E quem bateu na mídia não foi o PT mas Barbosão, herói da midia!

E quem bateu na mídia foi… não o PT, mas seu herói

Ironicamente, no momento em que veículos de comunicação elaboravam um discurso sobre as tentativas do PT de amordaçar e calar a imprensa, a partir do caso Yoani, quem se nega a responder uma pergunta pertinente de um jornalista, o repórter Felipe Recondo, é justamente o personagem mais cultuado pelos meios de comunicação nos últimos anos: o ministro Joaquim Barbosa; agredido, Estadão se acovarda e, na edição desta quarta-feira, não pública um mísero editorial a respeito; a questão é: Recondo prosseguirá nas suas apurações sobre Barbosa, em que “chafurdava no lixo” do STF, ou será amordaçado?

247 – Trazida pelo jornal Estado de S. Paulo ao Brasil, a blogueira Yoani Sánchez alimentou um discurso que começava a se cristalizar no País: o de que Partido dos Trabalhadores, há dez anos no poder, começava a incitar atos de violência contra jornalistas ou contra a chamada imprensa livre no Brasil. O ponto de partida foi uma reportagem de Veja, em que um funcionário da Secretaria-Geral da Presidência, Ricardo Poppi, subordinado ao ministro Gilberto Carvalho, foi acusado de participar de uma reunião na embaixada de Cuba, em Brasília, onde teria sido organizado o “plano de ataque” contra Yoani.

Esse suposto plano deu vazão a diversos editoriais em jornais, incluindo o próprio Estado, sobre a “intolerância” do PT e sua tentativa de censurar a imprensa – discurso que foi reforçado com a intenção do partido de apresentar uma Lei de Meios, para desconcentrar a propriedade e democratizar a comunicação no Brasil. Blogueiros de corte mais radical, como o “neocon” Reinaldo Azevedo, passaram a disseminar a tese de que, num futuro breve, jornalistas brasileiros serão agredidos por milícias petistas. E Merval Pereira, do Globo, relatou ter vivido seu “momento Yoani”, depois de ser xingado e ter seu carro cercado no Rio de Janeiro.

Parecia tudo pronto para o dia em que um representante da chamada “imprensa livre” seria espancado por “fascistóides petistas”. De repente, vem a surpresa: quem resolve agredir um jornalista é justamente o personagem mais cultuado pela imprensa na história recente: o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que, nos últimos anos, deu várias demonstrações de que comete agressões em série, inclusive contra os próprios colegas (leia matéria abaixo).

Barbosa agrediu Felipe Recondo, repórter que cobre o Poder Judiciário com grande competência, porque não queria responder a uma questão absolutamente pertinente: como ele encara uma nota assinada por três associações de juízes, que criticam seu comportamento “superficial”, “preconceituoso” e, sobretudo, “desrespeitoso”. Barbosa foi alvo de críticas porque, numa entrevista, declarou que os juízes no Brasil têm mentalidade pró-impunidade – seriam, portanto, cúmplices do crime.

Até agora, Barbosa já emitiu uma nota pedindo desculpas de forma generalista à imprensa, mas a pergunta continua no ar, sem resposta. Procurada por nossa reportagem, a assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal não respondeu ao 247 o questionamento que seria feito por Recondo. Como, afinal, o ministro recebe as críticas feitas por três associações de magistrados?

O mais espantoso do episódio é a reação tíbia e covarde do Estado de S. Paulo. Na edição desta quarta-feira, não há um mísero editorial sobre a agressão cometida por Joaquim Barbosa a seu profissional. O diretor de Redação, Ricardo Gandour, disse que não comentaria o caso. O único que falou foi o jornalista João Bosco Rabello, que comanda a sucursal do Estadão em Brasília, em razão da boa relação que mantém com Marco Damiani, diretor de redação do 247.

Barbosa acusou Recondo de “chafurdar no lixo”. Nos bastidores do Poder Judiciário, consta que o repórter vinha levantando despesas ordenadas pelo gabinete do ministro nos últimos anos. Daí a acusação de “chafurdar”. A questão, agora, é: Recondo irá prosseguir na sua apuração ou será calado e amordaçado depois da agressão cometida por Joaquim Barbosa?

