EDMUNDO ARRUDA JR: Mais que tomar a direção do Estado importa a construção de redes de poder na sociedade civil

Edmundo

2022 e democracia: derrota anunciada e a diferença do plus!

POR EDMUNDO ARRUDA JR

 

 

Bolsonaro só permanece se corrigir rumos e apresentar resultados. Tem feito algumas coisas mas isso não aparece suficientemente para assegurar sua reeleição. Guedes vai confirmando que é um economista menor. Depende do queijo e da faca de um crescimento que não logra realizar.

Sobre Lula e votos, que bolsomitas julgam enfraquecidos, há que se considerar algo estremecido nas hostes do ex-presidente, mais ainda bem vivo no chamado lulopetismo plus. O que significa isso? Algo maior que Lula e PT. São militâncias fortes de muitos partidos, do MST, etc. Forças de centro-esquerda e algo mais que desborda aquele campo tradicional.

Esses militantes de centro-esquerda são muito, mas muito mais aguerridos que seguidores de Olavo de Carvalho e ou Jair Bolsonaro. Eles formam, por atração, um bloco imenso, nele incluído setores progressistas e ex-bolsonaristas, bloco maior ao ponto de ser mais centro que esquerda. Ganham eleição em 2022? Dificilmente.

Para ganhar a próxima eleição presidencial deve haver uma candidatura de centro pendendo para a direita. Derrotando as forças da extremas da direita. Esse o plus que vislumbra o pêndulo histórico de uma política volátil no tempo. LULA deixou o poder em 2010 com 84% de apoio…Em 2018 Bolsonaro saiu do nada e logrou 58 milhões de votos.

Tudo pode oscilar. Agora não mais entre a retórica dos extremos resultante da crise após 2008, mas por rearranjo de interesses pelo centro à direita e à esquerda no contexto decisivo da ordem mundial pós-pandêmica. Oscilação também no nível da direção global do controle do mercado, seja por força de uma compreensão adequada da nova ordem internacional pós-pandemia de 2020.

O contingente das oposições será forte se as figuras de Lula e Ciro cederem em favor uma liderança menos vulnerável. O aclamado populismo progressista que tanto seduz intelectuais do Norte, como Chantal Mouffe não morreu mas pode ser o caminho para uma irrecorrível bancarrota das já parcas energias emancipatórias.

O bloco histórico lulopetista plus (ou seja, mais amplo e fora do carimbo de esquerda) pode evitar o vexame. Pode não lograr o poder em 2022 mas será cada vez mais uma oposição com chances de retomar a direção política, se redefinida e mais madura. Mais que tomar a direção do Estado importa a construção de redes de poder na sociedade civil. Aprendemos a distinguir guerra de posição e cooptação, que também marcou a opção de Lula (transformismo).

Essa oposição é organizada com um núcleo de eleitores considerável. Haddad obteve quase 48 milhões de votos. Metade desses eleitores são fiéis cuja crença inabalável é a luta em defesa da classe trabalhadora. Não importa agora refletir sobre essa pressuposição, limites e alcances. Essa classe está sendo comprimida e esmagada com as desregulamentações neoliberais.

Por outro lado deve-se lembrar que os ultraliberais chegaram ao poder e vão ter que reinventar o Estado em suas políticas sociais em face da pandemias em curso (necessidade de investimentos bem saúde, pesquisa, educação, etc). Aí abre-se um espaço para a re (imaginação) da luta social.

Trata-se de se posicionar em face de uma reinvenção da direita extremada apoiada por segmentos conservadores e legitimada em amplas camadas sociais subalternas. Essa relegitimação de Bolsonaro já está sendo costurada. Não haverá golpe. Bolsonaro é o presidente e sabe bem como lidar com o Congresso Nacional. Progressistas, esquerda, mas sobretudo, indivíduos e grupos sensíveis à gravidade de nosso momento, devem alinhavar uma política capaz de construir institucionalmente formas alternativas expressivas do fazer democracia. As eleições deste ano de 2020 poderão apontar tendências mas não dispensam as ações diretas nas ruas e nos coletivos de direitos humanos.

Então temos um quadro delicado de conflituosidades múltiplas. Os resultados pífios do atual governo engrossam a retórica da oposição. Nela está mais ou menos claro que insistir em Lula e em petistas implicará no forte risco de fragorosa derrota. Flavio Dino não parece possui as condições de redefinir o pêndulo em favor de uma nova base de governo. A sigla PC do B carrega velhos problemas a alimentar a ojeriza comunista.

Por outro lado, em clima de crises sociais ampliam-se as iniquidades. Daí a velha máxima da igualdade cresce em ambientes que expressam desigualdades antigas e novas. Há espaços urgentes a serem ocupados por políticos engajados com o compromisso de revisões radicais.

O terreno para o progresso encontra-se sempre aberto. Tudo depende de um plus.

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* Edmundo Lima de Arruda Jr é sociólogo e professor titular aposentado da UFSC

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