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Dinheiro na mão é vendaval

Renda de servidores aumenta 20% em oito anos, contra 7% no setor privado

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Renda média de servidores públicos aumentou 20% nos últimos 8 anos, contra 7% no setor privado
Jana Pêssoa/Setas

Renda média de servidores públicos aumentou 20% nos últimos 8 anos, contra 7% no setor privado

Enquanto a renda média dos funcionários públicos no Brasil subiu 20,4% entre o início de 2012 e o fim de 2020, a dos profissionais com carteira assinada do setor privado, aumentou apenas 7,1%.

A diferença no avanço dos rendimentos é ainda maior ao comparar os salários médios do quatro trimestre de 2020. Os servidores ganharam, em média, 76% mais do que os trabalhadores do setor privado.

Os números foram levantados pela consultoria IDados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do IBGE, com coleta do primeiro trimestre de 2012 até o último trimestre de 2020.

Os militares e estatuários (servidores por concurso público) também registraram alta em seus salários, de 13,1% no período.

Diferença aumenta na pandemia

A diferença salarial entre os setores é antiga, vem aumentando e deve ficar ainda maior na pandemia. Entre os motivos, o pesquisador da IDados Bruno Ottoni aponta o fato de os funcionários de empresas privadas sofrem com demissões e redução salarial, especialmente nos momentos de reestruturação de setores econômicos, enquanto os servidores mantêm a estabilidade, com correção monetária e ajustes de salário.

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Esta disparidade deve ficar mais evidente nas próximas pesquisas. Em 2020, o governo criou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), que permitia às empresas acordos de redução e suspensão de jornada com seus funcionários para conter as demissões na pandemia. Uma reedição do programa está sendo desenhada pelo governo e deve ser lançada em breve.

Especialista defende redução temporária no setor público

Para Ana Carla Abrão, sócia da área de serviços financeiros e setor público da Oliver Wyman no Brasil, até que aconteça uma reforma administrativa, o BEm deveria ser aplicado ao setor público também – para todos, reforça. Contudo, ela explica que o Judiciário se esquiva e o Congresso rechaça a ideia diante da pressão dos sindicatos.

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“Além da estabilidade , as promoções no setor público acontecem automaticamente , independentemente do cenário econômico e produtividade. É quase uma imoralidade com esse colapso”, diz Ana Carla.

Ela afirma que dentro do funcionalismo público também há grandes diferenças e pondera que, na prática, o programa de redução de salários e jornada talvez afetasse apenas quem está na ponta mais vulnerável, como professores, policiais e médicos, que acabariam trabalhando a mesma carga horária por menos.

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“A desigualdade dentro do setor público também é imoral. Quem atende na ponta ganha mal. E quem está na outra ponta ganha salários altos e está protegido de qualquer choque”.

O professor de direito público da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas, Leopoldo Soares, também acredita que este hiato vai aumentar. Enquanto a reforma não vem, ele defende para este momento o corte de despesas como auxílio-paletó e moradia, os quais poderiam ser reduzidos com mais agilidade e seria significativo para o gasto público.

“É muito mais difícil mexer nos rendimentos do servidor do que no âmbito privado, mesmo com todas as regras da CLT, porque se você mexe no funcionalismo público é um efeito cascata que afeta todos, inclusive o alto escalão. No privado, não tem esta lógica”, diz Soares, que é também coordenador do curso de direito da universidade.

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“Ou acionistas da Petrobras, ou caminhoneiros”, diz Chorão sobre Bolsonaro

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Wallace Landim, Chorão, líder caminhoneiro
Reprodução/Facebook

Wallace Landim, Chorão, líder caminhoneiro

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, deu prazo de 15 dias para o presidente Jair Bolsonaro decidir se irá favorecer os caminhoneiros ou acionistas da Petrobras. A declaração foi dada em entrevista ao portal UOL , nesta segunda-feira (18).

Líder dos caminheiros, Chorão, como é conhecido, disse que o preço do diesel nas bombas prejudica a categoria e prometeu entrar em greve a partir de 1° de novembro. A proposta também foi aprovada por outras lideranças em assembleia realizada neste fim de semana.

“Chegou uma hora que o governo do presidente Jair Bolsonaro precisa escolher. Ou os acionistas, ou os caminhoneiros e a classe média. Ele tem 15 dias para escolher”, disse Landim.

Na entrevista, Chorão acusou o Palácio do Planalto de não atender as demandas de caminhoneiros e ironizou as críticas de Bolsonaro sobre o ex-presidente Michel Temer, que enfrentou a paralisação em 2018.

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“Durante a campanha política para presidente ele falava mal do Temer. E hoje ele está lá e não está fazendo nada. É isso que a categoria esta observando”, afirmou.

O líder dos caminhoneiros também questionou a fala de Jair Bolsonaro sobre a privatização da Petrobras. Após uma declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, Bolsonaro colocou a estatal na lista de possibilidade de venda.

“A gente vê o presidente jogando na mídia a privatização da Petrobras isso é, no meu ponto de vista, para causar polemica. É para tirar a responsabilidade de si”, afirmou ao UOL .

“Por isso que eu tenho certeza que dessa vez sai. E eu torço para que o governo subestime mesmo. Se eles querem subestimar, eu acho legal da parte dele”, concluiu Chorão.

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