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Repórter agredido por Barbosa apurava gastança no STF

: Felipe Recondo, do jornal Estado de S. Paulo, produzia reportagem sobre gastos com reformas nos gabinetes e apartamentos dos ministros, além de despesas com viagens; foi por isso que o presidente da suprema corte, Joaquim Barbosa, o acusou de “chafurdar no lixo”; acovardado, Estadão, que se orgulha de ter combatido a censura no Brasil, ainda não saiu em defesa de seu profissional

 

 

247 – É mais grave do que se imaginava a agressão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao repórter do Estado de S. Paulo, Felipe Recondo. O ministro, que atribuiu seus ataques desferidos contra o jornalista a uma dor nas costas, na verdade, poderia estar tentando intimidá-lo em razão de uma reportagem investigativa. Segundo duas notas publicadas no Painel da Folha de S. Paulo desta quarta-feira, Recondo apurava a gastança do STF com mordomias, como reformas nos gabinetes, nos apartamentos e viagens. Leia, abaixo, as notas publicadas por Vera Magalhães, do Painel da Folha:

Onde dói 1 Apontada como justificativa por Joaquim Barbosa, a crônica dor nas costas do presidente do STF não é o motivo do destempero verbal com que ele se dirigiu a um jornalista ontem.

Onde dói 2 A irritação do ministro se deve a levantamentos em curso por parte da imprensa sobre gastos com reformas nos gabinetes e apartamentos dos ministros, além de viagens. Os dados referentes ao presidente da corte teriam chamado a atenção.

Curiosamente, o jornal Estado de S. Paulo, que se orgulha de ter combatido a censura no Brasil e que patrocinou a vinda ao Brasil de Yoani Sánchez, segundo o jornal, um símbolo pela luta da liberdade expressão, ainda não saiu em defesa de seu profissional.

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Barbosa a repórter: “Vá chafurdar no lixo”

: Descontrolado, em pleno ataque de nervos, presidente do STF exprime em diálogo com jornalista de O Estado de S. Paulo, em Brasília, todo o seu desapreço pela instituição da sociedade chamada imprensa: “Vá chafurdar no lixo”, ordenou Joaquim Barbosa depois de ter classificado o profissional Felipe Recondo de “palhaço”; foi à saída da reunião do Conselho Nacional de Justiça, nesta terça 5; repórter apenas iniciara sua pergunta

 

247 – Apesar de ser bem tratado e elogiado em grande parte do noticiário da midia tradicional (leia mais), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, não parece conseguir se entender com os jornalistas. Nesta terça-feira, Barbosa chegou a chamar de “palhaço” um repórter do Estadão que lhe dirigiu a palavra, e o presidente do STF ainda recomendou que o jornalista fosse “chafurdar no lixo” (ouça aqui o áudio).

O desentendimento, que não é o primeiro entre o presidente do Supremo e um jornalista, ocorreu na saída da reunião do Conselho Nacional de Justiça, que também é presidido por Barbosa. Quando deixava o local, Barbosa foi abordado por jornalistas, como de costume, mas interrompeu, aos gritos, um dos repórteres logo na primeira pergunta.

O jornalista Felipe Recondo iniciou a questão: “Presidente, como o senhor está vendo…”. Mas não pôde seguir, porque Barbosa logo emendou: “Não estou vendo nada. Me deixa em paz, rapaz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre”. Assustado, o repórter retrucou com outra pergunta: “Que é isso ministro, o que houve?”. Barbosa respondeu: “Estou pedindo, me deixe em paz. Já disse várias vezes ao senhor”.

Diante de mais uma negativa, o repórter retrucou que “uu tenho que fazer pergunta, que é o meu trabalho”. Mas a argumentação só serviria para irritar Barbosa ainda mais . “Eu não tenho nada a lhe dizer, não quero nem saber do que o senhor está tratando”, disse o presidente do Supremo, que, afastado por assessores, ainda chamou o repórter de “palhaço” ao entrar em um elevador.

Associações

Os jornalistas que aguardavam o presidente do Supremo esperavam pela oportunidade de repercutir a nota divulgada pelas três maiores entidades de juízes do país (AMB, Ajufe e Anamatra) no fim de semana, em que os magistrados criticaram Barbosa por ele ter dito em entrevista que a magistratura tem mentalidade pró-impunidade. Em novembro passado, o presidente do Supremo já havia criticado um repórter negro, como ele, que, segundo Barbosa, teria replicado estereótipos racistas ao perguntar se ele estava sereno no novo cargo.

