PREFEITURA SANEAMENTO

Éder não vai sair atirando, prevê o Perenha

Itamar Perenha, jornalista, editor do site Turma do Epa

Abaixo, reproduzo as notinhas publicadas pelo jornalista Itamar Perenha, no site Turma do Epa, analisando a crise da Secopa e a demissão de Éder Moraes. Para o jornalista, Éder Moraes, homem bem adaptado ao esquema de poder em Mato Grosso, não vai sair atirando. Vai ficar tudo como dantes, no quartel do Abranches. Em política cupulista, em que os caciques é que decidem tudo, tudo se acomoda. Leia o que escreveu o Perenha:

Fim da Era “Multicoisas”

Silval Barbosa demitiu Éder Moraes. Não se sabe, ainda, se vai ser a tal “exoneração a pedido” ou por ato de força, a “demissão ex-oficio”. A trajetória fulgurante iniciada no governo Blairo Maggi, começando pela MT Fomento, perdeu o brilho. Atribui-se, ainda, ao “Multicoisas” – como? – o desempenho excepcional do Grupo Amaggi que multiplicou o patrimônio em 70 vezes em 8 anos. Um feito ímpar entre as empresas brasileiras. Que não se faça mau juízo da gestão Maggi. Ao que se tem notícia todas as suas contas foram aprovadas.

A fórceps

Dizem que a exoneração foi tão dolorosa quanto um parto “a fórceps”. Médicos sugerem o uso excepcional do “fórceps” pelos danos que pode causar ao bebê, quando nasce, e à própria mãe. Para bebê mal posicionado a indicação é a cesariana, com bastante anestesia. O nascimento é indolor. O problema está no pós-operatório.

Pós-operatório

É quase unanimidade dizer que Éder Moraes sairá atirando. Turma do EPA discorda. O “Multicoisas” foi o “Homem Solução” do governo Maggi. Resolvia os problemas e ficava, inclusive, se fosse o caso, com a má fama. Foi assim com o precatório de R$ 400 milhões da Andrade Gutierrez. Auxiliou nas negociações das dívidas das empresas de telefonia. Idem, quanto ao Grupo Rede-Cemat.

Um homem bem relacionado

Que não se diga que Éder não tinha boas relações com o mundo financeiro. Ao menos aqui da terrinha, é óbvio. De sua passagem pelo Banco Bandeirantes, manteve proximidade com Humberto Rodovalho, mais tarde, inclusive, Secretário de Fazenda do Governo Jaime Campos. Manteve e mantem boas relações com o dono da Piran Factoring, com Gilmar Fabris e, de forma indistinta, com todos os deputados, mercê do cargo que exerceu na gestão Maggi e, agora, na Secopa.

Plantação

Parece que o “Multicoisas” só se deu mal mesmo fo i com um certo tipo de atividade agrícola: plantação de fatos. Como um determinado hebdomadário (um tipo de jornal que circula uma vez por semana, aos sábados, aos domingos, às segundas, mas com periodicidade de 7 em 7 dias) não soube preservar o “sigilo da fonte” ainda que noticiasse algo em vias de acontecer e com forte nexo com a realidade. Ao menor “aceno” o hebdomadário “entregou a fonte” para o governador Silval Barbosa e, para espanto, confirmou-se que era Éder Moraes.

Um mau serviço

O hebdomadário prestou um bom serviço ao governo, fornecendo-lhe o argumento fatal para a exoneração do “Multicoisas”. Dizem, inclusive, que acabou o estoque de fogos de artifício da cidade. Em breve começam os festejos. Que se analisem, no entanto, os efeitos da “quebra do sigilo da fonte”, objeto, inclusive de garantia constitucional ao jornalista. Como se diz: há razões que a própria razão desconhece e em “cada cabeça uma sentença”.

Buxixo no pedaço

Éder Moraes, o supersecretário da Copa 2014, demonstrou desprendimento em relação ao cargo num encontro cheio de asperezas com o governador Silval Barbosa. Disse que o cargo sempre esteve à disposição do governador. É ele quem nomeia e quem demite.

