Depois que Rubens Valente, repórter da Folha de S. Paulo, lançou “Operação Banqueiro”, ampliando revelações sobre ligações perigosas entre banqueiro Daniel Dantas e ministro do STF Gilmar Mendes, o jornalista Márcio Chaer – que é apontado como amigo íntimo de Gilmar – usou o “Consultor Jurídico” para atacar Valente e seu livro. Leia o que Chaer escreveu e a resposta dada a ele por Rubens Valente. A polêmica explodiu no “Roda Viva”, deve continuar e confirma Rubens Valente entre os repórteres mais destacados do jornalismo investigativo do Brasil, na atualidade.

A polêmica em torno do livro “Operação Banqueiro” se amplia e os espaços do Rubens Valente certamente que se ampliam também. Como ele é mais centrado do que o Amaury Ribeiro Jr, se souber administrar bem a sua carreira, daqui para a frente, tem tudo para escrever muitos outros livros de sucesso porque, como se sabe, o Brasil contemporâneo continua sendo um país com muitos esqueletos no armário – a começar pelo Poder Judiciário que Rubens Valente devasse um pouco neste seu “Operação Banqueiro”. Digamos que Gilmar Mendes é um caso sui generis que mereceria um título e uma investigação a parte, se Rubens Valente tiver paciência para tanto. Na entrevista ao Roda Viva, o repórter confirmou, respondendo ao Fernando Vasconcellos, que estudo escrever um livro sobre as pendengas jurídicas que cercam as nações indígenas no Brasil. Bacana – embora o último livro que li sobre sobre os índios, “Nossos Índios, Nossos Mortos”, do Edilson Martins, tenha me deixado em depressão. Mas curiosidades insatisfeitas é o que não falta. O Brasil precisa de muito mais jornalismo do que o jornalismo que nós temos. Isso é um fato. É bom saber que Rubens Valente está por aí, disposto a ir além da pauta que a grande mídia lhe permite. E confira, abaixo, o debate entre Valente e o Chaer que serve para que se aprenda mais um pouco sobre as práticas do jornalismo que se pratica nesse Brasil que queremos ver ainda melhor, ainda mais democrático. (EC)

Rubens Valente, o livro Operação Banqueiro e seu crítico mais feroz, o empresário-jornalista Márcio Chaer, que dirige o site  Consultor Jurídico e é apontado como amigo íntimo do ministro Gilmar Mendes

Rubens Valente, o livro Operação Banqueiro e seu crítico mais feroz, o empresário-jornalista Márcio Chaer, que dirige o site Consultor Jurídico e é apontado como amigo íntimo do ministro Gilmar Mendes

Operação Banqueiro: a resposta de Rubens Valente a Márcio Chaer

 

http://jornalggn.com.br/noticia/operacao-banqueiro-a-resposta-de-rubens-valente-a-marcio-chaer
Prezados leitores,

Quando um escritor e uma editora lançam um livro, ainda mais quando ele trata de assuntos tão candentes quanto “Operação Banqueiro”, é claro que estão abertos a avaliações negativas. É parte da democracia e críticas sérias são bem aceitas.

Mas o texto que o empresário e jornalista Márcio Chaer publicou em seu site “Consultor Jurídico” na última segunda-feira passa muito longe de qualquer resenha profissional. Trata-se de uma série de acusações descabidas, numa tentativa de abalar a credibilidade do livro e do autor.

Basta dizer que, no texto, ele comparou a mim e outros jornalistas de muitos anos de experiência a uma pessoa presa em Minas Gerais sob acusação de falsificação de documentos. É uma dessas difamações inaceitáveis que não merecem o silêncio.

Comparar uma pessoa presa sob essa acusação com um jornalista que, como eu, trabalha há mais de 15 anos em um dos jornais mais lidos do país, que jamais foi condenado em virtude de qualquer matéria que tenha escrito _tendo coberto as mais áridas e arriscadas investigações ao longo de anos e anos_ não tem nada a ver com uma resenha: trata-se de um evidente ataque pessoal planejado para difamar o livro e o autor. Não conseguirá.

Em meu livro, apresentei fatos, documentos, interceptações telefônicas, datas, entrevistas. Márcio Chaer apresenta leviandades, ofensas, insinuações, mentiras e distorções.

