EDUARDO GOMES: Zé Pedro Taques foi figura apagada no Senado e no governo conseguiu engatar marcha a ré em MT

Eduardo e Zé Pedro

SÉRIE (IV) – A forma pra se conhecer Taques é encontrá-lo no ontem

POR EDUARDO GOMES

Este é o quarto capítulo da Série “SENADO tem que ter PASSADO”. A postagem focaliza os candidatos  que disputam a cadeira vaga com a a cassação da senadora Selma Arruda (PODE) e seus suplentes Beto Possamai e Clerie Fabiana (ambos PSL) por crime de caixa 2 e abuso de poder econômico. Um apanhado sobre o conteúdo foi apresentado no capítulo inaugural; no segundo, o Procurador Mauro (PSOL); e no terceiro, Nilson Leitão (PSDB). A próxima postagem acontecerá na terça-feira, 6, Pedro Taques (SD) é o tema agora.

 

Taques no ontem e hoje sonhando com o amanhã

Não fui o criador da tríplice naturalidade de Pedro Taques. Essa versão, ouvi dele, quando governador, ao se dirigir ao vereador por Várzea Grande, Claido Celestino Batista, o Ferrinho, numa solenidade de inauguração de uma obra da prefeita Lucimar CamposTaques fugiu do tema que abordava, e com naturalidade revelou a Ferrinho – e aos demais presentes – que seus pais Eda e Alinor (seo Nego) moravam na vila de Currupira, município de Rosário Oeste. Ela, com as primeiras contrações para o parto, foi trazida para Cuiabá percorrendo a estrada de chão entre as duas localidades. Quando o veículo entrou em Várzea Grande, a bolsa estourou. Seu nascimento foi concluído no Hospital Santa Helena, nesta capital. Daí a pluralidade do berço, que oficialmente, na papelada, confere a naturalidade cuiabana a ele.

Portanto, mais mato-grossense do que o candidato ao Senado pelo Solidariedade, impossível. Somem-se a isso o fato que o sobrenome Taques está presente no Vale do Rio Cuiabá desde os tempos das Lavras do Sutil, o que. convenhamos, não é recente: é uma presença tão tricentenária quanto a capital mato-grossense.

Leopoldino assassinado no Paraguai

Cuiabá, 7 de maio de 2001. Na plateia ouço com atenção o procurador Taques acusar a ex-escrevente do Fórum de Cuiabá, Beatriz Árias, ré pelo assassinato do juiz de direito e vice-presidente da Academia Mato-grossense de Letras, Leopoldino Marques do Amaral, cujo corpo foi encontrado queimado e com uma perfuração de bala na cabeça, perto da capital departamental de Concepción, no Paraguai, em 7 de setembro de 1999. Imagino que se ao meu lado estivesse alguém que acabasse de botar os pés pela primeira vez na capital mato-grossense ficaria extasiado com a capacidade do procurador em encontrar as palavras certas para contextualiza-las ao crime e jogar Beatriz na lona. Taques se esmerou para convencer o tribunal presidido pelo juiz Jeferson Schneider, que o magistrado foi assassinado por uma trama familiar envolvendo Beatriz; seu tio taxista Marcos Peralta – ambos de origem paraguaia – com o agenciamento da morte pelo empresário Josino Guimarães. Permaneci em silêncio.

Arcanjo deu Ibope

Há 18 anos o Comendador João Arcanjo Ribeiro estava atrás das grades e Taques, então procurador da República,  reinava absoluto nos jornais, rádio e televisão – site ainda era algo estranho entre nós. Repórteres vibravam quando arrancavam uma frase dele. Entrevistas levavam as redações ao delírio. Via aquilo com cautela. Certa noite estava no térreo do Goiabeiras Shopping à espera da revelação de um filme colorido pra capa do Diário de Cuiabá. Cercado por agentes da Polícia Federal de armas em punho, ele entrou em passos rápidos chamando a atenção de todos. Indiferente tanto quanto no julgamento de Beatriz, o vi passar. Sobre o Comendador sugiro que leiam em Cultura, no Boa Midia, o título Um bicheiro por uma estátua.

