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Dinheiro na mão é vendaval

R$ 150, R$ 250 e R$ 375: como as famílias estão se virando com o auxílio cortado

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15 milhões de brasileiros saíram da pobreza com o auxílio emergencial em 2020, segundo a FGV
Agência Brasil

15 milhões de brasileiros saíram da pobreza com o auxílio emergencial em 2020, segundo a FGV

O auxílio emergencial , benefício que foi a luz no fim do túnel para milhões de brasileiros no ano passado, pode ser o último respiro neste ano. Em 2021, os valores pagos pelo governo para o novo auxílio foram cortados. Se o benefício original era de R$ 600 ou R$ 1.200 para mães solteiras, agora ele está longe disso: caiu para R$ 150, R$ 250 ou R$ 375, dependendo da composição familiar.

A expectativa é que, com a redução do valor das parcelas do auxílio , o Brasil tenha 61,1 milhões a mais na linha da pobreza  (renda inferior a R$ 469 por mês). Em 2020, o valor de R$ 600 foi responsável por tirar 15 milhões desse patamar.

Além disso, 19 milhões devem entrar para a extrema pobreza (renda inferior a R$ 162 mensais), aponta a pesquisa do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP).  

Para 38% dos brasileiros das classes CDE, o auxílio emergencial foi a principal fonte de renda. Fora que para 17% das pessoas nunca sobra dinheiro, e 10% alega falta de dinheiro para cumprir suas obrigações mensais, mostra pesquisa encomendada pelo Banco PAN, em parceria com o Instituto Plano CDE. 

O corte médio no benefício foi de aproximadamente 50%, sendo que em 2020 a inflação foi de 4,52%, e afetou principalmente os mais pobres. Isso porque, segundo a FGV, o arroz e o feijão subiram 60% , e a cesta básica 23,2%, puxando o índice para cima.

Como os beneficiários estão se virando com os valores menores em 2021?

Faixa de R$ 150

Um dos beneficiários que teve a renda emergencial reduzida de R$ 600 nos quatro primeiros meses, para R$ 300 no final de 2020 , e agora recebe R$ 150 é Igor Ferreira. Vendedor em uma loja de informática antes da pandemia, ele foi demitido no início de 2020 e conta que “apesar de ser um dinheiro que não entrava nas contas, ajudava muito a fazer o ‘sacolão'”.  

Questionado sobre o que faz com os R$ 150 do auxílio em 2021, ele conta que “Eu uso o benefício para comprar batata, inhame, alface, maçã, banana, mas acaba nem sobrando para carne. O que salva é o cartão da prefeitura para os alunos da rede pública, no valor de R$ 500”, conta o morador de Niterói (RJ).

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Faixa de R$ 250

Sandra Costa, também de Niterói, atualmente está desempregada, e atua no mercado informal fazendo “bico”. Ela disse que recebeu R$ 600 no ano passado, e neste ano teve o benefício cortado para R$ 250. 

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“Esse corte afetou muito minha rotina. O custo de vida está cada vez mais caro, a alimentação só aumenta e as contas não param de chegar. A redução foi enorme, ano passado conseguia pagar a conta de luz e de água, esse ano já não tem como, muito mal pago a de água”, conta.

Sobre o atraso do governo para voltar com o benefício devido ao entrave na Lei Orçamentária Anual (LOA), ela lembra que “com os 4 meses parados, não deu para guardar nada.”

“Não sobrou nada do ano passado, porque você tem que se alimentar, se vestir, se calçar. Além disso, eu não tive nenhuma conta adiada, a companhia de energia só adiou depois que eu entrei com processo” conta.

Faixa de R$ 375

Inamar Peres, de Niterói, é mãe e chefe de família e integrante do programa  Bolsa Família , então recebeu em 2020 o maior valor, de R$ 1.200, e agora viu a renda emergencial cair para R$ 375.

