Duas notas tratam da Operação Terra Prometida, nesta sexta (28). A Fiagril sai em defesa de seu “chairman of the board”, Marino Franz, e nega possuir imóvel em área de assentamento. E garante que Franz, em 35 anos,teve seu trabalho reconhecido no âmbito nacional e internacional. Já o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra aplaude ação da Polícia Federal em Itanhangá e pede mais: “Lamentamos que também não seja feita na Gleba Marzagão, em Rosário Oeste, onde o grupo do rei da soja (estão falando de Eraí Maggi?) e políticos do DEM e PSD ocupam as terras com soja enquanto um acampamento de trabalhadores rurais espera há mais de 6 anos que a área seja dividida pelo Incra”

operação terra prometidaEm nota divulgada nesta sexta-feira (28), a empresa Fiagril comenta a Operação Terra Prometida e nega possuir imóvel em área de assentamento. A Fiagril também defende o presidente do seu conselho administrativo, o empresário e ex-prefeito Marino Franz, lembrando que a sua carreira construída nos 35 anos de Mato Grosso foi pautada pela seriedade, ética e responsabilidade social, tendo o seu trabalho reconhecido no âmbito nacional e internacional, como servidor público, empresário e agricultor. Leia a íntegra:
NOTA OFICIAL A IMPRENSA

A Fiagril, empresa do ramo do agronegócio, fundada há 27 anos, tendo em seu quadro mais de 600 funcionários, com atuação nos estados de Mato Grosso e Tocantins, citada na operação “Terra Prometida”, desencadeada pela Polícia Federal no último dia 27 de novembro de 2014, esclarece que:

1- Atua na atividade de vendas de insumos agrícolas e recebimento de grãos no município de Itanhangá/MT, onde possui um armazém em uma área de 7,5 hectares, adquirido no ano de 2011, da mesma forma que atua em vários municípios da região do médio norte de Mato Grosso e no estado de Tocantins;
2- Não financia qualquer negócio relacionado com a compra e venda de terras;
3- Não recebe terras em pagamento de dívida;
4- Não possui imóvel rural no projeto de assentamento no município de Itanhangá/MT;
5- Aplica em seu modelo de gestão as melhores práticas de governança corporativa, e suas atividades são auditadas por empresa de conceito internacional;
6- O Senhor Marino José Franz, Presidente do Conselho de Administração da Fiagril, também não financia qualquer negócio relacionado com compra e venda de terras;
7- O Senhor Marino José Franz, não possui terras no projeto de assentamento no município de Itanhangá/MT; e
8- O Senhor Marino José Franz construiu ao longo dos últimos 35 anos no Estado do Mato Grosso, uma história de vida pautada pela seriedade, ética e responsabilidade social, tendo o seu trabalho reconhecido no âmbito nacional e internacional, como servidor público, empresário e agricultor.

A Fiagril repudia veementemente todos os fatos infundados atribuídos à Empresa e ao Senhor Marino José Franz.

Conselho de Administração

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O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, de Mato Grosso, também divulgou nota sobre a Operação Terra Prometida, nos seguintes termos:

Nota pública a sociedade

O MST vem a público reconhecer a importante ação da Polícia Federal e da Justiça Federal para desmontar o esquema mafioso e criminoso que o agronegócio executa em Mato Grosso para grilar terras públicas da União e terras devolutas do estado.
O agronegócio se utiliza das mais variadas formas de violência física e psicológica contra os mais distintos povos do campo (pequenos agricultores, quilombolas, indígenas, etc) para avançar sobre os territórios.
Lamentamos que essa ação também não seja feita nas terras da Gleba Marzagão, que é terra da União no município de Rosário Oeste, onde o grupo do rei da soja e políticos do DEM e PSD ocupam as terras com plantios de soja enquanto um acampamento de trabalhadores rurais espera mais de seis anos que a área seja dividida pelo INCRA.
O MST sempre foi contra a venda de lotes da reforma agrária e sempre denunciou essa prática. Desde 2006, o MST sofre ameaças por parte de compradores de terras, através de recados indiretos e por terceiros, que obrigaram seus dirigentes a recuar nas denúncias.
O INCRA deveria fazer a fiscalização, mas acaba sempre reconhecendo o comprador, dizendo que está dentro dos critérios da clientela da reforma agrária, através de servidores corruptos e ou por omissão.
Porém, na maioria das vezes, os lotes vão para nomes de parentes ou mesmo laranjas, que pagam de duzentos a quinhentos mil reais para comprar um lote, que é destinado a não beneficiários da reforma agrária.
O Mato Grosso tem mais de 3 milhões de hectares de terras públicas da União, que estão sendo apoderadas pelos principais grupos políticos e econômicos do agronegócio. Todas as grandes empresas do agronegócio no estado têm atuação em terras públicas da União e terra devolutas.
O Mato Grosso não tem nenhum proprietário com mais de 100 mil hectares de terras registrado em seu nome, porém, os reis da soja plantam mais de 200 mil hectares dizendo ser em terras arrendadas. Muito estranho com esse boom da soja os proprietários preferirem arrendar suas terras.
A Justiça Federal e a Polícia Federal precisa fazer uma fiscalização nesses contratos, para que possamos saber o quanto são feitos por pessoas verdadeiras e quantos são apenas contratos fantasiosos.
Nosso povo sem terra, os verdadeiros beneficiários da reforma agrária, estão passando em média oito anos em acampamentos na beira de estrada para conseguir um lote de 20 hectares, enquanto os barões da soja se apropriam de forma criminosa de dezenas de milhares de hectares, utilizando até de assassinatos.
O MST tem o compromisso de continuar a luta por uma verdadeira reforma agrária em nosso país. Continuar a luta contra essas práticas de apropriação indevida e criminosa dos bens da natureza (terra, água, florestas e minérios).
Vamos continuar a luta por um outro modelo de produção, baseado na agroecologia, na preservação do meio ambiente, na produção de alimentos saudável sem a utilização de venenos.
Continuaremos a luta para que os bens da natureza estejam em função do bem-estar de toda a sociedade brasileira, em vez de atender apenas a ganância do agronegócio por mais lucro, sem se importar minimamente com a saúde física, psíquica e ambiental da sociedade brasileira

Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!

28 de novembro de 2014.

Direção Estadual MST MT

1 Comentário

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  1. - IP 191.33.160.211 - Responder

    essa cidade, lucas do rio verde, é pequena mas, pelo jeito, além de grandes negócios, acomoda grandes escândalos. depois da cooperlucas, surge esse agora.

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