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Merval diz que holofotes fazem mal a Barbosa

: Parece piada, mas não é: depois de ajudar a reger o julgamento mais midiático da história do País, o colunista Merval Pereira, do Globo, argumenta que a exposição na mídia pode estar sendo prejudicial ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que, ontem, agrediu um repórter do jornal Estado de S. Paulo; na verdade, os holofotes fizeram mal ao Judiciário, à imprensa e, sobretudo, aos réus

 

247 – O jornalista Merval Pereira, colunista do Globo, desta vez, superou os próprios limites. Como se sabe, ele foi muito mais do que um observador isento e distante do julgamento da Ação Penal 470. Como representante direto do maior meio de comunicação do País, ele foi quase um assistente de acusação no processo. Apontou teses que, depois seriam encampadas por alguns ministros, perseguiu desafetos na corte e, no fim, foi premiado com um prefácio do ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto, no seu livro “Mensalão”. De certa forma, como voz da Globo no processo, ele ajudou a reger o espetáculo mais midiático da história do Judiciário brasileiro, que consagrou como herói Joaquim Barbosa.

Agora, diante da constatação de que Barbosa talvez seja um agressor em série, Merval Pereira argumenta que os holofotes da mídia talvez estejam fazendo mal à personalidade do juiz. Na verdade, os holofotes fizeram mal a todos os ministros, ao Judiciário como um todo, à imprensa e, sobretudo, aos réus – que foram submetidos ao julgamento de personagens como o próprio Merval.

Abaixo, a coluna do jornalista:

Os holofotes – MERVAL PEREIRA

O GLOBO – 06/03

Parece que estávamos adivinhando. No lançamento do meu livro, em São Paulo, na segunda-feira, conversava com o Carlos Alberto Sardenberg sobre o sucesso que o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, havia feito em Trancoso, no fim de semana anterior, aplaudido de pé durante vários minutos pela plateia do festival internacional de música.

Sua presença, aliada ao fato de que estava acompanhado de uma jovem namorada, foi o assunto dominante no fim de semana. Ontem, conversamos na CBN sobre a popularidade dos ministros do Supremo depois do julgamento do mensalão, e Sardenberg se preocupava com as consequências desses holofotes sobre o comportamento dos ministros, que por onde passam são objeto de homenagens pelos populares.

Analisei a questão por dois ângulos, um positivo, outro negativo: a confiança dos cidadãos no Supremo, e a possibilidade de um ministro se deslumbrar com a súbita fama e passar a dar mais atenção à opinião pública do que à letra fria da lei, como acusam os ministros de terem feito no julgamento do mensalão.

Não acredito que se os ministros do Supremo tivessem se reunido a portas fechadas, sem a televisão ao vivo e a cores, o resultado fosse diferente, isto é, não concordo com os que consideram que as condenações foram fruto de pressões da opinião pública sobre os ministros.

O fato de os ministros do Supremo estarem sendo vistos pela população como personagens importantes significa que a atuação deles no mensalão foi aprovada pela opinião pública, e é bom para a democracia que um dos Poderes da República seja reconhecido como instrumento de fazer Justiça.

O que seria ruim é se um dos ministros hoje em evidência passasse a se exibir como se fosse celebridade, buscasse os holofotes. E mesmo se surgisse como candidato a algum cargo político, como se fala de Joaquim Barbosa para a Presidência da República e ou da ministra Eliana Calmon para governadora da Bahia.

Todas as atitudes que tomaram até hoje, e que contaram com o apoio da opinião pública na maioria das vezes, passariam a ser vistas como se tivessem sido geradas justamente com o objetivo de torná-los famosos e populares para que entrassem na política.

Com relação a Joaquim Barbosa, havia além das questões de saúde, seu temperamento irascível e a falta de tarimba política, que o tornam avesso aos acertos por baixo dos panos e incapaz de ouvir desaforo sem responder imediatamente, como vimos várias vezes no julgamento do mensalão.

