DECISÃO ESPÍRITA: Demanda judicial que pode resultar na cassação do mandato de genro do deputado Riva e filho de juiz aposentado pelo CNJ entra em clima de guerra. Desembargador Juvenal Pereira teria dirigido impropérios contra promotores e acusado Gaeco de torturar testemunha em atitude “repugnante”. Promotor Marco Aurélio Castro avalia voto de Juvenal como “simplório” e o desafia a apresentar major da PM que teria interrogado testemunhas pelo Gaeco. Advogado Eduardo Mahon acusa MP de tentar jogar opinião pública contra Juvenal e convoca coletiva para tentar jogar opinião pública contra o MP

O advogado Eduardo Mahon, o desembargador Juvenal Pereira e o promotor Marco Aurélio de Castro. O vereador João Emanuel, genro de Riva e filho de Irênio Lima Fernandes está quietinho, talvez pela sua incapacidade de sustentar grandes polêmicas - mas a possível vitória ou derrota de seus interesses colocam em confronto poderosas forças do Poder Judiciário em Mato Grosso. Agora a batata quente vai para as mãos do sempre discreto e nada ousado desembargador Luiz Ferreira, da cota da OAB no TJMT

O advogado Eduardo Mahon, o desembargador Juvenal Pereira e o promotor Marco Aurélio de Castro. O vereador João Emanuel, genro de Riva e filho de Irênio Lima Fernandes está quietinho, talvez pela sua incapacidade de sustentar grandes polêmicas – mas a possível vitória ou derrota de seus interesses colocam em confronto poderosas forças do Poder Judiciário em Mato Grosso. Agora a batata quente vai para as mãos do sempre discreto e nada ousado desembargador Luiz Ferreira, da cota da OAB no TJMT

Desembargador vota para manter suspensa investigação do Gaeco e chama promotores de “repugnantes”

Da Redação – Katiana Pereira

Do Olhar Jurídico

Desembargador vota para manter suspensa investigação do Gaeco e chama promotores de ''repugnantes''

Na manhã desta quarta-feira (19), durante a sessão da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), o desembargador Juvenal Pereira da Silva votou por manter suspensa a Operação Aprendiz, deflagrada pelo Gaeco em novembro de 2013 para investigar supostas fraudes em licitações da Câmara de Vereadores e grilagem de terrenos. O esquema seria liderado pelo vereador João Emanuel (PSD).

Antes de ler o seu voto, que durou quase duas horas, o desembargador declarou em plenário que os promotores do Grupo possuem atitudes “repugnantes, sensacionalistas e que causam asco”. O magistrado se referia ao caso de uma senhora que está interditada por problemas psicológicos e que foi intimada a prestar esclarecimentos na sede de Gaeco.

O desembargador afirmou que os promotores tem agido como “professores de Deus” e “paladinos da verdade”. “Apenas estabeleci que a lei fosse cumprida (…). Conduzir o debate para o palco do circo foge a minha formação”, declarou o desembargador.

O voto foi proferido em relação ao habeas corpus 6990/2014, impetrado pelo Ministério Público Estadual para cassar a liminar concedida pelo desembargador Juvenal, que determinou a suspensão das investigações da Operação Aprendiz.

O desembargador Juvenal sustentou a tese que o Gaeco não possui competência para investigar sem a participação da Polícia Civil, contrariando o relator do HC, o desembargador Gilberto Giraldelli, que defendeu em seu voto o poder de investigação do Gaeco independente da presença da Polícia Civil.  Giraldelli pediu a cassação da liminar concedida pelo colega.

No polêmico voto, Silva defendeu que houve descumprimento ao preceptivo legal “que obriga a intervenção multifacetada dos órgãos indicados nos incisos I, II e III, especialmente porque a deflagração do procedimento ocorreu por força da Ordem de Serviço nº OS_3644 […], subscrita unicamente pelos promotores de justiça”.

O julgamento foi novamente adiado por um pedido de vista do desembargador Luiz Ferreira, terceiro integrante da Câmara.

A reportagem entrou em contato com o Gaeco, mas os promotores ainda não avaliaram se irão comentar o assunto ou tomar outras providências. A defesa do vereador João Emanuel, patrocinada pelo advogado Eduardo Mahon, preferiu não comentar.

