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Alguma coisa está fora da ordem

CARLOS FÁVARO NA SEMA É A RAPOSA CUIDANDO DO GALINHEIRO: Agora, com essa surpreendente decisão do governador Zé Pedro Taques de nomear um ruralista para cuidar da Sema, como reagirá a promotora Ana Peterlini, que já deve ter voltado à função de fiscal do cumprimento das leis quanto à proteção do nosso Meio Ambiente? Certamente que há instrumentos na legislação para questionar esta decisão. Se o coitado do Moacir Pires, lá atrás, representou uma ousadia de Blairo Maggi, que dirá esta cartada do Zé Pedro. Com uma Assembleia de caititus, ao molde do Riva, e uma mídia complacente, ao modo do Éder, sempre haverá aplausos para quem comanda mas vacila no Paiaguás, detendo a chave do cofre. Restaria-nos o MP. Mas já se viu o MP que nós temos. Será que a banda menos midiática do MP, de Domingos Sávio Arruda e Luis Scaloppe, vai também se calar vendo os pretensos depredadores avançarem cheios de gana sobre as estruturas de nosso Meio Ambiente, abençoados pelo governador Zé Pedro?

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Alguma coisa está fora da ordem

Zé Pedro Taques e Carlos Fávaro

Zé Pedro Taques e Carlos Fávaro


Fávaro é a raposa
Por Enock Cavalcanti
Meus amigos, meus inimigos: passado um ano e tanto, o que tivemos de bom, no governo do Zé Pedro Taques, além das prisões de alguns malandros estaduais? Claro, houve aquele grupo de malandros que Zé Pedro colocou debaixo de sua asa.  Sobra empáfia mas o governo do Zé Pedro continua sendo basicamente uma expectativa.
Veja a Secretária do Meio Ambiente. O que tivemos ali foi uma patacoada,  já que a promotora Ana Peterlini simplesmente era a mulher que não deveria estar lá.
O que fez Peterlini, na Sema, à luz do que decidiram os ministros do STF, além de descuidar das suas responsabilidades como membro do Ministério Público? Carimbou papéis, garantiu pagamento dos salários, permitiu a queima de caminhões de madeireiros que poderiam ter outra utilização no interesse de nosso povo – e o que mais? As queimadas parecem mesmo incontroláveis.
Agora, com essa surpreendente decisão do governador de nomear um ruralista para cuidar da Sema, como reagirá Peterlini,  que já deve ter voltado à função de fiscal do cumprimento das leis quanto à proteção do nosso Meio Ambiente?
Certamente que há instrumentos na legislação para questionar esta decisão. Se o coitado do Moacir Pires, lá atrás, representou uma ousadia de Blairo Maggi, que dirá esta cartada do Zé Pedro. Com uma Assembleia de caititus, ao molde do Riva, e uma mídia complacente, ao  modo do Éder, sempre haverá aplausos para quem comanda mas vacila no Paiaguás, detendo a chave do cofre. Restaria-nos o MP. Mas já se viu o MP que nós temos.
Será que a banda menos midiática do MP, de Domingos Sávio Arruda e Luis Scaloppe, vai também se calar vendo os pretensos depredadores avançarem cheios de gana sobre as estruturas do Meio Ambiente, abençoados pelo governador Zé Pedro?
Sojicultor emérito e agora cacique partidário, Carlos Fávaro, entronizado no comando da Sema, nos leva de volta à história, tão repetida e sempre tão angustiante, da raposa colocada para cuidar do galinheiro. Fávaro é a raposa – e nossas reservas naturais, ao que tudo indica, farão o papel das galinhas, em meio a esta decisão pouco refletida do governador tucano. Ou será o vice capaz de construir roteiro menos viciado? Difícil imaginar, já que a prática é o critério da verdade – e a prática do senhor Fávaro tem sido trabalhar para que o território mato-grossense se transforme em meio de produção privilegiado para lavouras de alta escala, visando a exportação, e visando principalmente os dólares, que fazem milionárias poucas famílias que vão sequestrando as áreas agricultáveis de nosso território.
Preocupação com o envenenamento da Natureza pelos agrotóxicos? Cuidado com nossos mananciais aquíferos? Ampliação dos espaços para a agricultura familiar em face da soja? Pacificação dos conflitos rurais, com a acomodação dos sem terra? Devolução das áreas públicas griladas por alguns grandes produtores?
Imagino que o plano de ação de Fávaro terá pouco a ver com as preocupações dos ambientalistas, dos trabalhadores rurais, e outros setores conscientes da sociedade.
Lembro que Dante de Oliveira, no passado, teve a sacada de apostar na capacidade administrativa do Sérgio Guimarães que, desde então, se transformou em uma referência nacional e internacional nessa área ambiental tão conflitada.
Zé Pedro sacou o nome do Fávaro porque tem se concentrado cada vez mais na panelinha que o cerca. Com a panelinha dos promotores, a gente já viu no que deu. O fato é que a raposa está no galinheiro.
 
 
 
Enock Cavalcanti, jornalista, é editor de Cultura do Diário de Cuiabá
 

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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

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Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

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Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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