Éder Moraes articulou com promotor Marcos Regenold, do Gaeco, deleção premiação sua e do empresário Júnior Mendonça mas, na última hora, pulou fora. Delegado Guilherme Torres Jr, chefe da Inteligência da Polícia Federal, diz que Éder tentou enganar a PF e direcionar foco para seus adversários políticos. No Facebook, internautas lançam campanha “Fala, Éder”

OPERAÇÃO ARARATH

Ex-secretário que ameaça Maggi e Silval tentou enganar até a PF

CLÁUDIO MORAES
Da Editoria, Folhamax

 

blairo-eder-silval

O ex-secretário de Relações Institucionais do Governo de Mato Grosso, o executivo Éder Moraes Dias, tentou enganar a Polícia Federal e atrapalhar as investigações relacionadas a “Operação Ararath”, que teve início em novembro do ano passado em Mato Grosso. De acordo com documentos sigilosos obtidos peloFOLHAMAX com exclusividade, Éder Moraes tentou “redirecionar o foco das investigações aos seus inimigos políticos, onde ficou patente a deslealdade do pretenso colaborador”.

Em ofício encaminhado ao delegado federal de Mato Grosso Wilson Rodrigues, o chefe do Núcleo de Inteligência da Polícia Federal em Brasília (DF), o delegado Guilherme Augusto Campos Torres Nunes, explica detalhadamente toda “lambança” aprontada pelo ex-secretário de Fazenda, Casa Civil e Copa nas gestões do ex-governador e senador Blairo Maggi (PR) e do governador Silval Barbosa (PMDB).

De acordo com o ofício, o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Paulo Roberto Jorge do Prado, entrou em contato com o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, Élzio Vicente da Silva, informando que um dos investigados na “Operação Ararath”, no caso Éder Moraes, “estaria interessado em colaborar com as investigações. A época, Paulo Prado designou o promotor do Gaeco (Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado), Marcos Regenold Fernandes, para conduzir a delação premiada do ex-secretário.

No dia 12 de dezembro do ano passado, foi marcada uma reunião entre o chefe de Inteligência da PF, delegado federal Dennis Carli, juntamente com o promotor Marcos Regenold, que informou que Éder Moraes estaria disposto a “revelar um esquema de desvio de recursos públicos” que aconteceria em vários poderes de Mato Grosso através de empresas ligadas aos investigados na Ararath.

No mesmo dia, após 30 minutos, Éder chegou a sede do Gaeco para participar do encontro. Ele explicou que gostaria de colaborar com as investigações, desde que não aparecesse como delator do esquema. “Éder explicou que vai se candidatar nas próximas eleições e não cairia bem para si, em termos eleitorais a delação”, explica.

Já no dia 19 de dezembro do ano passado, Éder Moraes e Marcos Regenold se encontraram com o delegado Guilherme em frente a um restaurante em Brasília e os três foram direto para a sede da PF na capital federal. Neste encontro, Éder entregou documentos que supostamente seriam provas contundentes contra investigados durante a “Operação Ararath”.

No dia 13 de janeiro deste ano, o promotor Marcos levou novos documentos que teriam sido repassados por Éder a Polícia Federal. No entanto, após análise dos dados, a Polícia Federal chegou a conclusão de que dos documentos repassados eram “antigos, superficiais e desconexos entre si”.

Para o chefe de inteligência da PF, o executivo “repassou dados que implicavam apenas atuais adversários políticos em tentativa clara de pautar as investigações da polícia”.

Além de tentar direcionar a investigação, Éder Moraes chegou ao ponto de agendar data para uma suposta delação premiada por parte do empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o “Júnior Mendonça”, que foi o pivô da operação por supostamente comandar um esquema de lavagem de R$ 500 milhões através de postos de gasolina e factorings. “No dia 20 de janeiro de 2014, novamente este subscritor foi procurado pelo promotor Marcos pára informar que Éder teria conversado com Júnior Mendonça e esta pessoa estaria desejosa a vir a sede do DPF para prestar declarações na condição de colaborador premiado”, explicou.

Inicialmente, ficou agendada a delação premiada de “Júnior Mendonça” para o dia 23 de janeiro, sendo adiada para o dia 24. Neste dia, a PF montou um imenso aparato de delegados, escrivães e agentes para colher as declarações do empresário, que não apareceu, sendo que Éder Moraes telefonou ao delegado para informar que a delação não seria mais realizada.

No documento, o chefe de inteligência da PF considera que Éder Moraes “em momento algum desejou colaborar com as investigações”. O executivo, que teve a casa e eecritório invadidos, por agentes da Polícia Federal na semana passada fez uma série de ameaças ao ex-governador Blairo Maggi e o atual governador Silval Barbosa, mas tem se mantido calado e recluso nos últimos dias.