“Ano passado era bem mais confortável, conseguia comprar uma carne , um gás , pagar uma conta, mesmo que não desse para guardar nenhum dinheiro”, comenta ela sobre o período em que recebeu R$ 1.200.

“Já este ano, com a redução, nem para conta sobra, uso o auxílio só para o básico do básico”, completa.

Diante disso, o que fazer com o dinheiro?

“Muitas contas podem ser postergadas, como está acontecendo em relação a água e energia; outras devem ser repensadas e ainda tem as que devem ser renegociadas, como pode ocorrer no caso de aluguéis. Pontos como TV a Cabo, streaming, dentre outros devem ser eliminados, excessos também. Precisamos rever nossa vida totalmente, por mais que seja por apenas três meses. É preciso comprar apenas o estritamente necessário, nunca foi tão importante evitar desperdícios. Repensar costumes e vícios”, sugere o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEFIN), Reinaldo Domingos.

Ele complementa que “o valor pode não parecer muito em um primeiro momento, mas se for o que se tem, vai ter que se adequar e viver com isso. Tenha a certeza de que com planejamento e organização, é possível se adequar. Uma importante orientação é que, por mais que possa parecer difícil, tudo vai passar”, diz.

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Para quem está nessa situação é preciso pensar, em um primeiro momento, nas necessidades básicas em relação às despesas, viver numa operação de guerra. Pensando nisso, o presidente da ABEFIN orientou em relação a algumas ações que podem ser tomadas:

  • É fundamental nesse momento reunir a família, abrir a realidade e pensar em ações conjuntas de redução de gastos;
  • Este é o momento de focar na alimentação básica, sem luxos; opte pelos produtos básicos, com custos menores, e esqueça marcas e outras questões que possam elevar o preço;
  • Caso tenha, é fundamental proteger a reserva financeira, é preciso ter dinheiro, ele vale muito mais nesses momentos;
  • Avalie a possibilidade de postergar o pagamento de energia, água e gás, em muitos casos esses não serão cortados em função da crise;
  • Busque suspender pacotes de TVs a cabo e reduzir também os pacotes de telefone e Internet, mas é fundamental buscar por redução sem corte, porque essas ferramentas podem ser essenciais para trabalho ou procura;
  • Não comprar roupas e acessórios quaisquer neste momento, valorize o que já se tem;
  • Buscar por atividades que não envolvam custos, estando em casa buscar a capacitação é essencial;
  • Nada de comprar coisas que não sejam essenciais;
  • Em casos de dívidas, analisar individualmente e, se possível, suspender o pagamento ou renegociar as prestações, nada de gastar o pouco de reserva financeira que possa ter;
  • Exercite o desapego, busque por produtos em casa que possam ser vendidos em busca de arrecadar algum dinheiro, mesmo que seja baixo; para isso, use ambientes de venda online;
  • Busque o aprimoramento em sua atividade fim ou em um nova que esteja estudando atuar;
  • Faça sua inscrição em planos de desempregados ou programas de assistência a pessoas de baixa renda. Os governos locais e o próprio governo federal estão com programas emergenciais em função da pandemia;
  • Se for informal ou tiver MEI ou pequena e microempresa, busque linhas de apoio que o governo está oferecendo;
  • Se tiver cartão de crédito e faturas que não tenha como saldar ou que vão comprometer seu caixa e sua reserva, o melhor a fazer é ligar para o credor e dizer “devo, mas não posso pagar agora”, buscando a melhor solução;
  • Caso necessite fazer empréstimos, evite linhas como cheque especial e cartão de crédito, que possuem juros exorbitantes; e
  • Busque por uma possibilidade de renda, mesmo estando dentro de sua casa.

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Auxílio Brasil: programa pode começar com fila de espera; entenda

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Auxílio Brasil: programa pode começar com fila de espera
Divulgação/Ministério da Cidadania

Auxílio Brasil: programa pode começar com fila de espera

A brecha aberta pela mudança de última hora no texto da medida provisória (MP) que criou o  Auxílio Brasil para condicionar o pagamento do benefício ao orçamento coloca em xeque a promessa do governo de zerar as filas de espera.