Essa é a diferença entre um jornalista responsável pelo que apura e escreve e um jornalista que trabalha com ilações. Um fala com provas, o outro mente e deturpa.

Antes de tudo, preciso apresentar Márcio Chaer a quem não o conhece e os interesses que o cercam, já que, obviamente, ele não fez a sua correta apresentação aos seus próprios leitores.
Chaer tem ou teve como clientes de suas empresas alguns dos principais escritórios de advocacia do país, muitos dos quais receberam recursos da companhia telefônica Brasil Telecom na época em que ela era comandada por pessoas indicadas pelo grupo Opportunity. Márcio Chaer é amigo íntimo do ministro do Supremo Gilmar Mendes, devidamente referido em meu livro.
Márcio Chaer também ofereceu os serviços de sua empresa para o então homem forte do banqueiro Daniel Dantas, Humberto Braz, depois condenado em primeira instância por corrupção no caso Satiagraha. Essa proposta foi enviada por e-mail, com arquivos anexados que previam os trabalhos de empresa de Márcio Chaer em prol da companhia telefônica. A proposta de contrato, a que tive acesso em detalhes, foi citada em meu livro. Diferentemente do que Márcio Chaer faz comigo em seu texto, contudo, tratei-o no livro com todo o respeito e até descrevi a defesa que ele apresentou em público, na internet.

Em síntese, Márcio Chaer insinua em seu texto que um dos empresários que tem divergências com o grupo Opportunity está por trás do livro. Trata-se, como já vimos, do mesmo argumento apresentado pelos advogados do banco Opportunity quando do lançamento do livro.

No livro “Operação Banqueiro”, procurei demonstrar como o banco e seus prepostos operam para descredenciar e desqualificar pessoas que têm um comportamento que o banco julga não ser de seu interesse. Examinei o caso da juíza do Rio Márcia Cunha, que teve que provar (com perícias!) que as decisões que ela proferiu eram dela mesmo.

Chaer propõe a mesma coisa: afirma que eu não escrevi o livro que escrevi. Provas, indícios, nenhum. Apenas palavras vazias ao sabor do vento.

Márcio Chaer, terei que contratar uma perícia para também demonstrar que eu escrevi o que eu escrevi? Sua insinuação é insultuosa.

O longo texto de Chaer será rebatido ponto a ponto, para que o leitor tenha a devida compreensão dos fatos.

1) Chaer inicia seu texto logo com uma mentira na primeira frase. Diz que uma certa ação de improbidade foi protocolada pelo procurador da República Luiz Francisco em setembro de 2008, quando na verdade isso ocorreu em 2004. Por que 2008 e não 2004? Ora, em 2008 houve a Operação Satiagraha, então o suposto engano do procurador fica mais interessante na construção de Chaer para vincular “falsificações” à Satiagraha. Uma mentira entre tantas. Ele segue insinuando que eu tive alguma qualquer participação na “falsificação” de uma reportagem citada pelo procurador _a palavra é dele. Os fatos: anos atrás, escrevi uma matéria na “Folha de S. Paulo” sobre o caso Banestado e remessas de doleiros no exterior. Meses depois da publicação, o procurador da República Luiz Francisco citou essa mesma reportagem em inicial de ação judicial, no entanto ele disse que naquela matéria tratava de coisa que, na verdade, não estavam escritas ali. Meses depois, compareci (não me recordo em que instância do Judiciário) para falar sobre o assunto na condição de testemunha. Como isso ocorreu anos atrás, e não é incomum eu comparecer à Polícia Federal e ao Judiciário para falar na condição de testemunha, não tenho aqui comigo agora de quem partiu o pedido para que eu fosse ouvido, mas assim que localizar os detalhes, informarei. De qualquer forma, o que importa é que eu disse a verdade: que a matéria citada não tratava do assunto descrito na ação. Pelo que me recordo, indagado em seguida se confirmava determinadas informações que constavam na ação civil, eu disse que sim, que estavam corretas ou me pareciam corretas. Como testemunha, disse a verdade, ou seja, que de fato havia ocorrido um erro de procedimento naquela ação, que a matéria citada não era a correta, mas que havia números ou fatos corretos na ação. Tendo dito isso na condição de testemunha, fui dispensado. E para mim acabou aí esse episódio, jamais voltei a ouvir falar disso.