Motivos

Um dos motivos seria a possível substituição do conselheiro do TCE, José Alencar, pelo deputado estadual Sérgio Ricardo. Conforme um jornal noticiou as negociaçõe$ teriam tran$cendido o terreno político para $e $ituarem em outra esfera. O ruído de comunicação foi grande demais até porque o deputado do PR – ao que se sabe – tem a preferência para assumir a presidência da Assembleia Legislativa pelos próximos dois anos.

Caro demais

Sempre que há uma substituição de conselheiro do TCE pululam ruídos – nem se pode dizer que são notícias – desse tipo. Ao fim nunca se sabe se é verdade ou não. Quem assume não admite que pagou e quem sai não admite que recebeu. Há, sim, um caso clássico: uma substituição com jeito, não de substituição, mas de transferência dinástica de cargo.

Coincidência: de pai para filho

Ari Campos deixou a vaga que acabou ocupada pelo filho, Campos Neto. A indicação era da Assembleia Legislativa, onde o deputado havia concluído o quatriênio para o qual foi eleito, sem, conseguir, no entanto, a tão almejada reeleição. Articula daqui, mexe acolá, espreme de um lado, faz rodízio do outro, enfim, a situação acabou acomodada. Houve um “pari-gato” inicial, porém, o indicado ficou firme na indicação, acabou nomeado e onde continua até hoje. Mais uma vez a maldade da imprensa diz que houve “coincidência demais”.

Fenômeno: jovem fóssil

O conselheiro é tão jovem que nos próximos decênios não haverá substituição dessa vaga. Daí o comentário jocoso da imprensa de que houve uma espécie de “transmissão dinástica” do cargo. Dizem que a nomeação foi o espasmo final da “Era Campos”no Estado e que no Tribunal ele ficará, até a velhice, como um totem representando essa prisca era da história política de Mato Grosso. Um fóssil, portanto, da arqueologia nepótica se é que há algum ramo da ciência nesse campo.

Houve transição, não transação

O caso é um exemplo de que o discurso republicano não resiste à análise dos fatos. Nesse caso não houve transação de cargo, mas, sim, transição. Em outras palavras, o cargo passou de uma geração a outra. De pai, para filho. Talvez não se encontre episódio análogo em nenhum outro Tribunal de Contas do Brasil. Prêmio para Mato Grosso. Pelo inusitado.

Mais razões da aspereza

Éder Moraes fez uso da metralhadora giratória e disparou pra todo lado. Em declarações ríspidas afirmou, em outras palavras: 1º – setores econômicos pressionam o governador por desejarem atuações pouco republicanas na Secopa. Os tubarões de sempre querem continuar a mamar na teta. 2º – alvejou interesses políticos contrariados sem nominar.

Quem são?

O problema não é a natureza do discurso: é a forma. Explica-se. A língua portuguesa – maravilhosa Flor do Lácio – admite a construção de frases sem sujeito determinado. Éder conta os milagres mas não os “santos”. Vai além. Como há verbos autoexplicativos, nem precisam sujeito. Por exemplo: Choveu. Nessas condições de verbos autoexplicativos, como choveu, há sempre um duplo sentido, principalmente se for atribuída a “bendita chuva na horta de alguém”. Isso significa que uns ficam na $ecura e outros na fartura.

Tradução

Que há gente mamando na teta do governo não é nenhuma novidade. Sempre houve. O problema é que existem uns mais glutões do que outros e, nesses casos, haja tetas nessa vaca generosa. Provavelmente é uma vaca holandesa pura. Uma girolanda não daria tanto leite quanto necessário. Mesmo nas campeãs leiteiras, sempre falta leite.

Tran$açõe$

Ao dizer que não deixa espaço para ações desprovidas de caráter republicano, Éder demonstra a quintessência das preocupações com a famosa “res publica”. Ou seja, cuida, com zelo, dos investimentos públicos aplicando com seriedade os princípios da economicidade, publicidade, eficiência e legalidade. Pronto e ponto.

fonte TURMA DO EPA

Categorias:Jogo do Poder

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 201.24.175.215 - Responder

    O artigo do Perenha é muito bom. Apenas um adendo. Quando os políticos, tanto os da ativa como aqueles já aposentados e encastelados em gordos cargos públicos, se revoltam com determinada notícia, plantada ou não, esta exala cheiro de verdade. Trata-se de uma indignação forçada, típica de quem foi pego com a mão na botija, se comportando como vestais paridas. Mesmos os mais experientes se traem.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

1 + 8 =