JK, o líder que buscamos

O brasileiro é órfão de liderança. Por isso sonha acordado com um estadista do porte de De Gaulle, Golda Meir, Adenauer, Churchill e o nosso inigualável JK para guiá-lo. Procurador não guia ninguém; político, sim. Com a Imprensa vestida de noiva aos pés do altar à sua espera e a população em delírio Mato Grosso o viu assinar ficha de filiação no partido de Brizola, o PDT. Pra tanto, um gesto de ousadia: entregou o cargo de procurador sem direito a nenhum benefício. Subiu na primeira carroceria que passou, formou uma carreata e saiu candidato ao Senado. Isso em 2010, quando duas vagas estavam em disputa. Pela terceira vez repeti o gesto de indiferença. Sobre essa candidatura há um vergonhoso episódio de fraude da ata da convenção que escolheu a chapa de Taques, mas esse tema será tratado no capítulo sobre o candidato a senador José Medeiros (PODE), o maior beneficiado com a maracutaia.

Em 2014, Taques concorreu ao governo. Permaneci em silêncio, pois conhecia o conjunto de sua obra. O meu não se juntou aos votos que o elegeram, a exemplo do que fiz ao Senado, quando votei em Blairo Maggi (PR) e Antero Paes de Barros (PSDB).

Por que quatro vezes a indiferença?

Primeiro – O brilhantismo no julgamento de Beatriz ficou no térreo. Não foi ao topo do edifício. Leopoldino travava um guerra com boa parte dos desembargadores do Tribunal de Justiça e os acusava dentre outras coisas, de venda de sentença e assédio sexual. A situação era tensa. Imaginar que uma escrevente de fórum auxiliada por um tio taxista – Peralta era motorista de táxi – montariam um esquema para assassinar um juiz brasileiro no Paraguai é excessivamente utópico. Em nenhuma linha de investigação o inquérito aventou a possibilidade da participação de desembargadores no assassinato.

Creio que nenhum delegado ou promotor, no correto exercício da função, atuaria como Taques atuou. Porém, trata-se de assunto encerrado e o procurador da República foi para casa com a certeza do dever cumprido.

Segundo – Taques criou auréola enfrentando a criminalidade em sua amplitude – fez o júri de Hidelbrando Pascoal, no Acre – mas excluiu de sua atuação a classe política mato-grossense. Fora de Mato Grosso botou Jader Barbalho atrás das grades, mas aqui, não conseguiu pegar um vereador sequer, muito embora sobrem escândalos tipificados para a Justiça Federal na Terra de Rondon. Muito esperto e capaz de ver além da linha do horizonte, imagino que ele se preservou, pois não sabia onde se filiaria, e também por saber que aqui, em algum lugar do passado, os políticos estiveram juntos. Ninguém sabe onde Silval termina e começa Bezerra; onde Wellington acaba e surge Júlio Campos e vice-versa; onde o ex-mandachuva José Riva e Antônio Joaquim se fundem e onde se separam,

Terceiro – Taques foi senador por quatro anos. No Senado não aprovou nem uma lei sequer de sua autoria, com relevância nacional. Isso me manteve em silêncio sobre ele. Mas, há que se reconhecer seu enfrentamento com a máquina legislativa viciada, à época chefiada por Renan Calheiros (MDB/AL). Taques disputou a Presidência do Senado com Renan mesmo sabendo que seria triturado.  Em 1º de janeiro de 2013  perdeu por 56 a 18.

A candidatura de Taques foi um grito pela moralização do Senado, que pode ser visto como se a Assembleia Legislativa de Mato Grosso tivesse amplitude nacional. Até recentemente deputados estaduais eram mantidos confinados em hotel à véspera da eleição da mesa diretora para eleger ou reeleger  Riva presidente, ou algum nome de sua confiança, tipo Humberto Bosaipo, Silval Barbosa, Sérgio Ricardo ou Guilherme Maluf.

Quarto – Em 2014, no primeiro turno, Taques venceu a eleição ao governo e renunciou ao Senado, mas esse tema será tratado no capítulo com José Medeiros. Mato Grosso estava à véspera de um orgasmo cívico com Taques governador. A população acreditava que ele varreria a corrupção e faria um governo primoroso.