Operação suspensa

Conforme já divulgado, o desembargador suspendeu por meio de liminar a Operação Aprendiz deflagrada contra o vereador João Emanuel (PSD). em decisão que o Olhar Jurídico teve acesso, foi observado “que as investigação contidas no Procedimento de Investigação Criminal nº 21/2013, foram iniciadas e em [sic] mantidas apenas por Promotores de Justiça, como se o Gaeco pudesse ser composto apenas por eles, em flagrante inobservância aos termos do art.2º da Lei Complementar Estadual nº 119, de 20 de dezembro de 2002”.

O desembargador declarou ainda em que o Gaeco precisa respeitar a lei que o criou. O magistrado afirmou que entende a repercussão negativa que a decisão pode causar, mas alegou que apenas fez cumprir a lei.

Investigações continuam

Durante coletiva de imprensa os promotores do Gaeco prestaram esclarecimentos sobre os efeitos da decisão proferida no procedimento relacionado a “Operação Aprendiz”.

“O Ministério Público continuará trabalhando em defesa da sociedade. Não vamos desrespeitar a ordem judicial, mas é importante deixar claro que esta decisão não alcança os atos praticados na Promotoria do Patrimônio Público. As investigações não estão suspensas no âmbito Cível”, destacou Mauro Zaque, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa de Cuiabá.

O coordenador do Gaeco, Marco Aurélio de Castro, assegurou que adotará as medidas cabíveis para reverter a decisão proferida pelo desembargador Juvenal Pereira da Silva. Afirmou que dificilmente vingará a tese apresentada pelo representante do Poder Judiciário de que o Ministério Público não pode investigar sem a participação de um delegado.

“No âmbito jurídico, o entendimento de que o Ministério Público deve promover a investigação criminal está consolidado pela doutrina. A sociedade brasileira também já se posicionou sobre o assunto quando saiu às ruas em defesa da derrubada da PEC 37”, ressaltou.

FONTE OLHAR JURIDICO

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Promotor acusa desembargador de “ressuscitar” a PEC 37

Polêmica foi criada com a suspensão das investigações da Operação Aprendiz

 

Castro é contrário à opinião de Juvenal, de que o MP só pode investigar com a presença da Polícia Civil

LUCAS RODRIGUES
DO MIDIAJUR

O coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), promotor Marco Aurélio Castro, rebateu as críticas do desembargador Juvenal Pereira da Silva, sobre a atuação do grupo nas investigações da Operação Aprendiz.

Juvenal voltou a criticar o fato de o Gaeco não ter na sua composição um delegado de Polícia conduzindo as investigações, conforme estabelece a Lei 119/2002.

Ele defendeu, durante julgamento ocorrido na 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, nesta quarta-feira (19), a manutenção da suspensão das investigações criminais desencadeadas pelo grupo na referida operação, deflagrada em novembro do ano passado.

“Está mais claro do que nunca de que, com esse voto do desembargador, está restabelecida a PEC 37”, disse o promotor, se referindo à proposta, arquivada pela Câmara dos Deputados em 2013, que pretendia impedir que o Ministério Público realizasse investigações na esfera criminal.

Juvenal Pereira já havia concedido liminarmente, no final de janeiro passado, pedido contido em habeas corpus pela suspensão das investigações.

Ele entendeu que o Gaeco não teria observado a composição obrigatória de um delegado da Polícia Judiciária Civil para que as investigações fossem realizadas e tivessem legalidade.

Segundo Marco Aurélio, apesar “do corpo constitucional que permite que o Ministério Público investigue”, o desembargador Juvenal Pereira “entende que o Ministério Público, da forma como está, não pode investigar, tem que investigar com a Polícia Judiciária Civil”.

“Ele emitiu voto dizendo que não está restabelecendo a PEC, está dizendo que o Ministério Público só pode investigar quando estiver fazendo controle externo da Polícia Judiciária Civil. E eu digo: constitucionalmente, nós estamos autorizados. Então, é uma leitura simplória, a meu ver, equivocada, mas respeito ela, que restabelece toda a discussão que tivemos em junho passado”, afirmou o chefe do Gaeco.

Na semana passada, o desembargador Gilberto Giraldelli votou pela cassação da liminar e a consequente continuidade das investigações.

No entanto, o mérito do HC só deve ser decidido no próximo dia 26 de fevereiro, devido ao pedido de vistas do desembargador Luiz Ferreira, na sessão desta quarta-feira.