Esses “defeitos” do ponto de vista da política tradicional podem torná-lo um candidato atraente para eleitores que já estão cansados dessa maneira de se fazer política, mas tornariam extremamente difíceis os acordos partidários que teria forçosamente de fazer. O destempero de ontem com um jornalista, a quem mandou “chafurdar no lixo”, é uma prova de que os holofotes estão sendo prejudiciais a Joaquim Barbosa. Se desculpar em seguida não apaga a ação.

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Em nota, STF se desculpa por baixaria de Barbosa

: Supremo Tribunal Federal divulga mensagem na qual atribui agressividade do presidente Joaquim Barbosa contra repórter de O Estado de São Paulo por “cansaço” e “fortes dores”; segundo a nota, o descontrole de Barbosa “trata-se de episódio isolado que não condiz com o histórico de relacionamento do Ministro com a imprensa”; “O ministro Joaquim Barbosa reafirma sua crença no importante papel desempenhado pela imprensa em uma democracia”, diz o texto, assinado pelo secretário de imprensa do órgão; íntegra

 

247 – O descontrole do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao lidar nesta terça-feira com jornalistas rendeu um pedido público de desculpas, via nota, do STF. Horas depois de Barbosa mandar um repórter de ‘O Estado de São Paulo’ ir “chafurdar no lixo” (leia mais), o secretário de Comunicação Social do Supremo, Wellington Geraldo Silva, divulgou nota parapedir desculpas pelo “episódio ocorrido hoje, quando após uma longa sessão do Conselho Nacional de Justiça, o presidente, tomado pelo cansaço e por fortes dores, respondeu de forma ríspida à abordagem feita por um repórter”.

“Trata-se de episódio isolado que não condiz com o histórico de relacionamento do Ministro com a imprensa”, diz a nota. Leia a íntegra do texto:

Nota à Imprensa – nº 01/2013

Brasília, 05 de março de 2013

Em nome do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Joaquim Barbosa, peço desculpas aos profissionais de imprensa pelo episódio ocorrido hoje, quando após uma longa sessão do Conselho Nacional de Justiça, o presidente, tomado pelo cansaço e por fortes dores, respondeu de forma ríspida à abordagem feita por um repórter. Trata-se de episódio isolado que não condiz com o histórico de relacionamento do Ministro com a imprensa.

O ministro Joaquim Barbosa reafirma sua crença no importante papel desempenhado pela imprensa em uma democracia. Seu apego à liberdade de opinião está expresso em seu permanente diálogo com profissionais dos mais diversos veículos. Seu respeito pelos profissionais de imprensa traduz-se em iniciativas como o diálogo que iniciará no próximo dia 07 de março, quando receberá em audiência o Sr. Carlos Lauria, representante do Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), ONG com sede em Nova Iorque.

Wellington Geraldo Silva
Secretário de Comunicação Social – SCO
Supremo Tribunal Federal

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Caso Barbosa: ANJ faz silêncio vergonhoso

: Experimente-se, por hipótese, trocar os personagens; em lugar do presidente do STF, Joaquim Barbosa, quem teria chamado de “palhaço” e mandado um jornalista “chafurdar no lixo” fora o ex-presidente Lula; como reagiria, então, a Associação Nacional dos Jornais, presidida por Carlos Lindenberg (à dir.)?; adotaria, como faz agora, a tática do avestruz?; o Estadão, veículo atingido, teria publicado o assunto apenas ‘no pé’ da sua primeira página?; e a turma da avenida Marginal, à sombra da Editora Abril?; dragões da ideologia dominante estariam relax em seus blogs?

 

247 – Parem as rotativas! O ex-presidente Lula, num acesso de fúria contra a mídia da qual ele não aceita críticas, acaba de interromper um jornalista do Estadão, que apenas iniciava para ele uma pergunta; “Vá chafurdar no lixo como você sempre fez”, ofendeu ele ao profissional, sem meias palavras, para ao final disparar ainda um “palhaço”. Com sua típica falta de ombridade, Lula, mais tarde, ciente do verdadeiro atentado cometido às relações mais civilizadas e, na medida que atingiu a instituição imprensa, também à democracia, manda um assessor escrever uma nota na qual, sem nem mesmo citar o nome do profissional ofendido, alega que estava “cansado” e, pelo gesto, pede desculpa. Ponto final.

Qual teria sido a reação da Associação Nacional dos Jornais, que representa o patronato da mídia tradicional, caso tivesse sido o Lula o personagem dominante do episódio?