Outra opção seria ampliar ainda mais o orçamento do programa, que pulou de R$ 34 bilhões, quando era Bolsa Família, para os atuais R$ 88 bilhões. A situação é grave: com a atualização das linhas de pobreza, ao contrário do que alardeia o governo, a tendência é de que o programa já comece com fila de espera.

O problema é que não há certeza sobre o tamanho desta fila. O governo não repassou essas informações, por exemplo, ao relator da MP do Auxílio na Câmara, o deputado Marcelo Aro (PP-MG).

A indefinição levou os deputados Felipe Rigoni (PSB-ES) e Tabata Amaral (PSB-SP) e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) a apresentarem um requerimento cobrando explicações do ministro da Cidadania, João Roma.

O governo afirmava que iria subir dos atuais 14,5 milhões de beneficiários para chegar a 17 milhões de beneficiários, o que atenderia, com folga, os 1,2 milhão de pessoas que estavam na fila do Bolsa Família em abril, mesmo mês em que o Auxílio Emergencial voltou a ser pago. Entretanto, o governo já trabalha com o Auxílio Brasil atendendo 17,9 milhões de famílias, um reconhecimento de que a fila era maior do que previsto anteriormente.

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Porém há dois grandes problemas, o número pode ser ainda maior. Segundo dados do próprio governo, disponíveis em painel do Ministério da Cidadania, em outubro de 2021, havia 31.451.055 famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), porta de entrada para os benefícios sociais.

O número de famílias classificadas como pobres ou extremamente pobres somava 18.127.778, e considerava as linhas de pobreza do programa Bolsa Família, que eram de R$ 89 per capita para a extrema pobreza e de R$ 178 para a pobreza.

Acontece que na aprovação da MP, a linha de pobreza foi corrigida para R$ 210 e a da extrema pobreza para R$ 105. Essa mudança tende a elevar o número de pessoas com direito ao benefício, fazendo com que o programa já comece com fila, ao contrário do que argumenta o governo e determinou o Supremo Tribunal Federal (STF), ao decidir que o pagamento da renda básica deve ser feito a todos os brasileiros que estejam enquadrados nas linhas de pobreza.

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Estimativas indicavam que o total de pessoas qualificadas a receber o Auxílio Brasil com as novas linhas de pobreza e extrema pobreza pode chegar a 21 milhões, ou talvez até um pouco mais disso. isso é muito acima da previsão do governo, que informou que gostaria de atender a 17 milhões de pessoas. E ainda há risco de o número ser pior, com a degradação econômica do país.

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Com 17,9 milhões de pessoas, o Auxílio Brasil custaria R$ 88 bilhões, um custo extra de R$ 54 bilhões em relação ao que é gasto com o Bolsa Família hoje. As contas internas do governo são de que um benefício para 21,6 milhões de pessoas, o que faria o custo subir para R$ 103 bilhões.

Sem fila e com informações

O deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) considera ser fundamental o mecanismo que impeça a formação de fila no Auxílio Brasil:

“É essencial não ter fila. O fato de não ter fila garante que qualquer pessoa que entre em estado de vulnerabilidade receba o Auxílio Brasil, o que dá pelo menos um colchão mínimo para a pessoa.”


Os parlamentares protocolaram requerimento de informações e cobram que o Ministério da Cidadania informe a quantidade de pessoas que recebiam o Auxílio Emergencial e não receberão o Auxílio Brasil, e quais as políticas sociais que o governo adotará para assistir essas pessoas.

“Tem muita gente que deixa de receber o Auxílio Emergencial e não voltará a receber o Auxílio Brasil. É um movimento natural pelo recuo da política pública, mas a gente precisa saber quantas são essas pessoas, e o que pode e está sendo feito para não deixá-las em estado de vulnerabilidade”, argumentou.

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