No jornalismo acompanhava o curso do governo Taques. Tenho convicção que não votei bem pra governador e ao mesmo tempo tenho certeza que bem também não teria votado, se o escolhesse.

Taques e o primo Paulo Taques

Pedro Taques foi o primeiro governador mato-grossense que não conseguiu se reeleger. Ficou em terceiro lugar na votação. Seu conturbado governo chegou ao fim, sem vice-governador, pois Carlos Fávaro (PSD) renunciou em abril de 2018. Seu secretariado foi caracterizado por prisões e rotatividade. O ex-secretário de Educação, Permínio Pinto, réu confesso no esquema de desvio de dinheiro público em sua secretaria, delatou Taques citando-o na condição de participante do referido esquema. Boamidia estratifica as seis secretarias mais importantes, para se ter uma amostra do que significa para a história política de Mato Grosso a administração de Taques,

Pedro teve nove secretários e servidores do alto escalão presos:

Além disso, o então secretário de Comunicação, Kleber Lima, foi denunciado e processado por supostos crimes de assédio moral e assédio sexual a funcionárias de sua secretaria, que era chamada de Gabinete de Comunicação.

Foram parar atrás das grades por suspeita de envolvimento com gravações telefônicas clandestinas – Grampolândia Pantaneira – de desafetos e adversários do governador:

Secretário de Segurança Pública, delegado Rogers Jarbas.

Chefe da Casa Civil, Paulo Taques (duas prisões).

Chefe da Casa Militar, coronel PM Evandro Lesco.

Secretário-adjunto da Casa Militar, coronel PM Ronelson Barros.

Secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel PM Airton Siqueira.

Luiz Soares, prisão por desobediência civil

Comandante geral da PM, coronel Zaqueu Barbosa.

Por desobediência civil:

Secretário de Saúde, Luiz Soares.

Por suspeita de integrar organização criminosa que teria desviado mais de R$ 30 milhões do Detran:
Ex-chefe da Casa Civil, 
Paulo Taques.

Réu confesso por improbidade administrativa:

Secretário de Educação, Permínio Pinto.

Todos juram inocência. Taques também se diz inocente e contesta a delação de Permínio.

Principais secretarias

 

Bertúlio, primeiro secretário de Saúde

SAÚDE – Marcos Bertúlio tomou posse juntamente com Pedro e entregou o cargo em 6 de outubro de 2015. Sucessor de Bertúlio, o carioca Eduardo Bermudez, que conhecia Mato Grosso por ouvir dizer, pegou o boné e voltou para o Rio em 28 de julho de 2016. João Batista Pereira da Silva, ex-secretário de Saúde de Nova Mutum foi chamado às pressas, mas em 14 de março de 2017 limpou as gavetas, entregou a chave ao governador, pegou a BR-163 e voltou para Mutum. Luiz Soares era secretário de Saúde em Várzea Grande (antes exerceu o mesmo cargo em Cuiabá); Taques o nomeou para a vaga aberta com o adeus de João Batista e o apresentou enquanto salvador da pátria.

Em 22 de setembro de 2017 Luiz Soares foi preso no exercício do cargo. Quem decretou sua prisão foi o juiz da comarca de Nova Monte Verde, no Nortão, Fernando Kendi Ishikawa. A decretação, conforme destacou em nota o Ministério Público, foi de ofício, porque a promotoria não pediu que o secretário fosse para o xilindró, mas apenas seu afastamento do cargo.

A razão para a decretação: Luiz Soares não acatou uma liminar de Ishikawa determinado que a Secretaria de Saúde comprasse Canabidiol, que é um medicamento para quem sofre de epilepsia grave. O descumprimento por Luiz Soares não permitiu que uma criança vítima da doença tomasse o remédio receitado por seu médico.

Preso, no período da manhã, Luiz Soares foi levado à 11ª Vara Especializada de Justiça Militar e de Custódia, onde o juiz Bruno D’Oliveira Marques determinou que o caso fosse submetido ao Tribunal de Justiça. No TJ o desembargador Paulo Cunha viu atipicidade” no caso e mandou botá-lo em liberdade.

Secretários: 4

1 secretário preso.

