EDUARDO GOMES: É tempo de vazio sem José Geraldo Riva.Creio que, em segredo, ele guarde a vontade de retornar ao cenário, mas na esfera política acho que irremediavelmente Mato Grosso o perde de modo definitivo. Acredito que seu tempo passou e que ele sai de cena com seus rótulos de anjo e demônio. Não fui comensal em seu gabinete. Minha única ligação com ele ficou por conta do voto que lhe dei em 2010, quando estava cassado e corria atrás de novo mandato. À época votei nele pela habilidade política que lhe faltou na coletiva do adeus. O que passou, passou.

E agora, José Riva? A festa acabou...

E agora, José Riva? A festa acabou…

De vazio

POR EDUARDO GOMES

EDUARDO GOMES – Durante 47 minutos, na quinta, 29 de janeiro, eu o ouvi prestar contas de sua atuação parlamentar e sua gestão administrativa na Assembleia. Citou números mostrando quantas leis de sua autoria entraram em vigor.

Detalhou a modernização do Legislativo e o que isso significa para o desempenho dos deputados e servidores. Falou transmitindo segurança.

Depois de ouvi-lo, saí da coletiva que aconteceu numa sala na Assembleia. Aquele homem apegado aos números, que acabara de ouvir, era o mesmo líder que durante 20 anos controlou a atividade parlamentar mato-grossense e teve poder pra mudar decisões do governo.

Vi relevância nos números apresentados, mas não me atrevo a reproduzi-los. Mais: entendo que aquele balanço, embora seja oficialmente seu desempenho individual, na verdade representa o saldo das diversas legislaturas em que atuou, liderou, presidiu ou secretariou, porque em duas décadas a Assembleia decidiu a partir de seu posicionamento e se pautou por sua voz ou silêncio.

Quando saí de casa para ir à coletiva, imaginava que ouviria uma prestação de contas feita por um entrevistado que não tivesse a preocupação de se apresentar como se fosse chefe de almoxarifado numerando item por item – não tomem o exemplo figurado ao pé da letra, pois respeito o aspecto institucional da Assembleia. Imaginei que ele faria um pronunciamento político – o que não aconteceu. Lamentável a linha escolhida por aquele que foi deputado campeão em votos e em apresentação e aprovação de conteúdo legislativo, porque em seu longo ciclo parlamentar a habilidade, a capacidade de diálogo, o poder do convencimento e sua natural aptidão para liderar foram suas marcas. Foram marcas até mesmo nos momentos mais adversos de sua carreira, quando acionado pelo Ministério Público, condenado e até preso numa operação pirotécnica desencadeada para feri-lo, mas que foi reparada no STF.

Deixei o prédio da Assembleia pensando com meus botões: o baque íntimo dele, por mais que tente negá-lo ou disfarçá-lo, o impediu de ser aquilo que ele sempre foi: político. O susto com a situação o levou a citar números no momento em que todos gostariam de saber sobre os pulos do gato que deu pra se salvar e também pra livrar a pele de seus liderados suprapartidários que se apresentam castos com sorrisos angelicais.

Creio que em segredo ele guarde a vontade de retornar ao cenário, mas na esfera política acho que irremediavelmente Mato Grosso o perde de modo definitivo. Acredito que seu tempo passou e que ele sai de cena com seus rótulos de anjo e demônio. Não fui comensal em seu gabinete. Minha única ligação com ele ficou por conta do voto que lhe dei em 2010, quando estava cassado e corria atrás de novo mandato. À época votei nele pela habilidade política que lhe faltou na coletiva do adeus. O que passou, passou. É tempo de vazio sem José Geraldo Riva.

 

 

 

Eduardo Gomes de Andrade é editor do site e da quinzenal Revista MTAqui, e editorialista do Jornal Diário de Cuiabá

[email protected]
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Cena registrada pelas cameras da Rede Globo de Televisão do desembargue de Riva e Éder Moraes, algemados e conduzidos por agentes da Policia Federal para o cárcere, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasilia. A prisão, que aconteceu em 20 de maio de 2014, foi autorizada pelo ministro Dias Tofolli, do STF, e atendeu a um pedido do Ministério Público Federal, comandado pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, durante a Operação Ararath

Cena registrada pelas cameras da Rede Globo de Televisão do desembargue de Riva e Éder Moraes, algemados e conduzidos por agentes da Policia Federal para o cárcere, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasilia. A prisão, que aconteceu em 20 de maio de 2014, foi autorizada pelo ministro Dias Tofolli, do STF, e atendeu a um pedido do Ministério Público Federal, comandado pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, durante a Operação Ararath

6 Comentários

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  1. - IP 191.250.36.188 - Responder

    Eduardo,vce rasga sua história ao se referir ao maior corrupto da história de MT neste tom cordial.Ao apagar das luzes(28/01/2015) este cleptomaníaco,homologou uma licitação fajuta na AL para dar brindes aos colegas no valor de 4.8 milhões totalmente superfaturada.Isso com estradas,hospitais,escolas,pontes,creches,destruidas e sucateadas.RIVA É UM PSICOPATA ALFA! Sem pudor e sentimentos humanos.Só está solto porque estamos sob desígnios da justiça de MT.Aqui não tem homem com H para mandar prender e contê-lo.Sua filha seguirá o mesmo caminho: os frutos não caem longe do pé!

    • - IP 177.41.94.18 - Responder

      Ahhh …papai diz que ela será governadora de Mt .
      Kakakakakakakaka QUE DEUS NOS DEFENDA !
      Sr. Osmir ,não podemos esquecer do esposo da moça ,temos que nos lembrar disso também

  2. - IP 177.203.1.170 - Responder

    E com ele desaparecem também a Ong. Moral e o MCCE que sem ele não têm razão de ser. Sua despedida significa o fim para muitos de seus adversários que só puderam ser notados porque repousavam na aba de seu chapéu.

    • - IP 191.250.36.188 - Responder

      NÃO SENHOR,ELES FAZIAM POR CORAGEM,NÃO VENHA COM ESSA DE ABA DO CHAPEU,ELES TINHAM A CORAGEM QUE NÓS NÃO TIVEMOS.MERECEM NO MINIMO RESPEITO!

  3. - IP 189.40.91.44 - Responder

    Falou tudo osmir…. o riva não vai deixar saudades para os homens que deseja um mato grosso melhor. A ONG da moral agora deve cobrar e divulgar o andamento dos seus processos criminais, sabemos que são muitos. Que Deus não tenha do de sua alma podre.

    • - IP 177.41.94.18 - Responder

      Sr Analista . Deus é justo ,o que cada um fez vai ser colhido ….E não há acepção de pessoas !

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