EDUARDO GOMES: Ataques ao Judiciário são inaceitáveis. Silêncio do TJ sobre episódio do desembargador Dirceu, também. 

Queremos ouvir

POR EDUARDO GOMES

O desembargador Dirceu dos Santos

Com preocupação acompanho o noticiário e as mídias sociais vulgarizando o Judiciário brasileiro, que no passado além de reverenciado e admirado, recebia tratamento jornalístico respeitoso. O Supremo Tribunal Federal é alvo preferencial de críticas ácidas, que também não poupam os tribunais superiores. Agora, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso sofre uma dura agressão no texto do site congressoemfoco, da empresa Caracol Web Design, editado em Brasília e com dimensão nacional. O teor publicado, bem replicado em Mato Grosso, cita que o desembargador Dirceu dos Santos tem patrimônio de R$ 18 milhões montante esse levantado nos autos do processo de divórcio do magistrado e sua ex-mulher, a servidora pública Márcia Amâncio de Souza da Silva.

 

O conteúdo vai além da informação e faz elucubração sobre os bens do magistrado e a capacidade de seu salário para adquiri-los. Os ataques ao Judiciário são inaceitáveis. O silêncio do TJ sobre esse episódio, também. Há alguns anos, o Brasil é sacudido por escândalos e mais escândalos envolvendo figurões da República. A opinião pública, inconscientemente ou não, criou uma vala comum onde lança todos os que recebem a pecha de corruptos ou são vítimas de insinuações. Essa é a realidade e o TJ precisa leva-la em consideração.

Salvo melhor juízo, cabe ao presidente do TJ, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha  e ao desembargador Dirceu dos Santos, numa coletiva de Imprensa, dissiparem as nuvens que se abatem sobre o Judiciário mato-grossense depois da veiculação dessa notícia. Mesmo que a matéria perca destaque e os escândalos cotidianos a sufoquem, permanecerá um quê de dúvida sobre a dignidade da toga em Mato Grosso.

Uma esclarecedora coletiva de Imprensa dissipará as nuvens que se abatem sobre o Judiciário mato-grossense, que é formado por seus desembargadores. Basta que um seja atingido, pra que a instituição como todo sofra as consequências.

Fortuna tanto pode ser conquistada quanto cair no colo de alguém, independentemente de sua função, idade ou escolaridade. Nada impede um desembargador de ingressar rico na magistratura; nada o elimina do rol dos que podem ser contemplados com loterias da Caixa Econômica Federal; nada o tolhe de receber herança ou doação. O que ele não pode é exercer atividade fora da magistratura, salvo o magistério, que não é carreira pra se enriquecer –  sabemos que professor tem péssima remuneração.

Sobre remuneração do professorado é bom recordar a mea culpa do estadista Juscelino Kubitschek, que na semana em que entregaria a Presidência se reuniu com jornalistas para prestar contas. Em dado momento JK desabafou que fez mais do seria possível, mas que ele ao deixar o poder passaria a conviver com um grande remorso: não valorizou o professor, logo ele, filho de Mestra Júlia Coelho Kubitschek de Oliveira, uma pobre professorinha mineira de Diamantino, que o criou com dificuldade.

Voltemos ao TJ. Que o presidente Carlos Roberto Alves da Rocha e o desembargador Dirceu dos Santos se abram com os jornalistas. Posso me enganar, mas creio na lisura do patrimônio tão questionado por congressoemfoco e ironicamente reproduzido em Mato Grosso.

O Brasil precisa de transparência plena nos três poderes, em todos os seus níveis. Não é ofensivo prestar contas, ainda que a prestação vá além do que se convencionou chamar de normal.

Que esse assunto não se encerre pela volatilização temporal.

É tempo de falar.

Queremos ouvir.

 

 

 

 

Eduardo Gomes de Andrade é Editor de Boamidia

FOTO: Site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso

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