Falhas de apreciação

Marco Aurélio Castro também apontou supostas falhas contidas na apreciação do polêmico caso pelo desembargador Juvenal Pereira.

Uma delas seria a não observância, por parte do magistrado, dos “documentos existentes nos autos”.

“Ele diz que um major interrogou [testemunhas intimadas pelo grupo] e isso não existe no Gaeco. Isso nunca existiu dentro do procedimento. Eu desafio qualquer um a me mostrar que um major interrogou alguém. Major não interroga. Quem interroga é Ministério Público e delegado”, afirmou

Outra crítica diz respeito ao fato de o desembargador ter colocado em xeque um depoimento feito ao promotor por parte de Érica Patrícia Cunha, testemunha da suposta fraude documental investigada pela Operação Aprendiz.

“Essa Érica, que é citada como uma pessoa que chegou no Gaeco sem qualquer condição, já existe prova pericial de que ela foi no cartório falsificar documento da Dona Ruth [empresária que seria vítima de um esquema de fraude de imóveis, em que o vereador João Emanuel é acusado de participação], usado pelo João Emanuel. Temos prova documental disso. Segundo: ela foi com dois advogados na minha sala. Eu indago ao desembargador: se ele tem dúvidas de que houve tortura, ele que indique quem praticou a tortura. E mais: porque houve a omissão dos dois advogados, que estavam sentados na frente dele hoje? Isso é uma inverdade”, explicou o coordenador do Gaeco.

O promotor também fez observações sobre o embasamento do voto de Juvenal, em notícia veiculada na mídia regional, sobre a não participação da Polícia Civil no Gaeco.

“Agora, eu tenho que a todo momento enviar um ofício pedindo para eles [Polícia Civil] mandarem alguém? Todo mundo sabe que o Gaeco existe desde 2002, todo mundo sabe que o delegado pode participar, não participa porque até então não mandou um nome sequer. Fizemos inúmeras reuniões, mas quando é para mostrar algo leva ao jornal, agora quando é para falar da omissão não mostra nada?”, questionou.

Prejuízos

Conforme o promotor, o período de mais de 20 dias em que a investigação está suspensa tem causado prejuízos à apuração dos fatos.

“Nós não podemos fazer nada. Os fatos estão aí, a população viu o vídeo, viu o que foi proposto, e quando nós estávamos entrando na segunda fase da operação, que é a análise de prova pericial, análise de quebra de sigilo bancário, somos interrompidos na investigação”, lamentou.

A operação

No dia 28 de novembro passado, o Gaeco deflagrou a Operação Aprendiz para o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão.

Entre os lugares que foram alvos da operação estavam a Câmara Municipal de Cuiabá, a residência do então presidente João Emanuel (PSD), a gráfica Propel, o Cartório do 2º Serviço Notarial e Registral de Várzea Grande, um escritório de contabilidade, além de três residências na capital.

O MPE ouviu o vereador, o advogado e contador Marcos David Andrade, Amarildo dos Santos, Evandro Vianna Stábile Filho, Marcelo de Almeida Ribeiro e André Luiz Guerra Santos.

Todos são apontados pelo Ministério Público como supostos participantes de uma quadrilha, que tinha como objetivo desviar dinheiro da Câmara de Vereadores

João Emanuel foi acusado de se envolver em um suposto esquema de falsificação de documentos de terrenos.

Os imóveis, com os documentos falsificados, seriam utilizados como garantia para agiotas na captação de dinheiro para sua futura campanha para deputado em 2014.

Entre as provas apresentadas pelo Gaeco contra o vereador, está o vídeo gravado por uma das supostas vítimas de João Emanuel. A investigação do Gaeco, até o momento, aponta que os terrenos seriam pagos aos proprietários com oferta de participação em processos licitatórios fraudados na Câmara Municipal.

Há poucos dias, peritos indicaram que o vídeo não teria sofrido nenhum tipo de corte ou edição. Confirmando a veracidade da gravação.

A investigação do Gaeco apontou que os terrenos seriam pagos aos proprietários com oferta de participação em processos licitatórios fraudados na Câmara Municipal.

Na época da investigação, o promotor de justiça Marco Aurélio informou que o suposto esquema consistia na “captação de recursos no universo de factorings e a suspeita é que o presidente utilizava a estrutura ali existente para dar uma legalidade no pagamento.

Outra imputação contra João Emanuel diz respeito ao contrato com a Gráfica Propel. Segundo o MPE, somente no ano de 2013, mais de R$ 1,4 milhão foram pagos a empresa, por trabalhos prestados a Câmara.

