Eduardo Jacob, ex-advogado de Geraldo Riva e ex-juiz eleitoral, morre sem esclarecer denúncias de que foi alvo durante Operação Asafe, na Justiça Eleitoral

Eduardo Jacob, advogado cuiabano que faleceu no sábado, em seu apartamento no Rio de Janeiro

Quando o juiz eleitoral Eduardo Jacob, indicado na cota da OAB, se afastou do TRE, pressionado pelo inquérito da Operação Asafe e pela manifestação de protesto dos servidores do Poder Judiciário que, comandados pelo MCCE e pela Ong Moral, lavaram as calçadas do Tribunal, em plena greve da categoria – Eduardo saiu do plenário e não queria conversar com a imprensa.

Eu estava lá, ao lado de outros jornalistas das editorias de politica e, por pressão da Angela Jordão, fiquei encarregado de convencer o Eduardo a uma declaração oficial. Eu e o Eduardo, apesar de militarmos em campos opostos, sempre mantivemos uma boa convivência. Ele acabou aceitando o convite para falar com os jornalistas. Na entrevista, fez a declaração com a qual construi a minha manchete: “Voltarei ao TRE de Mato Grosso de cabeça erguida”.

Infelizmente, isso não vai acontecer. A saúde precária tirou do Eduardo Jacob esta possibilidade de dar a volta por cima. Ele morreu no final da tarde deste sábado (10), no Rio de Janeiro, sem conseguir esclarecer as denúncias do MPF que o envolveram em um esquema para venda de sentenças na Justiça Eleitoral.

Eduardo Jacob tinha 54 anos e há muito tempo penava com um coração debilitado. Tanto que tinha cirurgia agendada para a próxima quarta-feira (14), para a colocação de novas pontes de safena. O corpo do Eduardo deve chegar a Cuiabá neste domingo (11) sendo velado a partir de segunda, quando suas duas filhas chegam do exterior.

Triste fim de vida para um homem que, quando formava par nesta cidade de Cuiabá com sua primeira esposa, a empresária Carlina Jabob, pontificava como um dos casais mais badalados e mais alegres deste calorenta cidade. Ele, um homem extremamente bonito, brincalhão, sorridente; ela, uma das locomotivas da noite cuiabana, sempre promovendo festa e shows com os astros de primeira linha da música popular brasileira. No bairro Santa Rosa, a casa de Eduardo e Carlina Jacob fazia esquina com a casa do desembargador Tadeu Curi e sua esposa Célia Cury  – espaço que será sempre lembrado como dos mais movimentados das noites cuiabanas, no tempo em que as noites cuiabanas não eram abaladas por escândalos envolvendo figuras de proa de sua granfinagem.

De acordo com que informa o RD News, na semana passada, o juiz José Arimatéia Neves da Costa, da Vara Especializada Contra o Crime Organizado recebeu denúncia contra os 35 acusados de envolvimento no caso. A partir da decisão judicial, todos passaram a condição de réus, entre eles o agora falecido Eduardo Jacob.

Categorias:Nação brasileira

8 Comentários

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  1. - IP 177.172.157.196 - Responder

    Infelizmente uma perda lastimável, um grande amigo, pessoa agradável, inspiradora, daquelas que não cansamos de estar junto. Não foi afastado do TRE mas sim de um sonho, de sua belíssima história neste Estado. Partiu, não sem esclarecer as denúncias, mas sim na esperança de que Justiça fosse feita. Não partiu sem esclarecer as denúncias, partiu atestando a falência do Judiciário deste país, onde a morosidade impéra corroendo a honra, a dignidade e em alguns casos, a vida das pessoas. Partiu sem ver julgar na mais alta Corte deste país um “habeas corpus”, protocolado a mais três anos. Mais do que qualquer um, posso atestar a inocência deste grande homem, ou melhor, qualquer pessoa pode atestar isso, é só ler a contraditória denúncia do MP que transcreve os trechos de interceptações telefônicas inocentando Eduardo Jacob. E mais, por Justiça a seu filho Phelippe Jacob, desafio a apontarem qualquer indício de que solicitou vantagem a quem quer que seja. A denúncia beira a chicana jurídica em relação a Eduardo Jacob. Pasmem, partiu sem que a Justiça esclarecesse, sim a Justiça, essa deveria esclarecer como alguém pode ser acusado por votar contra aos interesses dos corruptores. Foi tolhido de seus direitos porque nossos julgadores “decidem para a platéia” e se esquecem de seu mister. Não foi afastado do TRE mas sim de um sonho. Espero que ao menos por tratar-se de nulidade absoluta possamos ver o julgamento final deste “habeas corpus” que adormece no STF. Que Deus ilumine a família e a alma deste amigo eterno. Alexandre Gonçalves Pereira.