Mas o que diz agora Márcio Chaer, tantos anos depois? Que eu fui “interpelado sobre a falsificação”. Isso jamais ocorreu. A expressão usada por Chaer induz o desavisado leitor de seu site a acreditar que, de alguma forma, eu fui suspeito ou investigado pelo problema na citação indevida, quando na verdade eu apenas esclareci o que havia ocorrido. O meu esclarecimento, na verdade, prejudicou a posição do procurador da República, pois eu esclareci que houve um erro, não fugi. Meu compromisso é com a verdade.

2) Na segunda etapa do seu texto, Márcio Chaer diz que as “obras completas” do empresário Luiz Demarco foram “condensadas em um livro”, “Operação Banqueiro”. Leviano. Jornalistas trabalham com fatos. Que evidência ou mesmo indício Chaer apresenta para tão grave afirmação? Nenhuma, zero. Nesse momento, os prezados leitores pelo menos têm a oportunidade de presenciar, ao vivo e em cores, como se processa a tentativa de manchar a idoneidade de um profissional. É assim: acusa-se sem provas, depois vemos o que acontece. O importante é fazer circular o boato. Quem não conhece o alvo, pelo menos fica em dúvida, o que já valeu para a operação de desconstrução de uma pessoa. Trata-se de um método.

3) Márcio Chaer dá sequência à sua peça de acusação com nova absurda mentira. Diz que o livro “foi oferecido” a duas editoras, a Três Estrelas e a PubliFolha. Ocorre que a editora Três Estrelas não existe. Trata-se de um selo da mesma editora Publifolha. Não preciso aqui explicar a Chaer, um homem tão perspicaz, a diferença entre um selo e uma editora. O empresário segue afirmando que o livro “foi rejeitado por defeitos incorrigíveis”. Ocorre que tenho em minhas mãos (pedirei autorização para divulgá-los) inúmeros e-mails dos responsáveis pela editora PubliFolha dizendo justamente o contrário: que o livro era excelente, que estava aprovado para publicação. Ou seja, a editora PubliFolha, diferentemente da mentira assacada por Chaer, jamais rejeitou o livro, pelo contrário, tentou de várias maneiras lançá-lo. Não tenho a mínima dúvida da boa-fé e da idoneidade dos responsáveis pela editora PubliFolha. O lançamento acabou não ocorrendo pela PubliFolha, conforme me foi detidamente explicado, por razões operacionais, já que é uma editora pequena, e por isso o lançamento foi postergado por duas vezes nos últimos dois anos. Compreendo e aceito as explicações da PubliFolha, que é dirigida por pessoas idôneas e íntegras. Nesse meio tempo, eu e a editora fomos procurados pelo editor Luiz Fernando Emediato, interessado no lançamento da obra em seu selo “História Agora”. Após uma conversa inteiramente amigável com a PubliFolha, eu mesmo solicitei (tudo por escrito) a liberação do livro para a publicação na outra editora, a Geração Editorial. O que acabou ocorrendo em janeiro último. Tendo em vista todas essas minhas explicações, o que dizer da afirmação de Chaer de que meu livro foi recusado por “defeitos incorrigíveis”? É outra insinuação insustentável, pois os e-mails em meu poder demonstram amplamente o contrário. E como Chaer poderá provar aquilo que não aconteceu? Jamais.
Como o texto de Chaer, embora vazio, é bastante longo, retomarei em breve a sequência das minhas explicações, para não cansar o leitor.
Obrigado, Rubens Valente

FONTE LUIS NASSIF ON LINE – JORNAL GGN

———————-

VEJA AQUI COMO FOI O ATAQUE DE MÁRCIO CHAER CONTRA RUBEM VALENTE NO CONSULTOR JURÍDICO

 

MUNDO DA FANTASIA

Operação Banqueiro tenta ressuscitar operação satiagraha

Por Márcio Chaer

http://www.conjur.com.br/2014-fev-17/livro-operacao-banqueiro-tenta-ressuscitar-operacao-satiagraha

No dia 1º de setembro de 2004, o outrora famoso procurador da República Luiz Francisco de Souza ajuizou uma ação de improbidade devastadora contra ele próprio. O procurador tentou fritar o financista Daniel Dantas e o grupo Opportunity com uma petição escrita pelo empresário Luís Roberto Demarco, pessoa interessada na fritura. Demarco emprestou o texto, Luiz Francisco emprestou a assinatura.

