Dilma cancela ida e Mantega se retira de evento da Editora Abril

Em solidariedade a Lula, presidente Dilma, suspende participação em almoço com Roberto Civita.

O constrangimento foi geral, a ponto de o presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, no melhor estilo dos jogadores de futebol que reprovam o técnico ao serem preteridos, sair do salão de eventos do hotel Unique, em São Paulo, na sexta-feira 15, meneando a cabeça. Pela manhã, por volta das 10h00, sob a elegante justificativa de não ter um membro de sua família para acompanhá-la, a presidente Dilma Rousseff cancelou compromisso pré-agendado com Civita para o almoço. Pouco mais tarde, durante o evento Maiores e Melhores, da revista Exame do mesmo Civita, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, levatou-se sem prévio aviso da mesa de debates da qual participava, ao lado do prêmio Nobel de Economia Paul Krugman e, outra vez, do próprio Civita, para se retirar em definitivo do recinto, diante de dezenas de empresários.

Os dois gestos foram imediatamente compreendidos como um protesto do governo pela matéria de capa da revista Veja Os Segredos de Valério, que iria circular no dia seguinte (este sábado 15). A informação do conteúdo em tudo agressivo contra o ex-presidente Lula e o PT circulou para o governo, que, com a batida em retirada, deu o tom de como serão, doravante, as relações institucionais com o Grupo Abril de Civita.

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Crise com Abril marca reencontro Lula-Dilma

Dilma foi eleita como a continuidade do lulismo, mas um novo discurso começou a se alastrar na imprensa. Diante da “herança maldita” deixada por ele, ela fazia a “faxina”. A reação enérgica da presidente, ao cancelar sua ida a evento da Abril e obrigar o ministro da Fazenda a abandoná-lo de imediato, sinaliza que os laços entre Dilma e Lula se fortaleceram – se é que já estiveram abalados

247 – Dilma é Lula, Lula é Dilma. Ou, dito de outra maneira, o primeiro mandato de Dilma significa o terceiro de Lula. Assim, com este discurso, Dilma Rousseff foi eleita presidente da República, com a missão de dar continuidade a um projeto político, que, nas eleições de 2010, era aprovado por 70% dos brasileiros e que continua tendo apoio majoritário da sociedade – hoje, a proporção é ainda maior.

No entanto, pouco a pouco, um novo discurso começou a se alastrar. Com as denúncias contra ministros que fizeram parte do governo Lula e foram “herdados” por Dilma, nasceu a tese da “faxina” na Alvorada. Dilma limpava a sujeira que Lula havia deixado. E assim vários ministros foram sendo derrubados, incluindo alguns, como Alfredo Nascimento, cujas denúncias foram plantadas em Veja pelo bicheiro Carlos Cachoeira, para defender interesses da empreiteira Delta.

Um terceiro episódio que fortaleceu a tese da “herança maldita” foi a substituição de José Sergio Gabrielli por Graça Foster na Petrobras, seguida da divulgação de vários investimentos malsucedidos na estatal.

A tese se cristalizou de vez quando, há uma semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda hoje a voz mais articulada da oposição, publicou um artigo chamado “Herança pesada”, atacando duramente o ex-presidente Lula, tanto no aspecto econômico, como moral.

Até então, Dilma não havia respondido. O discurso da “herança maldita” a favorecia em relação a Lula. Mas ali, naquele momento, pela primeira vez, ela saiu em defesa do antecessor e rebateu as críticas feitas por Fernando Henrique Cardoso, a quem acusou de “ressentido”. FHC, por sua vez, passou recibo da real intenção de seu artigo, ao dizer que o alvo era Lula – e não ela.

Ao rebater o artigo do ex-presidente tucano, Dilma deu seu primeiro sinal explícito de lealdade ao antecessor e de que talvez, ao contrário do que se especula nos meios de comunicação, jamais tenha havido um rompimento entre Lula e Dilma.

O outro movimento de solidariedade aconteceu na última sexta-feira, quando, sem aviso prévio, ela cancelou a sua participação no evento Maiores & Melhores, da revista Exame, que pertence à Editora Abril. Dilma não apenas encerraria o evento como almoçaria ao lado de Roberto Civita. Ela não foi e, mais do que isso, determinou que o ministro Guido Mantega, ali presente, deixasse imediatamente o local.

Talvez não tenha sido um ato previamente calculado pela Abril. Mas uma foto de Civita e Dilma na mesma edição de Veja em que o presidente Lula é acusado numa “entrevista” em off por Marcos Valério de chefiar o mensalão produziria efeitos certamente negativos na relação entre os dois.

Se não alcançou os efeitos desejados, a capa de Veja ao menos serviu para marcar o reencontro entre Lula e Dilma.

Fonte BRASIL 247

8 Comentários

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  1. - IP 177.5.233.44 - Responder

    É messssmo??? E com isso querem dizer oque ??? que a Abril inventou o mensalào ??? Que a Abril que é a mão da corrupçào deste nação??? Ora esses abutres petistas e essa presidente fabricada que se retirem mesmo . Bando de corruptos.

  2. - IP 200.101.113.10 - Responder

    Essa ausência ou retirada dos petistas dos eventos públicos significa apenas que alguns já estão começando a ficar com vergonha na cara pelas tramóias da quadrilha do mensalão.

  3. - IP 177.3.225.163 - Responder

    É seu Lula, a casa vai cair. Sua carinha de bom moço. O FDP tá rico e o povão fica bajulando esse vagal.

  4. - IP 200.101.113.10 - Responder

    Sobre o comentário do Sr. “Lacáio da Justiça” observo que não é o povão que está bajulando o Lula, tanto que os candidatos apoiados pelo Lula estão levando a pior, a exemplo de Belo Horizonte, Salvador, Manaus, Porto Alegre, Curitiba, Recife, São Paulo. Na verdade os bajuladores são os “intelequituais” que justificam e até apoiam os crimes do mensalão.

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Menos meu amigo Ruas. A veja é a capitã do time dos golpistas neste país. Que existiu corrupção naquele período, não tenho dúvidas. Sim, porque sempre existiu corrupção envolvendo parlamentares. Mas como “mensalão” não creio. E mais, de corrupção a Veja entende muito. Nessa briga, sou a favor da condenação dos corruptos, inclusive de José Dirceu, pois, ele foi o grande vendilhão da ideologia do PT, fazendo de tudo para chegar ao poder, usando os mesmos métodos que são usados no Brasil desde sempre.
      O PT foi o melhor partido de oposição que podíamos ter no Parlamento.
      No governo, passou a usar os mesmos métodos dos demais. Aí se perdeu. Mas no ato de governar, se mostrou mais competente que os demais, daí o apoio popular.
      Mas veja bem, se tivessem posto no PGR um engavetador, Dirceu seria hoje o presidente.
      O assunto é longo…

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      João, sua informação contraria os fatos.

  5. - IP 201.86.178.125 - Responder

    Essa foi demais:
    O PT foi o melhor partido de oposição que podíamos ter no Parlamento.
    … Mas veja bem, se tivessem posto no PGR um engavetador, Dirceu seria hoje o presidente.
    O assunto é longo…a viagem na maiose é maior ainda….

  6. - IP 189.75.99.174 - Responder

    O PT faz escola. Collor rodou por causa de uma Elbinha, que hoje vale uns 60 mil reais. O PT fez e faz escola. A coisa beira bilhões e pra variar não vai dar em nada. Pois, afinal estamos no Brasil. Todos os crimes já estão prescritos!

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