EDUARDO GOMES: Emanuel Pinheiro e o escândalo do paletó serão julgados nas urnas no dia 15

Eduardo e Emanuel


Emanuel Pinheiro: o Escândalo do Paletó e o julgamento nas urnas

Prefeito controla a maioria dos vereadores. E o silêncio comunitário abafa a voz dos bairros sobre o “Paletó”

 

POR EDUARDO GOMES

Especial para o Diário de Cuiabá

Secom/Prefeitura

Emanuel

 

Não é fácil traçar o perfil de Emanuel Pinheiro.

Ele é o típico cidadão que, se subir ao cadafalso e o carrasco lhe der um minuto para suas derradeiras palavras, os dois trocarão de lugar e, antes do último suspiro, o executor estará pensando que fez bom negócio.

De berço político e de família política. Assim é Emanuel Pinheiro (MDB), que foi vereador por Cuiabá e deputado estadual, tendo conseguido a proeza de se aposentar com salário integral de deputado pelo Fundo de Assistência Parlamentar (FAP).

Quanto a essa mamata, nada a acrescentar. Trata-se de mimo mensal que a Assembleia deposita a uma centena de afortunados – dentre eles, Roberto França (Patriota), que foi prefeito da capital em duas oportunidades e quer voltar ao cargo.

Emanuel Pinheiro é prefeito de Cuiabá e tenta a reeleição.

Começou a carreira política em 1988, ao se eleger vereador, cargo para o qual foi reeleito, e foi peça da engrenagem da Câmara de Cuiabá, que sempre se aliou aos prefeitos, nunca deixou de fazer o jogo do poder.

À exceção do gesto de grandeza do ex-vereador Moisés Martins, que, em 1980, renunciou ao cargo no último dia do mandato para o qual foi eleito, por não concordar com a prorrogação por dois anos, como determinou o regime militar então vigente, a Câmara é a mesmice.

No país inteiro, somente dois vereadores agiram daquela maneira.

Emanuel Pinheiro deputado foi um nome a mais, liderado por José Riva, que dominou aquele Legislativo entre 1995 e 2014.

Militando na vida pública há 32 anos, advogado e ex-professor universitário, Emanuel, 55 anos, cuiabano, tem patrimônio de R$ 1.357.151,46, conforme declarou ao pedir registro de sua candidatura à Justiça Eleitoral.

O episódio do Escândalo do Paletó marca a vida pública de Emanuel Pinheiro, mas, antes de focalizá-lo, é interessante falar sobre Emanuel Pinheiro administrador.

Alguns o julgam bom prefeito; outros, não.

É difícil avaliá-lo com o mandato em curso, pois não se sabe a extensão do endividamento municipal e o comprometimento da receita com essa dolorosa.

Quanto a programas sociais, nada de excepcional.  

PALETÓ – Em seu horário eleitoral, Emanuel Pinheiro apresenta a versão para o fato que é divisor de sua vida pública: o episódio do Paletó.

Em 24 de agosto de 2017, quando Emanuel Pinheiro já exercia mandato de prefeito, a TV Globo iniciou a apresentação de vídeos onde Sílvio Corrêa, chefe de gabinete do governador Silval Barbosa (2010/14), entregava pacotes de dinheiro a deputados estaduais e a suplentes na legislatura de 2011 a 2014.

Emanuel recebeu dinheiro de Sílvio e o colocava no bolso do paletó, e um pacote caiu ao chão. O contemplado abaixou e o pegou.

A sabedoria popular lhe deu o apelido de “Paletó”.

Em delação premiada ao Ministério Publico Federal, homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, Silval e Sílvio sustentaram que se tratava de “mensalinho”.

Todos os personagens dos vídeos negam.

Emanuel Pinheiro tem em seu grupo quase todo o movimento comunitário, que, tradicionalmente, se une ao prefeito, independentemente de quem exerça o cargo. Com isso, o silêncio comunitário abafou a voz dos bairros sobre o Paletó.

O domínio de Emanuel sobre a maioria da Câmara é visível até para cego, muito embora ele jure que nunca interferiu no Legislativo da Capital.

O vaivém da CPI do Paletó bem atesta isso.

O Ministério Público Federal somente agora, bem recentemente, ofereceu denúncia contra Emanuel e os demais personagens desse episódio, e a Justiça Federal a acatou, transformando todos em réus.

Em 15 de novembro, Emanuel Pinheiro irá a julgamento político nas urnas.

Mais que a escolha de prefeito, o voto será plebiscitário.

Protegido pelo sigilo da cabine eleitoral, o eleitor dirá se absolve ou não o prefeito que tenta a reeleição, respondendo por uma Secretaria Municipal de Saúde que protagoniza mais episódios policiais do que ações específicas à sua competência.

Na cabine de votação, o eleitor não estará frente a frente com Emanuel Pinheiro para que esse fale por um minuto.

Portanto, somente ouvirá a voz de sua consciência, no Centro Geodésico da América do Sul, neste país onde o tempo passa e políticos continuam se embaralhando com a dinheirama, que, de tanta, é escondida até na cueca e nas nádegas, como acaba de ocorrer com o senador  Chico Rodrigues (DEM-RR).

P.S. – O companheiro de chapa de Emanuel Pinheiro é seu ex-secretário de Serviços Urbanos, José Roberto Stopa (PV).

EDUARDO GOMES, jornalista, é editor do site Boa Midia, em Cuiabá

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