Certamente bem diferente do silêncio observado diante do escândalo patrocinado pelo verdadeiro protagonisa do caso real, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Com medo dele, ou por afinidade ideológica, possivelmente, a ANJ se calou diante da ofensa cometida contra um de seus filiados.

O próprio veículo atingido, o centenário jornal O Estado de S. Paulo que se orgulha de sua história de combate contra a ditadura militar brasileira – a mesma que, quando chegou ao poder, em 1º de abril de 1964, contou com todo o apoio das opiniões e do noticiário da mesma publicação –, praticamente escondeu a notícia. E nem teve brios de escrever um editorial a respeito do ataque contra o livre exercício da sua atividade fim. O caso foi parar no chamado “pé” da primeira página, com texto com título interno de cinco colunas que não mereceu nem uma retranca – que é como os jornalistas chamam os textos com títulos independentes – auxiliar.

Fora do eixo mais diretamente envolvido pela baixaria de Barbosa, ainda não se conhecem as reações da turma de plantão na escolta dos interesses mais gerais da classe dominante, os dragões da Editora Abril. Ex-diretor do Estadão, o jornalista Augusto Nunes não parece ter-se interessado em teclar uma única linha sobre o caso. Com uma trajetória na imprensa infinitamente mais modesta, o centurião civista Reinaldo Azevedo vai lançando mão da tática do avestruz – cabeça enfiada num buraco para nada enxergar – e segue em frente. Os demais colunistas da mídia tradicional estão como ele.

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Joaquim Barbosa comete agressões em série

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Desta vez, foi um jornalista do Estado de S. Paulo. Antes, foram os colegas Eros Grau, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello; quem mais o “menino pobre que mudou o Brasil”, segundo Veja, ainda agredirá?

247 – Agosto de 2008. No intervalo de uma sessão do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, se dirige ao ex-colega Eros Grau. “Não gostei do que você escreveu na decisão”, disse para Eros, elevando o tom de voz. “O senhor é burro, não sabe nada. Deveria voltar aos bancos e estudar mais. Isso penso eu e digo porque tenho coragem. Mas os outros ministros também pensam assim, mas não têm coragem de falar. E também é assim que pensa a imprensa”, continuou Barbosa, com o dedo em riste, já sinalizando que o posicionamento dos meios de comunicação influenciava seus pontos de vista. O clima azedou a tal ponto que Eros Grau resgatou uma passagem obscura da biografia de Barbosa: um boletim de ocorrência registrado pela ex-mulher, que quase impediu sua nomeação ao Supremo. “Para quem batia na mulher, não seria estranho que batesse num velho também”, disse Grau aos colegas.

Abril de 2009. Joaquim Barbosa se dirige ao também colega Gilmar Mendes e o acusa de estar “destruindo a credibilidade” do Judiciário brasileiro. Mais uma vez, ele sinaliza que se pauta pela chamada opinião pública e insta Gilmar a sair às ruas. Naquele momento, faltou pouco para que Barbosa não recebesse uma censura do próprio STF. Para entender mais, veja reportagem do Jornal da Globo:

Novembro de 2012. O ministro Barbosa agride o colega Ricardo Lewandowski, acusando-o de obstrução de justiça. Carlos Ayres Britto intercede e impede a briga física. Assista:

Em outra agressão, Barbosa acusa Lewandowski de atuar como advogado de defesa. Assista:

Marco Aurélio Mello também não foi poupado das agressões de Joaquim Barbosa:

Agora, foi a vez de Felipe Recondo, jornalista do Estado de S. Paulo. Quem será o próximo do “menino pobre que mudou o Brasil”, segundo uma capa recente da revista Veja?

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Presidente da AMB recua e ameniza críticas a Barbosa

: Ao 247, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Nelson Calandra diz que entidade tem “profunda confiança e respeito” pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa; segundo ele, o ministro “tem um modo pessoal de se pronunciar” e a Associação respeita esse direito; a AMB, junto com mais duas entidades, assinou nota contra declaração de Barbosa de que a magistratura teria mentalidade pró-impunidade; texto chamou a afirmação de “preconceituosa”, “superficial” e “desrespeitosa”

 

 

Gisele Federicce _247 – Num tom bem mais ameno do que o usado na nota das entidades de magistrados do País divulgada no fim de semana (leia aqui) contra uma declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, garantiu, em entrevista ao 247, que o texto “não se volta contra o ministro Joaquim Barbosa”, mas sim “visa esclarecer à população no sentido de que a magistratura não é retrógrada e não pretende nenhum retrocesso para o País”.