O problema da autoria não foi o único — até porque, enquadrar alguém com a fama de Dantas parecia ser, à época, um dever cívico de todos os brasileiros. O grave é que a ação se baseava em fundamentos falsos, como uma reportagem atribuída à Folha de S.Paulo, mas que o jornal nunca publicou. O texto da vida real, diferentemente do usado na petição, falava de doleiros, não do Opportunity. Interpelado sobre a falsificação, Rubens Valente, um dos autores do texto da Folha deu uma resposta aparentemente enigmática. “Não saiu [o texto citado na ação], mas é aquilo lá mesmo”.

O pano de fundo do episódio era a disputa para ver quem ficaria com um poderoso naco do bilionário mercado da telefonia, o da Brasil Telecom. O ganhador somaria um faturamento de 30 bilhões de dólares anuais com a operadora anexada.

Nessa disputa, o talentoso Luís Roberto Demarco, roteirista de boa parte dessa batalha, dublou deputadospoliciais federaisprocuradores e procuradoras da República e muitos jornalistas. Há pelo menos mais um caso de texto de Demarco na Folha publicado com nome de outra pessoa.

Folha é um jornal rigoroso no controle de qualidade. Mas quase nenhum meio de comunicaçãoficou imune ao nível de articulação que envolveu essa guerra comercial.

O mal em nome do bem
As obras completas de Demarco foram condensadas em um livro lançado na primeira semana deste ano: Operação Banqueiro. O jornalista Rubens Valente — que aparece como autor da reportagem que não foi publicada, na ação que não foi escrita pelo procurador Luiz Francisco — assina a obra, que passa a integrar acoleção de livros sobre o fenômeno.

O livro foi oferecido antes à Editora Três Estrelas e à Publifolha, ambas da Folha de S.Paulo, mas foi rejeitado por defeitos incorrigíveis. A empreitada de bancar a ficção ficou a cargo da Geração Editorial, que pertence a Luís Fernando Emediato, ex-presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador.

O enredo dessa “Operação” é um conto de fadas contemporâneo. Dois personagens heroicos, o juiz Fausto de Sanctis e o delegado Protógenes Queiroz decidem livrar o Brasil de um tubarão do mundo dos negócios: o nefasto Daniel Dantas. Mas mesmo munidos das mais evidentes provas, passam da condição de acusadores para a de acusados. Com poderes extraterrestres, Dantas compra o governo, a imprensa, os ministros do Supremo Tribunal Federal e escapa de todas as acusações. Os mocinhos caem em desgraça. O mal triunfa mais uma vez.

Para sustentar a fantasia, o livro omite, esconde ou minimiza as trapaças dos investigadores enquanto amplifica com malabarismos verbais as culpas de Dantas. Cria fatos também. Logo na contracapa, por exemplo, escreve-se que depois de condenar Dantas, o juiz Fausto de Sanctis “foi transferido para uma vara qualquer, sem brilho e poder”, o que nunca aconteceu. O juiz foi promovido a desembargador. Inventa também que Sanctis foi surpreendido no dia da posse, no final de janeiro de 2011, com a notícia inesperada de que iria cuidar de temas previdenciários no TRF3. Adesignação já era sabida mais de dois meses antes.

Ao tentar descrever uma enrolada história de suborno dos delegados envolvidos nas investigações, com base em uma gravação ininteligível, o livro atribui frases ao preposto de Dantas em um momento no qual ele ainda nem havia chegado ao local do encontro. Sempre acolchoado por truques de linguagem, o livro não informa o leitor, por exemplo, que Hugo Chicaroni (segundo a satiagraha, o indivíduo que fez a ponte entre Dantas e os investigadores) foi um ator introduzido na cena pelo delegado e não por Dantas. Quem escreveu a história esqueceu de revelar que Protógenes e Chicaroni vinham trocando telefonemas seis meses antes do que o livro indica.

