DIÁRIO DE CUIABÁ, EM EDITORIAL: O que levou a maioria dos advogados ao não comparecimento às urnas? Este questionamento merece resposta do presidente a um passo de deixar o cargo, Maurício Aude. Cabe a ele explicar o fosso entre a OAB-MT e o advogado, que ficou bem delineado com o esvaziamento do pleito, no qual o eleitor tinha cinco opções. Independentemente de pronunciamento ou não de Aude, o presidente eleito tem o dever de romper o isolamento da Ordem e internamente transformá-la verdadeiramente na ferramenta de defesa das prerrogativas do exercício profissional de seus representados

EDITORIAL DIÁRIO DE CUIABÁ

A sabedoria popular nos ensina que as urnas não mentem, pois elas representam a voz do povo e a voz do povo é a voz de Deus. A indiferença foi a grande vencedora da eleição para o comando da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil nesta terra mato-grossense de figuras que tão bem dignificaram e dignificam o operador de direito amparado por sua inscrição na OAB.

De um universo com mais de nove mil aptos ao voto, o pleito da Ordem registrou apenas 3.736 nas urnas em Cuiabá e nas 29 subseções. Cinco chapas disputaram o comando da entidade. O presidente eleito foi Leonardo Campos, com 1.171 votos. O segundo colocado, José Moreno, com 1.057 foi batido por 114 votos. A única mulher cabeça de chapa foi Cláudia Aquino, com 530.

“Entidade com a têmpera moldada pelos grandes

embates, nos últimos anos a

Ordem se encolheu”

Apesar do pequeno comparecimento às urnas, o resultado é líquido e certo no campo eleitoral, mas resta ainda o desdobramento judicial sobre a ratificação ou não do registro da candidatura do vencedor Leonardo Campos, que disputou o pleito amparado por uma liminar do juiz federal Paulo Sodré, uma vez que a Comissão Eleitoral da Ordem barrou seu pedido de registro de candidatura sob a acusação de abuso de poder econômico.

O que levou a maioria dos advogados ao não comparecimento às urnas? Este questionamento merece resposta do presidente a um passo de deixar o cargo, Maurício Aude. Cabe a ele explicar o fosso entre a Ordem e o advogado, que ficou bem delineado com o esvaziamento do pleito, no qual o eleitor tinha cinco opções.

Independentemente de pronunciamento ou não de Aude, o presidente eleito tem o dever de romper o isolamento da Ordem e internamente transformá-la verdadeiramente na ferramenta de defesa das prerrogativas do exercício profissional de seus representados.

Mato Grosso precisa que a Ordem mantenha as melhores relações institucionais possíveis com os poderes, mas que não se atrele ou se submeta a eles. Entidade com a têmpera moldada pelos grandes embates, nos últimos anos a Ordem se encolheu em Mato Grosso.

Onde estava a Ordem em dezembro de 2012, quando milhares de brasileiros foram arrancados de seus casebres no distrito de Estrela do Araguaia, e jogados no olho da rua? Onde ela estava que sua Comissão de Direitos Humanos não estendeu a mão àquela gente humilde? Onde estava aquela poderosa entidade recentemente que não marcou presença ao lado de milhares de trabalhadores de igual forma jogados ao léu, após serem arrancados de um garimpo em Pontes e Lacerda? Onde ela se esconde a ponto de não ver o banho de sangue no qual o cidadão mato-grossense está mergulhado?

Mesmo eleito por uma parcela ínfima dos advogados o novo presidente da Ordem precisa tirá-la da redoma. Tem que transformá-la de entidade representativa em núcleo combativo. Tem que destacar as virtudes de seus representados e se relacionar com os poderes em nível de igualdade, pois o recado das urnas foi claro: a OAB está em baixa.
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NE
– Editorial do Jornal Diário de Cuiabá edição do domingo, 29 de novembro de 2015. Disponível na versão digital daquele matutino em www.diariodecuiaba.com.br

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