O documento chama de “preconceituosa”, “superficial” e “desrespeitosa” a comparação feita por Barbosa entre os juízes brasileiros, quem, segundo ele, teriam uma mentalidade pró-impunidade, e os integrantes das carreiras do Ministério Público, que seriam “rebeldes”. Os adjetivos usados no texto, porém, não foram repetidos por Nelson Calandra, que admitiu, com cautela, que “faltou sensibilidade” a Barbosa ao fazer a afirmação. Segundo ele, o presidente do STF é “um grande cidadão brasileiro” e a AMB tem “profunda confiança e respeito” por ele.

Questionado se não considerava a declaração “preconceituosa”, como acusou o comunicado dos magistrados, o presidente da AMB respondeu, novamente com cuidado: “Eu acho que parte de um conceito previamente estabelecido, mas eu não usaria essa palavra, até para não confundir com outras questões”. Calandra acrescentou ainda que Barbosa “tem um modo todo pessoal de ver as coisas, de se pronunciar. E nós defendemos o direito que ele tem de emitir suas opiniões”.

Nelson Calandra deixou claro que o objetivo da categoria de magistrados não é atacar o ministro, pelo contrário, apoiá-lo. “A magistratura não pretende adotar antagonismo ao Joaquim Barbosa, somos parceiros em qualquer inovação. Não somos promotores. Queria destacar nossa confiança e respeito pelo ministro. Nosso objetivo jamais é atacar o ministro, mas colaborar para que seus propósitos possam ser concretizados dentro de uma sociedade de direito”, declarou.

Isolacionismo

Na nota, além da AMB, a Associação dos Juízes Federais do Brasil e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho acusam Barbosa de tomar decisões importantes na área jurídica sem consultar as entidades de classe, um “isolacionismo” do presidente do Supremo, que, segundo o texto, “parte do pressuposto de [Barbosa] ser o único detentor da verdade”. Calandra confirma que as associações têm pouco diálogo com o ministro e que aguardam uma audiência com ele desde o ano passado.

“É fundamental que se ouça as pessoas antes de se colocar uma regra em prática. É isso que faz o parlamento e o próprio STF”, afirmou Calandra. Questionado se a atitude poderia ser considerada como “isolacionismo”, ele declarou que “cada um tem o seu próprio jeito, e o jeito dele é sem ouvir as entidades de classe. E quando dizemos que isso não é bom, dizemos olhando para a história da magistratura”. Tal comportamento, segundo ele, é diferente do demonstrado pelos antecessores de Barbosa, como Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso.

Mas o presidente da AMB acredita que esta é uma divergência pontual e que, na realidade, não há conflito com o presidente do Supremo. “Nas palavras, pode ser que surja um aparente conflito, que não é real. No fundo, tenho a impressão de que nós vamos superar esse episódio. Queremos estar próximos dele. É um grande cidadão brasileiro. Nossas divergências são pontuais”, concluiu.

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Prossegue, na mídia, o culto a Joaquim Barbosa

: Pela primeira vez na história, um presidente do STF foi repreendido por associações que representam 100% dos juízes brasileiros. O motivo: o palavreado “desrespeitoso” e “preconceituoso” de Barbosa em relação aos próprios magistrados. Aconteceu no sábado e só hoje, 72 horas depois, a briga chegou aos meios de comunicação tradicionais, mas Barbosa é apresentado como vítima de juízes que querem manter seus privilégios. Afora isso, os aplausos que o ministro recebeu em Trancoso (BA), ao lado da namorada Handra, que presta concurso para o STF, continuam rendendo notas nas colunas sociais

6 de Março de 2013 às 05:34

 

247 – Nunca antes na história deste país três associações de magistrados se juntaram para protestar contra as atitudes e as palavras de um presidente do Supremo Tribunal Federal. Aconteceu neste sábado, quando Nelson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Nino Oliveira Toldo, presidente da Associação de Juízes Federais (Ajufe), e Renato Henry Sant’anna, presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) soltaram uma nota duríssima contra Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal. O motivo: segundo Barbosa, juízes brasileiros têm mentalidade “pró-impunidade”. A resposta: segundo os juízes, Barbosa foi preconceituoso, generalista, superficial e desrespeitoso (leia mais aqui).

