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Dinheiro na mão é vendaval

“É possível termos desabastecimento”, diz Bolsonaro

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Reprodução: iG Minas Gerais

“É possível termos desabastecimento”, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro conversou com apoiadores nesta quinta-feira (14) e ressaltou haver a possibilidade de o Brasil enfrentar desabastecimento por conta da falta de fertilizantes e materiais para produção de embalagens. 

“Teremos pela frente desabastecimento de fertilizantes. O agronegócio já sabe do problema, já aumentou em quase 100% [o preço do insumo]”, disse. “É possível, sim, termos desabastecimento. Já estamos tento aumento de preço em muitas coisas, embalagens, matérias-primas”, completou.

Bolsonaro citou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que o país não pode depender de “um só país”. “Se quiserem fechar a torneira acabou para nós. Não tem amizade entre os países, se querem ganhar mais é você que se vire”, finalizou.

Inflação

Bolsonaro defendeu que a inflação do país é sintoma global, e que outros países passam pelo mesmo problema já que a “economia é toda conectada”. “Os países da Europa, como o Reino Unido, estão com dificuldades, falta de alimento, inflação do gás lá 300%, e o pessoal reclama aqui”, declarou. 

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No entanto, um levantamento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que o Brasil está entre os piores países do G20 no quesito inflação, atrás apenas da Argentina e da Turquia. Em agosto, junto com o Reino Unido e a França, registrou a maior alta no indicador. 

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Os britânicos observaram alta de 0,9% em agosto, enquanto no Brasil e na França o salto foi de 0,7%. Em 12 meses, a inflação passou de 9% em julho para 9,7% em agosto no Brasil, enquanto na França subiu de 1,2% para 1,9%. Já no Reino Unido, a taxa avançou de 2,1% para 3%.

Fertilizantes

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina,  já havia alertado que o Brasil poderia sofrer com desabastecimento em 2022 . Segundo ela, a causa seria a falta de fertilizantes que impacta a economia global. 

A ministra disse que ocorreu uma “tempestade perfeita” com a alta do dólar, problemas na produção em fábricas da China e das sanções econômicas internacionais aplicadas na Bielorrússia, grandes fornecedores do insumo.

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“A pandemia desarrumou a economia mundial. Nós temos aí muitas variáveis que nos preocupam e a gente vem acompanhando isso muito de perto. Fertilizantes para esse ano e para a ”safrinha”, que começa a partir do fim de janeiro, isso está praticamente garantido porque os produtores já se anteciparam, já compraram e fizeram seus pedidos”, disse.

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Após divergências, Planalto adia lançamento do Auxílio Brasil de R$ 400

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Lançamento de programa que substituirá Bolsa Família foi adiado após desavenças entre equipe econômica e Palácio do Planalto
Agência Brasil

Lançamento de programa que substituirá Bolsa Família foi adiado após desavenças entre equipe econômica e Palácio do Planalto

O governo federal organizou e depois suspendeu a realização de um evento que marcaria o lançamento do Auxílio Brasil, programa social que irá suceder o Bolsa Família.

Nesta terça-feira, o Palácio do Planalto decidiu que o pagamento do benefício será de R$ 400 e parte dos recursos usados para custear o programa não respeitará o teto de gastos.

A decisão repercutiu mal no mercado, com forte queda da Bolsa, sob temor de que a situação fiscal do país se deteriore ainda mais.

O anúncio foi adiado porque ainda não está claro o desenho jurídico que irá permitir o pagamento de parte dos benefício de R$ 400 fora do teto de gastos. Isso será feito por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o pagamento de precatórios, despesas decorrentes de decisões judiciais.

A PEC seria votada hoje em comissão da Câmara, mas a análise foi adiada. O governo está negociando com o relator da PEC, deputado Hugo Motta (Republicamos-PB), e com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a melhor forma de inserir o auxílio na PEC.

A falta de uma defição sobre o assunto adiou o anúncio. Também não está finalizada a nova medida provisória (MP) do Auxílio.

Durante a tarde, integrantes do governo chegaram a confirmar a realização do evento. No Palácio, a estrutura para eventos no Salão Nobre chegou a ser montada. Entretanto, 30 minutos antes do horário previsto, o evento foi suspenso. Até mesmo os primeiros convidados que chegaram no local tiveram que ir embora.

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Insatisfação na equipe econômica

A decisão de pagar parte do Auxílio Brasil fora do teto de gastos desagradou a integrantes do Ministério da Economia e gerou um clima de desânimo e insatisfação. Assessores do ministro da Economia, Paulo Guedes, ponderam porém que a decisão foi uma “contenção de danos”, já que havia a possibilidade do auxílio emergencial ser renovado completamente em 2022.

Assessores do ministro também trabalham para “evitar o pior”, em suas palavras, do ponto de vista fiscal.

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Por outro lado, pelo menos por enquanto, não há uma rebelião da área técnica contra a ideia, o que não quer dizer que haja concordância e nem que não haverá baixas mais à frente, de acordo com fontes do governo. O espírito neste momento não é, porém, de demissões na equipe.

A decisão de criar uma alternativa para pagar o benefício fora do teto de gastos contrapôs duas alas do governo: a equipe econômica não queria desrespeitar a regra, enquanto a ala política defendia a medida.

Enquanto o governo suspendia o evento, os ministros Paulo Guedes, Ciro Nogueira e João Roma estavam reunidos na Câmara dos Deputados.

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O governo encaminhará ao Congresso Nacional uma nova medida provisória (MP) para efetivar a engenharia necessária para pagar o Auxílio Brasil de R$ 400 no próximo ano. A mudança também fará com que o benefício, que irá substituir o Bolsa Família, não fique mais atrelado à reforma do Imposto de Renda, como estava definido até agora.

Com a nova MP, a medida que já tramita no Congresso deve perder validade. O objetivo de propor uma nova medida provisória é transformar um programa permanente em temporário — até o fim de 2022, ano em que o presidente Jair Bolsonaro irá disputar a reeleição.

A equipe econômica, entretanto, teme que ao abrir a possibilidade de custear o valor do Auxílio Brasil com recursos de fora do teto de gastos, deputados abram espaço para usar recursos temporários também para emendas parlamentares. Com isso, o rombo de R$ 30 bilhões previstos para o pagamento do novo benefício pode aumentar.

As chamadas emendas de relator podem alcançar R$ 16 bilhões no próximo ano (até agora, não há valores definidos), de acordo com fontes que acompanham as negociações.

Uma parte do espaço aberto pela PEC no Orçamento deve ser destinada para turbinar as emendas parlamentares num ano eleitoral.

Parlamentares calculam que, quanto mais o auxílio for pago extrateto, mais espaço sobra para emendas dentro do Orçamento. E é mais fácil “justificar” o auxílio fora da regra fiscal do que as emendas parlamentares, na avaliação dos deputados e senadores.

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