 

Rogers, preso em Grampolândia Pantaneira

SEGURANÇA PÚBLICA  – O promotor Mauro Zaque foi o primeiro secretário. Em dezembro de 2015 Zaque entregou o cargo descontente com a inércia de Pedro diante do escândalo Grampolândia Pantaneira. Quem o substituiu o o secretário-executivo de Segurança e então promotor em Minas Gerais, Fábio Galindo. Em março de 2016, por impedimento legal, uma vez que Galindo era promotor e a legislação não permite que membro do MP ocupe secretaria de Estado, Galindo saiu do governo e quem o sucedeu interinamente foi Pedro. Ainda em março de 2016 Pedro nomeou o presidente do Detran, delegado Rogers Jarbas, secretário de Segurança Pública. Em setembro de 2017 Jarbas foi preso preventivamente por sua suposta participação no escândalo Grampolândia Pantaneira. Dois dias depois de sua prisão Jarbas foi exonerado e sucedido por seu adjunto, o delegado Gustavo Garcia.

Secretários: 4 e o governador na interinidade.

1 secretário preso.

 

Permínio foi preso, é réu confesso e delata Taques

EDUCAÇÃO – Permínio Pinto (PSDB) ex-vereador por Cuiabá foi nomeado titular da Secretaria e Educação (Seduc). Em 3 de maio de 2016 a Operação Rêmora desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) prendeu Permínio, servidores da Seduc e empresários, todos acusados de formação de uma organização criminosa que teria dado um rombo de R$ 56 milhões ao governo na construção e reforma de escolas. Permínio é réu confesso e acusou Taques em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dentre os presos, Moisés Dias da Silva, que até então assessorava o então deputado estadual tucano Guilherme Maluf (que se reelegeu e posteriormente foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado).  Três dias após a deflagração da operação Pedro nomeou seu então chefe de Gabinete, José Arlindo de Oliveira Silva, para responder interinamente pela Seduc. Em 26 daquele maio, Taques nomeou o então secretário de Planejamento, Marco Marrafon, para a Seduc. Em abril de 2018 Marrafon deixou a Seduc para disputar sem sucesso uma vaga de deputado federal pelo PPS e seu lugar foi ocupado pela servidora daquela secretaria,  Marioneide Angelica Kliemaschewsk. Marrafon, presidente regional do PPS, recebeu 27.022 votos para deputado. Marioneide é secretária de Educação do governador democrata Mauro Mendes.

Secretários: 4

1 secretário preso: Permínio Pinto, réu confesso e delator de Taques no STF.

 

Tomczyk, segundo secretário da Sedec

SEDEC –  A Secretaria de Desenvolvimento Econômico é conhecida pela sigla  Sedec. Seu primeiro titular foi Seneri Paludo, que saiu em julho de 2016. O segundo, Ricardo Tomczyk, que deixou o governo em julho de 2017. O terceiro foi Carlos Avalone, que deixou a função em abril de 2018 para concorrer a deputado estadual pelo PSDB e exerce mandato de deputado; o substituto de Avalone foi  Leopoldo Mendonça, que foi secretário-adjunto de Empreendedorismo e Investimentos da Sedec. Secretários: 4.

1 secretário preso.

Avalone foi preso antes da Sedec em 2009, pela Operação Pacenas, da Polícia Federal, que investigou maracutaias nas obras de esgoto em Cuiabá e Várzea Grande, bancadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Avalone é investigado por lavagem de dinheiro na Operação Ararath, da Polícia Federal.

 

Modesto, penúltimo chefe da Casa Civil

CASA CIVIL – Paulo Taques, primo de Taques e um dos coordenadores de sua campanha ao governo foi nomeado chefe da Casa Civil em janeiro de 1015 e permaneceu no cargo até maio de 2017, quando o caso Grampolândia Pantaneira ganhou as manchetes após uma reportagem da TV Globo. Taques nomeou para o lugar do parente o adjunto da Casa Civil, José Adolpho de Lima Avelino Vieira. Em outubro de 2017 Taques trocou José Adolpho pelo deputado estadual Max Russi (PSB); Max deixou a função por alguns dias para costurar emendas parlamentares na Assembleia sendo substituído por Carlos Brito, que em seguida lhe devolveu o cargo.  Em abril de 2018 Max deixou a Casa Civil sendo substituído por Júlio Modesto. Em junho, Júlio Modesto pegou o boné e Taques nomeou Ciro Rodolpho para substitui-lo. Ciro liderou a equipe do governo que fez a transição ao governador eleito, Mauro Mendes.