Em nome do bem, sempre, o livro omite fatos. Esconde que Protógenes enriqueceu enquanto conduzia a operação satiagraha, fabricou provas inexistentes e agiu fora da esfera do serviço público.Omite as fraudes e falsidades policiais espantosamente acolhidas pelo procurador Rodrigo de Grandis e pelo juiz Fausto de Sanctis. Os rombos na descrição do falso suborno dos policiais são ignorados.

Rubens Valente terá a chance de explicar na noite desta segunda-feira (17/2), quando for entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, porque enganou os leitores do seu livro em dois momentos fundamentais. No primeiro, esconde do leitor por que o alegado arauto da corrupção supostamente enviado por Dantas, Hugo Chicaroni, não foi grampeado, indiciado nem preso. O segundo é mais grave.

Faltou dizer que Protógenes desobedeceu a ordem para fotografar as cédulas do suposto suborno. A rigor, nem precisaria de ordem. Esse é um procedimento básico na polícia. Contudo, o Ministério Público pediu a providência, Sanctis deferiu, mas o delegado respondeu candidamente que o dinheiro já fora depositado em banco, o que tornou impossível o seu rastreamento.

Sobre as mentiras ditas a respeito deste site, de que este espaço foi oferecido ao Opportuniy para publicar “matérias de interesse do setor telefônico”, Rubens Valente, certamente, terá ocasião adequada para explicá-las.

Lanterna ao contrário
Já os extraordinários e-mails apreendidos com o consultor Roberto Amaral, que mostram Daniel Dantas, José Serra e Fernando Henrique Cardoso de corpo inteiro são escondidos nas últimas páginas do livro. É a melhor parte e a única novidade que o livro traz, muito embora a revista Época já tivesse publicado boa parte deles em 2011. A falha monstruosa, de minimizar essa passagem, do ponto de vista jornalístico, leva a uma só conclusão. O libelo não foi escrito para provar as culpas de Dantas e mostrar como tudo se deu, mas para tentar atenuar as penas de Luís Roberto Demarco, Protógenes Queiroz e demais parceiros que hoje respondem pelas porcarias que aprontaram. Eles estão sendo julgados por isso.

O Opportunity e Dantas afirmam que os e-mails são falsos. Difícil acreditar. A correspondência não revela crimes nem ilegalidades.

Se a lanterna de Operação Banqueiro jogasse luz, em vez de fachos de sombras, seus autores teriam dado mais espaço a duas investigações feitas pela própria PF sobre as falcatruas de Protógenes. A que foi conduzida pelo delegado Amaro Ferreira, em que o delegado expulso da PF foi indiciado por crimes de violação da lei de interceptação e quebra de sigilo funcional; e a que investigou a interceptação telefônica no STF.

Pelo primeiro inquérito, Protógenes responde junto com outro ex-delegado, Paulo Lacerda, mais os empresários Demarco e Paulo Henrique Amorim por corrupção, violação telefônica e prevaricação. O que se descobriu é que esse grupo forjou uma operação privada e fora das regras legais. Esse é o caso que mais preocupa a turminha — e que deu à luz os dois livros lançados recentemente. A decisão está nas mãos dos ministros do STF.

O segundo caso foi uma pantomima de investigação em que se tentou apagar os rastros das interceptações ilegais empreendidas pela turma de Protógenes. A leitura do inquérito, que concluiu que nada se poderia concluir, mostra o esforço dos encarregados em não chegar a lugar algum.

Nos depoimentos de 37 pessoas, espremidos em seis páginas incompletas, não se percebe, pelas respostas, uma única pergunta relacionada às maletas de grampo clandestino. O delegado Edson de Oliveira, em seu depoimento, afirmou que o então presidente do Sindicato dos Policiais Federais do RJ, Telmo Correa, lhe disse ter sido procurado pelo agente Rodrigo Távora Pescadinha Schnarndorf para se aconselhar.

Na ocasião, a hecatombe provocada pela notícia de que o STF fora grampeado sacudiu o país. Assustado com a gritaria, por ter sido ele o encarregado do grampo no STF, o agente teria procurado o líder sindical, temia ser sacrificado como único responsável pelo crime. Mas como Schnarndorf e Telmo negaram a versão, não se considerou necessário ir adiante.