O caso, gravíssimo, que abre uma fissura no Judiciário, demorou 72 horas para chegar aos meios de comunicação tradicionais e hoje tanto o Estado de S. Paulo como o Valor Econômico, dos grupos Globo e Folha, noticiam a briga, de forma relativamente discreta. No entanto, mais uma vez, Joaquim Barbosa é tratado como herói. Segundo o Valor, os juízes não teriam ficado indignados com a declaração do chefe do Judiciário de que são cúmplices da impunidade. Estariam, segundo o jornal, apenas incomodados com a agenda de Barbosa no STF, que corta privilégios dos membros do Judiciário.

Afora isso, o passeio de Barbosa em Trancoso, ao lado da nova namorada, a advogada Handra, de 24 anos, continua rendendo notas nas colunas sociais. Segundo Sonia Racy, do Estadão, quem já conversou com Handra, que presta concurso para trabalhar justamente no STF, garante: “ela é inteligentíssima”.

Leia, abaixo, a nota de Sonia Racy:

Novo amor

Na noite de sexta-feira, durante a apresentação do Festival de Música em Trancoso, ainda se falava do sucesso que o ministro Joaquim Barbosa fez na sua aparição pela festa. Ele estava acompanhado de sua namorada, uma advogada de 24 anos, de Rondônia. Os dois andaram de mãos dadas pela cidade e foram vistos jantando no restaurante Maritaca.

A namorada do presidente do Supremo fez faculdade de direito no Balneário Camboriú (SC) e hoje está prestando concurso para trabalhar justamente no STF.  Seu nome é Handra.

E onde Barbosa conheceu Handra? Em uma banca de revistas no Rio, no Leblon. Em frente à farmácia Piauí. A moça se apresentou e se disse sua fã. Quem a conheceu atesta ser ela inteligentíssima.

E confira também a reportagem do Valor Econômico:

Barbosa enfrenta cerco corporativista dos juízes

Formalmente, as associações dos Juízes Federais (Ajufe), dos Magistrados Brasileiros (AMB) e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) alegam que o motivo para a ruptura foi uma comparação, segundo elas, indevida que teria sido feita por Barbosa entre juízes e membros do Ministério Público. Os primeiros seriam, na visão do presidente do STF, mais conservadores e pró-impunidade, enquanto os segundos seriam rebeldes e contra o “status quo”.

A comparação foi feita durante conversa de Barbosa com correspondentes estrangeiros, na última quinta-feira, e motivou uma nota de repúdio das três associações, com dez itens críticos a Barbosa, que vão desde acusações de que ele seria preconceituoso, generalista e superficial até de que ele estaria isolado perante a magistratura.

Mas, por trás das queixas públicas dos juízes, há uma agenda da Presidência do STF que desagrada as entidades da magistratura. Depois de reduzir os patrocínios privados a eventos de juízes em até 30% dos custos totais, Barbosa pretende limitar as férias anuais de 60 dias da magistratura.

Na pauta de hoje do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), há outro tema polêmico envolvendo a conduta dos magistrados: a contratação de procuradores da Fazenda para auxiliar os gabinetes dos juízes em processos tributários. Como esses procuradores tendem a ser mais favoráveis ao Fisco, o risco é o de que a ajuda técnica que eles prestam aos magistrados faça com que o contribuinte seja desfavorecido nas decisões. Esse tema deve ser regulamentado, hoje, pelo CNJ, sob a Presidência de Barbosa, numa decisão que pode indicar que o juiz que tem representantes da Fazenda em seu gabinete estaria cometendo uma infração disciplinar.

O presidente do STF e do CNJ também pretende entregar ao Congresso um novo projeto para o Estatuto da Magistratura e aqui o problema, segundo as entidades, é que elas não foram convocadas para discutir as novas regras que vão valer para toda a categoria dos juízes. Na sexta-feira, Barbosa criou uma comissão interna no STF com a missão de estudar um novo estatuto.