Secretários: 6.

1 secretário preso três vezes: Paulo Taques foi preso duas vezes no escândalo Grampolândia Pantaneira, e uma vez por sua suposta participação numa organização criminosa que teria desviado mais de R$ 30 milhões do Detran.

Brustolin, homem forte da Unimed e primeiro secretário da Sefaz

Max Russi se reelegeu deputado pelo PSB com 35.042 votos. Antes do governo, ao qual também serviu enquanto secretário de Trabalho e Assistência Social, Max foi vereador e duas vezes prefeito de Jaciara.

Carlos Brito foi vereador por Cuiabá, deputado estadual e secretário nos governos de Blairo Maggi/Silval Barbosa. Em 2018 disputou a eleição para a Assembleia e recebeu apenas 5.464 votos

FAZENDA – No começo do governo Taques nomeou para a Secretaria de Fazenda (Sefaz), Paulo Brustolin, que era homem forte da Unimed. Brustolin deixou o cargo em junho de 2016 e foi substituído por Seneri Paludo. Coincidentemente ou não, no período em que Brustolin esteve na Sefaz o governo encontrou uma fórmula para aliviar uma dívida milionária da Unimed com o fisco estadual. Paludo encontrou alguma desculpa e disse adeus: em dezembro de 2016 o empresário Gustavo de Oliveira ocupou seu lugar. Gustavo devolveu a função e em dezembro de 2017 Rogério Gallo assumiu a Sefaz e permance no cargo no governo Mauro Mendes.

 

Vice e governador

 

Fávaro com Pedro nos bons temposFávaro com Pedro nos bons tempos

VICE-GOVERNADOR – Carlos Fávaro foi eleito vice-governador pelo PP, mas trocou de partido assumindo o comando regional do PDS, que antes da derrocada do ex-deputado estadual José Riva era por ele comandado. Fávaro foi titular da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), de abril de 2016 a dezembro de 2017. Fávaro substituiu a promotora Ana Luiza Perterlini, nomeada por Taques no começo de seu mandato. Peterlini não pôde continuar na função por determinação do STF, por ser promotora de justiça. O substituto de Fávaro foi André Torres Baby, que era secretário-executivo da Sema.

Em abril de 2018 Fávaro renunciou ao cargo de vice-governador,  pois temia que Taques se ausentasse de Mato Grosso viajando ao exterior, o que automaticamente o transformaria em governador deixando-o inelegível para eventual disputa ao Senado. Foi o primeiro caso dessa natureza no Brasil.

Em agosto de 2018 uma investigação do Ministério Público teria descoberto um crime com sério impacto no meio ambiente em Mato Grosso, na  emissão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) pela Sema, no período em que Fávaro era seu titular. Preliminarmente  teriam sido descobertos 650 casos. Em razão disso, o MP teria pedido à Vara Especializada do Meio Ambiente (Vema), prisões de servidores ligados ou suspeitos de ligação com a fraude na emissão, e também a prisão de Fávaro, O pedido teria sido feito no dia 22 daquele mês, mas a Justiça não concedeu sua prisão.

Fávaro concorreu ao Senado pelo PSD ficando em terceiro lugar com 434.972 votos na disputa de duas cadeiras conquistadas por Selma Arruda (PSL – 678.542 votos) e Jayme Campos (DEM – 490.699  votos). Sobre Fávaro leiam o capítulo a ele dedicado.

Pedro e Rui Prado correndo atrás de votosPedro e Rui Prado correndo atrás de votos

GOVERNADOR – Taques foi investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por sua suposta participação em Grampolândia Pantaneira – quando do auge do escândalo, Taques pediu ao STJ que o investigasse.

Em depoimento em tribunal o cabo PM Gerson Corrêa, réu confesso em Grampolândia Pantaneira, e apontado na condição de um de seus principais operadores, denunciou que Taques e seu primo Paulo Taques seriam os verdadeiros chefes do esquema de gravações clandestinas.

