Diante do juiz federal Fábio Fiorenza, ex-chefe da Policia nega ter favorecido Riva e Eliene e tentado descaracterizar crime eleitoral em Campo Verde. Mas viagem de assessor de Vilela em aviãozinho de Janete Riva é ponto forte de contradição

INTERROGATÓRIO NA JUSTIÇA FEDERAL

“Fui severamente punido”, diz Vilela sobre ação
Antonielle Costa

Acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de prevaricação e quebra de sigilo funcional, o ex-diretor geral da Polícia Civil de Mato Grosso, Paulo Vilela negou que tenha cometido os crimes durante interrogatório ontem (5), na sede da Justiça Federal. O caso está sendo conduzido pelo juiz da 5ª Vara, Fábio Henrique de Moraes Fiorenza.

De acordo com a denúncia do MPF, Vilela avocou uma investigação de crime eleitoral contra o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva e contra o deputado federal Eliene Lima ocorrida no município de Campo Verde. Para o MPF, o delegado tinha interesses escusos, visando se beneficiar politicamente em função de exercer um cargo político.

“Não pratiquei esses delitos. Nunca na minha vida fui processado e não tenho esse perfil. Na minha trajetória profissional sempre fui promovido por merecimento e nunca precisei de benefício político. Fui severamente punido com a perda do cargo, sou um delegado honesto, entrei pelas portas da frente e sai pela dos fundos. Sofri muito e ainda estou sofrendo com isso”, afirmou ao juiz.

Durante todo interrogatório, Vilela desmentiu o delegado de Campo Verde, Fernando Vasco, que conduziu as investigações contra Riva e Eliene. Segundo Vilela, no dia da eleição recebeu uma denúncia feita pelo assessor do parlamentar, Cristiano Volpato, de que Vasco estaria articulando ilegalidades contra a candidatura de Riva e que o clima era tenso no município.

Em seguida, ele alega que ligou para o delegado pedindo informações visando saber o que estava acontecendo, mas Vasco não teria lhe atendido e disse que queria uma notificação por escrito para responder.

Vilela decidiu então se reunir com parte da diretoria, que juntos deliberaram por avocar o inquérito – que na verdade se tratava de Autos de Investigação Preliminar. No interrogatório, ele sempre lembrava que não tomou a decisão sozinho e que fez parte da reunião o então diretor de Inteligência, Anderson Garcia e hoje diretor-geral e o diretor de Interior, Jales Batista.

“Não sabíamos o que estava acontecendo lá e decidimos trazer o inquérito para preservar a imagem da Polícia Civil como instituição, a própria investigação e esvaziar qualquer pressão que Vasco estivesse sofrendo”, afirmou.

Cumprimento portaria

Após a reunião, a portaria foi elaborada e no dia 4 de outubro, assessor jurídico da Diretoria da Polícia Civil, Jean Carlos foi até Campo Verde buscar os documentos originais, uma vez que o Governo estava preocupado com a repercussão do caso, por não saber que documentos continham nas investigações.

Segundo o MPF, Jean Carlos foi a Campo Verde no avião de Janete Riva, esposa do deputado estadual José Riva (PSD), juntamente com seu assessor Cristiano Volpato. As informações foram confirmadas por Paulo Vilela, no entanto, ele negou que foi por sua determinação. De acordo com ele, Jean pegou uma carona com o assessor do parlamentar.

“Em nenhum momento falei para ele ir de avião, isso não foi determinação minha. Determinei que pegasse uma viatura no pátio e fosse cumprir a portaria. Só fiquei sabendo disso depois, Jean contou que pegou uma carona com o assessor do parlamentar que me parece ia para Primavera do Leste”, disse.

Cópias

A cópia entregue para Jean foi repassada a Vilela, que segundo a denúncia, entrou em contato com o secretário-chefe da Casa Civil na época, Éder Moraes e lhe entregou tudo. No entanto, o delegado nega que tenha feito isso.

Além disso, Vilela convocou Vasco para que explicasse ao secretário tudo que havia acontecido em Campo Verde.

Quebra de sigilo funcional

Vilela disse ao juiz que não houve quebra de sigilo, uma vez que os documentos que recebeu não haviam degravações de interceptações sigilosas.

Manobra abortada

Ainda de acordo com o MPF, o delegado de Campo Verde entregou cópias ao Jean Carlos e remeteu a investigação para Justiça, que determinou que o caso fosse encaminhado para a Polícia Federal, para prosseguir com as investigações.

Sofrimento

Ao final, Vilela fez um desabafo e disse que está sofrendo muito com o caso. Segundo ele, por se tratar de uma ação penal o processo é público, a imprensa tem acesso e isso atinge sua família, seus pais e seus filhos.

“Não sou corrupto e estou muito abatido com isso”, finalizou.

 

FONTE MATO GROSSO NOTICIAS

1 Comentário

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  1. - IP 177.161.82.135 - Responder

    Gostaria que fosse esclarecido um fato: A referência “avião de Janete Riva”. A mulher do multi processado José Riva também tem seu próprio avião? Se for verdade, atenção Receita Federal: Os sinais exteriores de riqueza desta senhora devem ser investigados. Em que tipo de negócios ela ganhou dinheiro para ter um avião próprio?

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