“O valor é muito maior do que a Prefeitura de Cuiabá gastou no mesmo período, com todas as secretárias. O gasto pela prefeitura foi de pouco mais de R$ 500 mil”, destacou o promotor de justiça, Clóvis de Almeida.

Em decorrência da operação, João Emanuel, que estava no comando da Câmara, renunciou ao cargo.

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Mahon faz duras críticas e acusa Gaeco de tentar pressionar TJ através da mídia

Da Redação – Jardel P. Arruda

OLHAR JURIDICO

Mahon faz duras críticas e acusa Gaeco de tentar pressionar TJ através da mídia

Aproveitando o embalo do voto do desembargador Juvenal Pereira da Silva que optou pela manutenção da suspensão da Operação Aprendiz, o advogado Eduardo Mahon teceu duras críticas à postura de promotores do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). Para o jurista, responsável pela defesa do vereador João Emanuel (PSD), estes membros do Ministério Público Estadual tentam pressionar o Tribunal de Justiça através da opinião pública.

“Não cabe ao Ministério Pública chamar uma decisão de um desembargador de tacanha, acanhada e ilegal. Se eles não concordam, tem de recorrer”, afirmou o advogado, em entrevista coletiva, na tarde desta quarta-feira (19), enquanto ainda comemorava o voto de Juvenal, que mantém empatado em um a um o julgamento do mérito do Habeas Corpus com pedido de suspensão da Operação Aprendiz. O desempate deverá ocorrer na próxima semana, com o voto do desembargador Luiz Ferreira da Silva.

Segundo Mahon, os promotores utilizam a imprensa, através de entrevistas cheias de frases de efeito e sem embasamento jurídico, para jogar a opinião pública contra o Tribunal de Justiça e pressionar os magistrados a darem decisões tendenciosas. “Ficou muito claro no julgamento de hoje que o judiciário ficou muito ferido pelo Ministério Público. Houve pressão e foi extremamente politizado pelo MP. Aonde já se viu todos os promotores do Gaeco e membro da ONG Moral esperando para ouvir um voto? Isso não é pressão?”, enfatizou Mahon.

Extra Petita e outros

De acordo com Eduardo Mahon, uma das teses mais utilizados pelo Ministério Público para atacar a decisão liminar do desembargador Juvenal que suspendeu a operação, de que o magistrado havia julgado extra petita (além do pedido pelo advogado) é falsa, por isso seria inexistente em Habeas Corpus. Segundo ele, o magistrado tem o poder e o dever de verificar todo argumento dito e não dito por um advogado em um pedido de HC.

Além disso, ele também questiona a validade de um PIC (Procedimento Investigatório Criminal), o instrumento usado pelo Gaeco para investigar. Segundo ele, esse tipo de ferramenta não é prevista em nenhuma legislação, tendo sido criada e regulada apenas pelo próprio Ministério Público. “O desembargador Juvenal falou isso em sua decisão, que foi uma verdadeira aula, e é verdade. É muito fácil você mesmo regular suas próprias atividades”, disse.

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OPERAÇÃO APRENDIZ

Juvenal mantém voto e decisão é adiada

Diante da divergência de opiniões entre os outros dois membros da Corte, desembargador Luiz Ferreira da Silva fez pedido de vista do processo

OTMAR OLIVEIRA
Recurso apreciado suspendeu as investigações do Gaeco contra o vereador João Emanuel. Julgamento será retomado quarta-feira (26)

THAISA PIMPÃO
DIARIO DE CUIABÁ
Um novo pedido de vista adiou mais uma vez a decisão da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça sobre manter ou não suspensas as investigações do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) contra o vereador por Cuiabá João Emanuel (PSD).

Durante o julgamento do mérito do habeas corpus que beneficiou o social-democrata na manhã desta quarta-feira (19), o desembargador Luiz Ferreira da Silva fez a solicitação para analisar o caso com mais calma. A medida se deu diante da divergência entre os outros dois membros da Corte.

Na última semana, o relator do processo, desembargador Gilberto Giraldelli, votou pela cassação da liminar que paralisou os trabalhos do Grupo. O Gaeco apurava um suposto esquema de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e desvio de recursos públicos na Câmara de Cuiabá referentes ao período em que João Emanuel foi presidente do Legislativo.