Permínio delatou que Taques sabia e participava do esquema de desvio de dinheiro na Seduc, montado junto com empreiteiras para recebimento de propina que seria destinada ao pagamento de dívidas da campanha de Taques e Fávaro ao governo.

O empresário Alan Malouf, que foi coordenador financeiro da campanha de Taques em 2014, delatou ao Ministério Público Federal com homologação pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),  Marco Aurélio, o suposto envolvimento de Taques com o esquema na Seduc, que resultou na prisão de Permínio. A delação de Malouf estava sob segredo de justiça, mas se tornou pública.

Na eleição de 2014 Taques chegou ao Paiaguás em primeiro turno, com 833.788 votos (57,25%). Na tentativa de reeleição recebeu 271.952 votos (19%). No absoluto, quatro anos depois, Taques registrou 561.836 votos a menos do que em sua eleição ao cargo. Quase seiscentos mil eleitores do ontem lhe disseram “não”.

Taques perdeu quase toda a cúpula política que o apoiou em 2014. Romperam com ele: Fávaro, Jayme Campos, vice-governador Otaviano Pivetta (PDT); Mauro MendesJair Mariano (PDT), deputado estadual reeleito Nininho (PSD), Percival Muniz (PDT e ex-prefeito de Rondonópolis), ex-deputado estadual Baiano Filho (PSDB), Eduardo Botelho (DEM e presidente da Assembleia Legislativa), deputado federal e agora suplente de senador Fábio Garcia (DEM), ex-deputado federal Adilton Sachetti (PRB), deputado estadual reeleito Dilmar Dal’Bosco (DEM), ex-senador e deputado federal José Medeiros (PODE), ex-senadora eleita Selma Rosane (PODE)  e outros políticos de projeção estadual.

Isolado, em 2018 Taques buscou para compor sua chapa enquanto candidato a vice-governador, Rui Prado (PSDB), que foi uma das figuras mais próximas de José Riva e ao lado do qual foi candidato ao Senado em 2014, pelo PSD.

Mosqueteiros: Pedro. Rui Ramos, presidente do TJ; e o presidente da Assembleia, BotelhoMosqueteiros: Pedro. desembargador Rui Ramos, presidente do TJ; e o presidente da Assembleia, Eduardo Botelho

BOM SENSO – Ao tomar conhecimento do teor da delação de Malouf, a deputada Janaína Riva (MDB) pediu o afastamento de Taques. O presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (DEM) consultou sua Assessoria Jurídica, que emitiu parecer pela legalidade do pedido de Janaína. Mesmo assim, Botelho alegando “bom senso” arquivou a papelada. Vale observar que Botelho é um dos acusados pelo Ministério Público de pertencer a uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 30 milhões do Detran. Dessa organização também fariam parte – segundo o MP – Paulo Taques, primo de Pedro; o ex-governador Silval Barbosa; o ex-deputado federal Pedro Henry; o ex-presidente daquela autarquia, Teodoro Moreira Lopes, o Doia : os ex-deputados estaduais Mauro Savi (DEM), José Domingos (PSD) e Baiano Filho (sem partido); os deputados estaduais Nininho (PSD) e Romoaldo Júnior (MDB); Sílvio Corrêa, que foi chefe de Gabinete de Silval; e dezenas de figuras da arraia-miúda. Pelo esquema no Detran foram presos Paulo Taques, Mauro Savi e Pedro Taques – advogado, irmão de Paulo Taques, primo e xará do ex-governador.

NOVAMENTE – Generoso com Pedro, em 27 de novembro de 2018 Botelho arquivou seu segundo pedido de afastamento, apresentado um ano antes. Quem pediu a cabeça do governador foi o Sindicato do Servidores do Poder Judiciário. O sindicato argumentou que o governo não repassa integralmente o duodécimo do Judiciário e da própria Assembleia. A Assessoria Jurídica do presidente entendeu que o cunho político era maior do que a gravidade dos fatos concretos apresentados.

A decisão de Botelho em fazer vistas grossas ao atraso do duodécimo não é fato isolado. O à época presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rui Ramos, também não acionou o governo judicialmente – e os órgãos que recebem duodécimo seguiram o mesmo caminho.

Cabe a pergunta:

Que governo foi aquele?