Marcos Regenold, promotor de Justiça, lotado, atualmente, no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco)

Marcos Regenold, promotor de Justiça, lotado, atualmente, no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco)

 

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POLÍTICA / “HOMEM BOMBA”

Campanha no Facebook pede que Éder Moraes abra a boca e derrube políticos

Investigado pela Polícia Federal, ex-secretário garantiu que não irá omitir ou poupar políticos

FELIPE DE ALBUQUERQUE
DA REDAÇÃO – ISSOÉ NOTICIA

Reprodução/Facebook
Internautas pedem que pré-candidato diga o que sabe

Através do Facebook, internautas têm se empenhado numa verdadeira campanha para Eder Moraes falar o que sabe sobre grandes políticos de Mato Grosso, o que poderia colocar fim a projetos de pré-candidatos que, mesmo fora de época, já se promovem para o ano eleitoral de 2014.

Mesmo sem estar à frente de um cargo público no Estado, o ex-secretário especial da Secopa e ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, acumulou 12 anos ininterruptos junto às pastas do governo e sempre permaneceu, quando não no centro, no bojo de algumas polêmicas políticas. Desde que foi afastado da Secopa, em 2012, seu nome retornou à imprensa dividindo opiniões.

Como foco da quarta fase da Operação Ararath, realizada pela Polícia Federal, o pré-candidato ao governo também foi acionado na Justiça pelo Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE) por fazer propaganda eleitoral fora de época.

Sabendo de sua posição de “homem bomba”, Eder concedeu entrevista a um programa de rádio local na quinta-feira (20), afirmando que tem medo de ser morto por conta das informações que possui e garantiu que não hesitará a verdade à Polícia Federal, ao Ministério Público Estadual, que estão por detrás da Operação Ararath.

“Cagando e andando”

Em entrevista ao Isso É Notícia, o ex-secretário fez duras críticas ao MCCE e aos ativistas que atuam junto ao Movimento, Vilson Nery e Antônio Cavalcante (conhecido como Ceará). Éder foi acusado de fazer propagando eleitoral fora de época à frente de canais de televisão locais.

Para ele a integridade do grupo é questionável e a ação reflete “falta do que fazer”.

“O MCCE está perdido nos seus objetivos. Para justificar sua existência, adotam medidas esdrúxulas. O Ceará é um sujeito mal intencionado, analfabeto político e eleitoral, desconhece a legislação existente e tenta criar factoides”, criticou.

O pré-candidato ao governo assegurou que, as críticas do MCCE lhe são indiferentes e que, apesar de poder, não acionará a justiça contra o grupo, porque “não vale a pena colocar pau na estrada do judiciário” com “causas inócuas”.

“Não tenho nada contra o MCCE. Respeitando o leitor, eu estou “cagando e andando” para o Ceará. Não acionarei a justiça para não acrescentar ainda mais massa de trabalho desnecessário. Estou amparado pela legislação vigente, está dentro do regramento legal. Eu acho que nesse país ainda está valendo a Constituição sobretudo no direito da livre expressão”, afirmou.

“Dor de barriga”

Sobre a Operação Ararath, Eder Moraes, afirmou que já prestou depoimentos à Polícia federal, que vasculhou sua residência na manhã de quarta-feira (19).

“Não posso entrar em detalhes do que apreenderam, porque a questão é sigilosa, mas a polícia fez seu trabalho, tratou a mim e a minha família com cordialidade e estou tranquilo, porque quem tem que ter dor de barriga não sou eu”, disse em entrevista a web rádio “Café com Política”.

Éder afirmou, ainda, que se houver 100 operações em Mato Grosso, ele terá que responder em 99, já que foi secretário de Fazenda por vários anos. “Me disseram que essa operação tem viés político e está atingindo pessoas com potencial eleitoral, mas não acredito nisso. Estou tranquilo, porque sempre me pautei na legalidade”.

Categorias:Direito e Torto

4 Comentários

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  1. - IP 200.163.83.36 - Responder

    Sera que o MP e o MPF estão apurando as denuncias contra o Senador Taques também?

  2. - IP 177.132.247.16 - Responder

    Eder não tem coragem para denunciar nada. É e sempre será um pau-mandado do Silval e Maggi.Se homem com H fosse,viria a publico e faria a delação premiada.E a coragem,só da boca para fora,DUVIDAMOS!

  3. - IP 189.73.215.8 - Responder

    como explicar os milhões roubados de mt nos ultimos 11 anos e 2 meses o eder é a chave de tudo é só abrir a boca.

  4. - IP 201.57.233.221 - Responder

    MUITO PAPEL
    Duas gráficas de médio porte de Cuiabá vão faturar, em menos de 8 meses, mais de R$ 11 milhões ao fornecer “papelaria” para uma secretaria do governo do Estado. O percentual de adesão ultrapassa 40% do que vai se gastar, em 2014, com todos os órgãos públicos de Mato Grosso. O valor de 11 milhões, se usado na totalidade, corresponde a 100 carretas lotadas de papel ou, simplesmente, 2.800.000,00 milhões de quilos de matéria prima. Só de recolhimento de tributos, ao erário, as duas gráficas vão desembolsar quase R$ 2 milhões. Os números, assustam!

    E a “rapinagem” do dinheiro público continua livre, leve e solta. Onde vai ser gasto taaaaaaaaaanto papel assim, minha gente?? Não dá mais pra aguentar situações como essa. Caaaaaaaade vc, MP???

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