    • - IP 177.198.16.113 - Responder

      Fui colega de faculdade do Eduardo Jacob. Infelizmente não posso concordar com o cometário acima, O Eduardo foi levado a ser juiz do TRE sem atuar na área eleitoral, a não ser algumas defesas do deputado Riva a quem ele servia. Logo, foi levado a ser juiz eleitoral sem preparo, mas por apadrinhamento. Também tem contra ele o fato de comandar uma agressão da polícia da Assembléia ao ativista Gilmar Brunetto, e por este fato sofrer processo disciplinar e foi punido pela OAB.
      Por fim, acho devemos respeitar os mortos. É pena ver a morte de uma pessoa tão jovem. Nessa hora não é bom castigar ainda mais os familiares com polêmicas sobre o extinto. Porém, a morte não piora nem melhora ninguém.

      • - IP 200.140.23.35 - Responder

        Caro Ademar Adams, respeito seu comentário, mas sem polemizar neste momento tão delicado, gostaria de lhe informar de alguns pontos. Primeiro, a citada condenação na OAB em relação ao ativista Gilmar Brunetto, foi anulada a unanimidade pela OAB e \eduardo foi inocentado, a qual, honrosamente também defendo o saudoso Eduardo Jacob. Quanto a operação ASAFE, conheço todas as provas do processo, e atesto a sua inocência com veemência, a não ser que fosse acusado por provas não constantes no processo. Eduardo foi acusado na operação, mas votou contra os interesses dos envolvidos, um absurdo. Parecia não ser ele o alvo da acusação. Infelizmente a Justiça e a vida não lhe propuseram o tempo hábil para retirar a mancha de sua honra.

        • - IP 187.119.182.20 - Responder

          Alexandre: Veja só.No caso da OAB, a Ong Moral foi a representante e não foi notificada desta anulação que você se refere. Vou pedir para ver o processo novamente, apenas para verificar o comportamento da Ordem. Já na operação Asafe, não conheço detalhes do processo e devo dar crédito ao que você disse. O que comentei sobre o TRE é pelo fato de ele ter se tornado juiz sem méritos para tal, aliás, o que em geral acontece, Veja o caso do Dalia, do Samir e do Poseti. Acho que a carga sobre o Eduardo foi mais pela sua ligação com Riva, pois o deputado é odiado ou amado, um pouco mais aquilo do que isto. Aí, que está com ele… Enfim, o Eduardo se foi muito jovem, o que é lamentável.

  2. - IP 189.59.36.98 - Responder

    É……………………………………………

    Então ficamos assim tido combinado e nada resolvido.

    Passa amanhã Brasil.

    E o povo sofre na mão dos PeTralhas e seus comparsas.

    Fala aí Enock Cadê os honestos do “seu” PT?

    • - IP 177.198.16.113 - Responder

      Vai EDUCAR quem com esta postura de covarde anônimo?

  3. - IP 201.71.176.113 - Responder

    Era filho de uma família querida em Cuiabá. E apesar dos caminhos que tomou em vida, e que não pôde ou não teve tempo de resolver, só podemos nos unir em silêncio aos seus entes queridos!

  4. - IP 177.3.224.59 - Responder

    ADVOGADO BOM É ADVOGADO NO CÉU.

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