 

Procurador, legislador e administrador

 

Fausto, o suplente

Taques coleciona títulos de bom senador, concedidos por publicações, mas não deixou no Congresso sua marca representada por uma grande lei ou ação de relevância social. Antes dele, Valdon Varjão criou a lei que proibe a venda de sangue e hemoderivados, de ossos, pele e õrgãos; Serys Slhessarenko lançou o embrião da lei de delação premiada; Júlio Campos, a lei de proteção à testemunha;  Carlos Bezerra, a PEC das Domésticas; e Dante de Oliveira ganhou o Brasil com a Emenda das Diretas.

O governo de Taques não foi desenvolvimentista. Caracterizado por poucas obras e projetos. Sua maior visibilidade foi a Caravana da Transformação – que fazia cirurgias de catataras e outras – que percorria as principais cidades, mas que chafurda em investigação sob suspeita de superfaturamento por serviços prestados.

Parte da equipe de Taques foi indicada por Nilson Leitão, Guilherme Maluf e Mauro Mendes (que nomeou ex-secretários de Taques para seu governo) e outros políticos. Quando ele chegou ao Paiaguás o governo estava mergulhado em corrupção e há que se reconhecer que a vulgarização da relação Estado-empresários foi estancada.

Taques é investigado, denunciado e responde a ações sobre supostos financiamentos irregulares de campanha em 2014 e ações correlatas. Transcorridos quatro anos daquela eleição, tais procedimentos, quando nada, revelam a morosidade judicial e o estranho reaparecimento de tais fatos em períodos eleitorais, como ora acontece.

Em suma, Taques foi procurador sem trombar com políticos; no Senado foi figura apagada enquanto legislador; e no governo conseguiu engatar marca a ré em Mato Grosso, mas que graças ao perfil econômico mato-grossense o avanço para a retagurada foi contido.

Candidato ao Senado coligado com o Cidadania, Taques declara patrimônio de R$ 359.462,21, o que, convenhamos, é um atestado de pouca habilidade na administração dos recursos pessoais, depois de receber alto salário e vantagens durante tanto tempo. Sua chapa se completa com o primeiro suplente Fausto Freitas e a segunda, Elza Luiz Queiroz.

Fausto Freitas tem 39 anos, é delegado da Polícia Civil e sua carreira na instituição é bem discreta. No governo de Taques presidiu o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), por um curto período; foi titular do Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção (GTCC) e secretário de Justiça e Direitos Humanos. Atuou em várias delegacias.

Fausto chegou ao Intermat por injunções. Taques convidou para o cargo o delegado Wagner Bassi, que acabara se se eleger presidente do Sindicato dos Delegados (Sindepo). Bassi agradeceu e indicou seu vice, Fausto, porque não soaria bem sua saída prematura da presidência.

Fausto chegou ao Intermat num período em que aquele instituto estava mergulhado em escândalos por violação do mosaico fundiário mato-grossense, o que resultou inclusive na prisão de seu ex-presidente Afonso Dalberto.

Taques gostou do desempenho de Fausto e o levou para o GTCC, de onde foi remanejado para a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. Tanto na Polícia Civil quanto fora dela seu nome é bem respeitado.

Elza, a suplente

Elza Luiz de Queiroz é a doutora Elza, anestesiologista, professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e atuante na linha de frente contra o novo coronavírus no Hospital Universitário Júlio Müller, da UFMT, em Cuiabá.

Dra. Elza presidiu o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed), assessorou a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, atuou na Prefeitura de Cuiabá e no Hospital dos Olhos.

Mineira de Patos de Minas, radicada em Cuiabá desde os idos universitários, é uma das figuras mais conhecidos nos meios médicos mato-grossenses. Em 2018 se candidatou a deputada estadual pelo Partido Verde.

 

Eduardo Gomes – Boamidia

FOTOS:

1 – Arte – Marco Antônio Raimundo – Marcão

2, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 15 e 16 – Site público do Governo de Mato Grosso – Divulgação

3 e 4 – Arquivo Boamidia

5 – Museu JK – Brasília

14 – Flickr de campanha de Pedro Taques em 2018

17 – Facebook Dra. Elza Queiroz

FONTE SITE BOA MIDIA/MT

www.boamidia.com.br

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