Hall da desonra
Não se pode negar que o livro tem o mérito de trazer de volta uma discussão importante. A farsa montada com a operação testou todas as instituições. Mostrou as vulnerabilidades, as fraquezas e como se pode manobrar os fatos em nome de falso moralismo, idealismo de araque e boas intenções de mentirinha.

O livro tem traços de bipolaridade. Rubens Valente é um jornalista culto e cobre o mundo das leis há décadas. Difícil aceitar que ele tenha se enganado ao referir-se a Curso de Advocacia, em vez de Direito. Ou dizer que o presidente da República baixou um decreto que alterou a lei (página 252) ou as repetidas vezes em que o falso suborno ora é de 1 milhão de reais, ora de dólares (páginas 279/280). Muito menos que alguém pediu “vistas do processo” ou, pior ainda: “vistas aos autos”. O normal em Rubens — e nisso o livro é pródigo — é dizer coisas como “o STF contrariou o parecer do Ministério Público” ou que o Supremo contrariou uma decisão qualquer da primeira instância, inferindo uma inexistente inversão hierárquica.

Ao menos em um trecho, o livro chega perto de referendar um ponto de vista do ministro Gilmar Mendes. Desde a primeira menção à suposta tentativa de Dantas de pagar a um delegado para ser excluído do inquérito, o ministro sempre repetiu que isso não existe em contexto sob controle do Ministério Público e do Judiciário. Na página 388, o livro atesta: “O delegado nunca está sozinho no inquérito e suas conclusões são verificadas pelo MP e pelo Judiciário. Delegados não julgam nem denunciam, apenas apuram e informam”. A menos, é claro, que Dantas e seu exército de advogados não soubessem desse detalhe.

Não se pode negar que Rubens Valente faz jus ao nome e que é dono de uma coragem inexpugnável. A naturalidade com que ele tenta explicar a iniciativa de Fausto de Sanctis de quebrar o sigilo telefônico de todos os brasileiros é insuperável, assim como o fato de a operação satiagraha ter sido urdida em hotéis e escritórios privados — muito longe da PF. Boa a tentativa de apagar os rastros de Luís Roberto Demarco. Pena, para a tese, que as centenas de telefonemas trocados entre ele, Paulo Henrique Amorim, o delegado, deste com Chicaroni e outros paisanos do grupo, estejam nos autos dos processos.

Resta ao autor o orgulho de, com a obra, ter sido alçado ao seleto grupo do qual fazem parte Marco Aurélio Carone, Nilton Monteiro, Leandro Fortes, Ucho Haddad e Paulo Henrique Amorim. A comovente tentativa de reanimar o cadáver da satiagraha com essa respiração boca a boca marca, de forma infeliz, o jornalismo e a literatura do país.

 

Márcio Chaer é diretor da revista Consultor Jurídico.


——————

VEJA AQUI, NA ÍNTEGRA, A ENTREVISTA DE RUBENS VALENTE NO RODA VIVA DA TV CULTURA

————

LEIA, AGORA, AVALIAÇÃO DE PAULO HENRIQUE AMORIM SOBRE O RODA VIVA COM RUBENS VALENTE

“RODA MORTA” NÃO SALVA
DANTAS NEM GILMAR

O Ministro Fux tem Dantas e Gilmar nas mãos.


 

 

“Os entrevistadores do Roda Viva tentaram mudar o nome do livro para “Operação Protógenes”. O único jornalista ali era o próprio entrevistado. Nunca vi uma coisa mais disparatada. Foi um programa que resumiu em uma hora e meia exatamente em que se transformou a nossa imprensa depois da Satiagraha. Uns, parciais, militantes. Outros, covardes! Vergonha dessa profissão!”

“É verdade!  Mas, mesmo assim a arapuca que tentaram montar para proteger o Dantas não funcionou e o Rubens Valente desqualificou a bancada e as desqualificações, além de desmascarar o (Marcio) Chaer completamente.

A pauta da “suposta” ex-funcionária do Chaer e do repórter global era impressionante: salvar o Dantas, incriminar o Protógenes e, portanto, desmoralizar o Valente !”

“Quebraram a cara. (O “Operação Banqueiro”) Vai vender mais 100 mil exemplares depois de hoje.”

“… pelo menos teve a vantagem de desmascarar o Chaer…”

Navalha

Esses comentários de amigos navegantes se referem ao programa desta segunda-feira na TV Cultura de São Paulo.

