dois Cursos na FATEC-SP; estudei Física Licenciatura na USP; passei na UFABC, mas o Pró-Reitor indeferiu INDEVIDAMENTE a minha matrícula; já recebi 6 (seis) choques elétricos de 5 V na cabeça; tomo remédios há 18 (dezoito) anos; tenho inteligência acima da média populacional; tenho TOC.
    https://www.facebook.com/filintomuller.4/videos/643640045773120/?pnref=story

  6. - IP 191.178.152.109 - Responder

    Filinto Muller era uma putinha de Getúlio Vargas, e você é um babaca que não sabe o que fala

  7. - IP 177.64.227.164 - Responder

    Filinto é um herói pois seus esforços fizeram desse país livre do comunismo que aterrorizou a America Latina nas decadas de 40 e 50. Os comunistas tem motivo de sobra para ter raiva de Filinto, mas nós que amamos a liberdade temos motivos de sobra de aplaudir Filintão !

    Infelizmente, nossas escolas apinhas de pensamento de esquerda ainda ensinam aquela historinha onde sempre os vilões são os EUA e a Inglaterra como também aqueles que combateram o comunismo como Filinto, mas aqueles que levantaram a bandeira vermelha são tidos como herois como é o caso notável da terrorista Olga Benário e do infame Che Guevara que não tinha nenhuma vergonha de dizer diante da tribuna da ONU “matemos, matamos e seguiremos matando”. É só procurar no YouTube.

    Esquerda hipócrita !!

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