DESEMBARGADORA MARIA HELENA PÓVOAS, UMA MULHER-LUTADORA, ASSINA DECISÃO DRACONIANA CONTRA SINDICATO COMANDADO POR OUTRA MULHER LUTADORA, A MÉDICA ELIANA SIQUEIRA: Mesmo  diante da “paulada judicial” que receberam, médicos de Cuiabá sustentam a sua greve pelo menos até à assembleia geral desta quinta, quando vão se reunir para reavaliar rumos do movimento. Grevistas lutam para receber piso nacional da categoria – que é de R$ 11,6 mil – enquanto que o piso pago pela  administração de Mauro Mendes é de R$ 3,5 mil por 20 horas de trabalho semanal. LEIA A DECISÃO

Maria Helena Póvoas atende Mauro Mendes e decreta ilegal a greve dos médicos em Cuiabá by Enock Cavalcanti

Maria Helena Póvoas, desembargadora, e Eliana Siqueira, médica e sindicalista

Maria Helena Póvoas, desembargadora, e Eliana Siqueira, médica e sindicalista

Quem já viu, como eu, a desembargadora Maria Helena Póvoas se destacar, no tempo em que comandava a OAB em Mato Grosso, defendendo o direito de luta e de organização da sociedade civil, não pode deixar de sentir um travo na garganta, quando vê esta que já foi uma destacada mulher-lutadora no cenário político institucional de Mato Grosso, agora aparecendo como a autora desta decisão draconiana, pela qual ameaça com multa de R$ 20 mil a cada hora (a cada hora, vejam só!), a valente categoria dos médicos de Cuiabá, que outro crime não está a cometer senão procurar defender seus direitos e os direitos de seus pacientes, sustentando uma greve no serviço público de Cuiabá. E uma categoria que se organiza em torno de um sindicato que tem no comando justamente outra mulher-lutadora, que é a médica Eliana Siqueira.

Sempre imaginei que as mulheres devem conseguir destaque no cenário político institucional para se fortaleceram mutuamente – e não para se estraçalharem mutuamente.

Será que não dava para a desembargadora Maria Helena Póvoas insistir no diálogo e na conciliação, até que se chegasse a uma solução negociada? Bem, Maria Helena Póvoas,  decididamente, não é a desembargadora Clarice Claudino. Sua decisão já deve estar sendo atacada, no ambito da Justiça, nesse momento, pelos advogados do Sindicato dos Médicos.

O fato é que a desembargadora Maria Helena Póvoas, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), decretou a ilegalidade da greve dos médicos da rede municipal de Cuiabá,  iniciada no dia 16 de junho, e mandou que os servidores retornem ao trabalho imediatamente. Não foi atendida. A greve continuou na quarta, dia 1°, se prolongou por esta quinta,  dia 2, e vai durar pelo menos até à assembleia geral dos médicos, marcada para logo mais à noite, a partir das 19 horas, na sede do Sindicato, no Edifício Marechal Rondon, ao lado do Pronto Socorro.

A magistrada argumentou que a categoria descumpriu decisão dela mesma, deixando de manter número específico de profissionais no atendimento à população. Por isso, fixou uma  multa de R$ 20 mil por hora de descumprimento e desconto para os dias parados. Quer dizer, a essa altura do campeonato, o Sindimed já está devendo mais de R$ 100 mil reais.

Vamos ver como vai rolar o debate logo mais à noite na assembléia dos médicos. É a vida que segue, confirmando a coerência de alguns e revelando novas facetas do caráter de  outros.

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