É um programa que, na mão dos tucanos que governam a TV Cultura há 20 anos, se tornou “Roda Morta”.

Foi uma inútil tentativa, como se percebe, de emparedar o bravo repórter Rubens Valente e crucificar o competente delegado Protógenes Queiroz.

Não era uma proposta ingênua.

Corria subjacente à parcialidade dos “entrevistadores” – ou à sua impressionante omissão – a tentativa de tirar do alvo o imaculado banqueiro e seu patrono, Gilmar Dantas (*).

Não adianta: o complexo Dantas- Gilmar está inteiro, nu, condenado no trabalho investigativo de Valente.

Não adianta, porque Valente prova que, sem Gilmar, não existiria Dantas.

Não serão o “Roda Morta” nem seus suaves entrevistadores que apagarão o que ali está: por exemplo, a utilização do Banco Matrix para chantagear o Presidente da República, o Príncipe da Privataria.

Note-se que o “Roda Morta” mencionou Gilmar Dantas apenas quatro vezes.

Logo ele, co-autor do livro !

E, mesmo assim, Gilmar foi citado fora do contexto dos HCs Canguru, essa contribuição jabuticabal do ilustre ex-Presidente Supremo do Supremo à Magistratura Universal – clique aqui para ver o vídeo que a Globo censurou e mostra o que Gilmar ignorou – “per saltum”- para tirar Dantas da cadeia.

Notável foi o desnudamento de um certo Marcio Chaer, fonte de inspiração de notáveis e Ilustres colonistas (**) do PiG que, como ele, bajulam a comunidade dos advogados e juízes, em busca de “imparciais” “informações”.

Chaer fugiu do Roda Morta.

Não compareceu.

Mas deixou duas perguntas lidas com estudada ênfase pelo conhecidíssimo apresentador.

Rubens Valente triturou Chaer como se transforma carne crua em hambúrguer.

Valente mostrou que Chaer merece o apoio de grandes advogados, muitos deles financiados pelas contas milionárias de Daniel Dantas.

Que Chaer fez uma proposta que vender serviços “jornalísticos” à Brasil-Telecom, quando governada por Dantas.

Valente contou que Chaer é amigo íntimo de Gilmar Dantas (*).

A ponto de gabar-se de ter sido o doce cupido que selou o casamento de Gilmar.

Chaer, portanto, é tudo menos “jornalista”.

Mas, deixou ali uma “suposta” representante ilustre.

Uma repórter que estava muito preocupada em incriminar o empresário Luiz Roberto Demarco, a quem Dantas atribuiu a origem de todo o seu infortúnio.

Valente mostrou à decepcionada interrogadora que não há um único gesto que desabone Demarco em toda a sua investigação.

Como demonstrou que não existe o áudio do grampo do Gilmar.

Que a ABIN não contaminou as provas da Satiagraha.

E que tudo o que o Protógenes apurou foi, depois, INTEIRAMENTE confirmado pelo delegado Saadi.

Portanto, Dantas e Gilmar estão julgados.

Falta a dosimetria.

 

Em tempo: ao contrário do que disseram os “desinformados” e omissos entrevistadores, a ação criminal nascida do ventre da Satiagraha não acabou.

A Satiagraha renascerá no plenário do Supremo, RE 680967, vencida a etapa preliminar e provisória, agora entregue ao inatacável Ministro-relator, Luiz Fux.

Além disso, Dantas foi condenado a dez anos de cadeia por tentativa de suborno.

Falta julgá-lo por crimes contra o sistema financeiro, devidamente descritos no best-seller que, esta semana vai a Brasília, provavelmente com a presença de Gilmar Dantas (*), frequentador assíduo de noites de autógrafos.

Em tempo2: por obra do destemido Ministro Lewandowski, o inquérito 2474 está à disposição dos advogados de réus na AP 470.  O Presidente Barbosa – que entrou nos planos do Dudu – omitiu o 2474, mas ele ressurge vigoroso. Muita água vai correr debaixo da ponte do Dantas …

Paulo Henrique Amorim, no CONVERSA AFIADA

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/02/18/%E2%80%9Croda-morta%E2%80%9D-nao-salva-dantas-nem-gilmar/

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

18 + onze =