De maneira geral, as associações de juízes reclamam que não estão sendo ouvidas por Barbosa antes da tomada de decisões importantes como essas. Internamente, elas reclamam que o presidente do STF e do CNJ é bem diferente dos seus antecessores e não tem recebido os presidentes da AMB, da Ajufe e da Anamatra.

De perfil conservador, o presidente da AMB, Nelson Calandra, sempre teve as portas abertas durante a Presidência de Cezar Peluso no STF, entre 2010 e abril do ano passado, período em que ambos se reuniam constantemente. Já Carlos Ayres Britto trouxe o ex-presidente da AMB Mozart Valadares e o ex-presidente da Ajufe Fernando Mattos – ambos de perfil mais progressista – para trabalhar como seus auxiliares diretos. Com isso, nos sete meses em que esteve à Presidência do STF, Britto garantiu uma boa interlocução com essas entidades. Valadares e Mattos foram articuladores do movimento que levou à aprovação da Lei da Ficha Limpa.

A Assessoria da Presidência do STF informou que Barbosa não pretende responder à nota em que as entidades acusaram-no de isolamento. Segundo assessores do ministro, a sua visão a respeito do Judiciário está em dois discursos recentes. Primeiro, o de sua posse na Presidência do STF, em novembro, quando defendeu juízes mais independentes e menos suscetíveis a pressões políticas. “Gastam-se bilhões para o bom funcionamento da máquina judiciária, mas o Judiciário que aspiramos a ter é sem firulas, floreios ou rapapés”, afirmou, na ocasião. Segundo, o discurso de abertura do Ano Judiciário, em fevereiro, quando afirmou que “um dos nossos grandes desafios é consolidar um Judiciário neutro, alheio a práticas estruturais e injustas”.

1 Comentário

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  1. - IP 187.70.146.182 - Responder

    Estremilique contra Repórter por um Usurpador de Cargo de Juiz arrumado com Quota Pulhítica

    O “estado” lastimável do deslavado farsante-capataz-capanga, um malfadado “quotista” poupador do chefeta do Mensalão, ao ter de enfrentar umas horinhas de trabalho .. ..

    http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/03/va-chafurdar-no-lixo-diz-presidente-do-stf-
    reporter.html

    (imagina um trabalhador depois de um dia inteiro de batente ainda ter de encarar um trem superlotado —

    sem dúvida mataria o lularápio que ROUBOU o Brasil (os professores, e todos) por 10 ANOS SEGUIDOS).

    A farsa tá ficando difícil de ser tapada com fachada de “heróizinho” pintado com ‘blindagem’ de racismo pulhítico.

    O “estremelique’ é por ter de dar as caras no STF pra, pelo menos, passar a impressão de que é “juiz”– porque a gente lembra que a dele era a de barriga encostada em birosca de cachaça (onde foi “achado” pelo “divino-espírito-de-porco-mentiroso”, enfincador de poste nas costas dos brasileiros).

    Imaginem se um garoto, ou garota, é um repórter-estagiário, estudante, e dá com uma COVARDIA DESSA, dum crápula desse tipo (totalmente deslocado da competência da função que usurpa)?

    E agora correm a botar um brasileiro de pele escura no TST para passar os falsos e remendados panos quentes na cara do povo.

    É hora de os que são descendentes dos que vieram de navios de escravos para o Brasil lembrar

    que CAPATAZES NEGOS açoitavam a própria raça em troca de covarde e vil interesse.

    E antes que os enganados por uma pulhítica racista se prestem a um pedantismo chulo que lhes tira o realce da dignidade do que são, fique claro que, melindrarem-se com o termo “NEGO” é uma desonra contra si próprios, pois embora a cultura e a lingua tenham sido desgraçadas nesses últimos 10, 12 anos, temos a saber que cabe à África ter-se o termo histórico “Negus”.

    Gostaríamos também de fazer valer a lei da liberdade de expressão (já que um elemento que foi botado como “juiz” de araque no STF e estupidificou o cargo contra um repórter); porque ao tentar-se postar em blogs — isso que ocorreu no Brasil — a resposta a tamanha falta de caráter de um elemento vestido de juiz voltado contra um repórter (pois imaginava que seria perguntado sobre o caso do seu chefeta com uma “Rose”), uma “censura” pilantra imediatamente começou a meter também a mão na “Balança” civil de nossos direitos.

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