A medida fez o desembargador Juvenal Pereira da Silva pedir vistas do processo. Isso porque foi dele a decisão liminar pela suspensão dos trabalhos do Gaeco. Ele acatou a justificativa de vício na composição do Grupo, já que não houve a participação de um delegado da Polícia Civil nas investigações em questão.

No julgamento de ontem (19), Juvenal emitiu seu voto-vista e manteve seu entendimento pela paralisação das investigações.

“O poder investigatório do Ministério Público, embora existente, não é ilimitado, não podendo abranger ou de deflagrar ou de presidir investigações criminais de qualquer espécie, pois deve existir divisão clara de tarefa entre este e a Polícia Judiciária Civil a quem incumbe, principalmente, a apuração das infrações penais por meio de instrumento próprio, que é o inquérito policial, sob pena de usurpar as atribuições institucionais e esvaziar o âmbito de atuação da Polícia Civil”, argumentou.

O magistrado também citou diversos casos judiciais de outros estados em que o entendimento foi por restringir a atuação do Ministério Público e ressaltou que, em 2011, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em um recurso de agravo de instrumento foi no mesmo sentido, isto é, que é defeso ao MP presidir inquérito policial cujo ato é privativo da Polícia Civil.

Em outro trecho do voto, o desembargado sustentou que, considerando que a atuação do Gaeco se dá em regime de exceção, ou seja, nos casos onde haja indício da existência de organização criminosa, “maior deverá ser o respeito aos direitos e garantias individuais das pessoas investigadas nesse âmbito, incluindo o direito de ser investigado somente pela autoridade competente”, disse.

Juvenal também rechaçou as alegações dos promotores de Justiça que disseram ter solicitado verbalmente a presença de um delegado, sem obter resposta. Segundo ele, não há registro formal de qualquer pedido feito pelo Ministério Público aos policiais civis.

Em vários momentos, o desembargador assinalou que não vê impedimento no fato de o MP realizar investigações, pontuando o previsto na legislação que vedada aos promotores o ato de presidir inquérito.

POLÍCIA MILITAR – O desembargador ainda acusou o Gaeco de ter colocado um major da Polícia Militar para interrogar e investigar alguns acusados de participar do suposto esquema.

O coordenador do Grupo, promotor de justiça Marco Aurélio de Castro, no entanto, negou o fato. “Eu desafio qualquer pessoa a me mostrar que um major da PM investigou alguém”, disse.

O julgamento do caso deve ser retomado na semana que vem. A previsão é que entre em pauta na sessão da próxima quarta-feira (26).

Coordenador critica voto-vista

O coordenador do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), promotor de justiça Marco Aurélio de Castro, acompanhou a leitura do voto-vista do desembargador Juvenal Pereira da Silva no julgamento do mérito do recurso que paralisou as investigações criminais contra vereador João Emanuel (PSD), ex-presidente da Câmara de Cuiabá. Para ele, está sendo “ressuscitada” a PEC 37.

A Proposta de Emenda à Constituição 37/2011, já arquivada no Congresso Nacional, previa a limitação do poder de investigação criminal às polícias Federal e Civil, retirando-o de outros órgãos, como o Ministério Público. Ela foi derrubada após intensos protestos por todo o país, em junho do ano passado.

“Está mais claro do que nunca de que, com esse voto, está restabelecida a PEC 37. E mais: o desembargador faz uma grande confusão naquele momento, que é a análise da incapacidade civil no ambiente penal. Uma não se mistura a outra. Isso está na doutrina”.

A referência foi à acusação de Juvenal contra o Gaeco de que uma pessoa considerada incapaz teria sido interrogada durante o curso das investigações.

Trata-se de Érica Patrícia Cunha da Silva Rigotti, que teria falsificado a assinatura da empresária Ruth Hércia da Silva Dutra, dona de dois terrenos que teriam sido grilados a mando de João Emanuel.

No início desse mês, um laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) afirmou que há semelhanças entre as assinaturas de Érica Patrícia e de Ruth Dutra.

“A pessoa pode ser incapaz civilmente, mas praticar crime. Quem pode dizer se ela é incapaz ou não é só o juízo criminal e não o juízo cível”, argumenta o promotor.

Para Marco Aurélio, embora o desembargador diga que não, a discussão em torno da PEC 37 é retomada no momento em que se defende que o Ministério Público só pode investigar quando estiver fazendo controle externo da Polícia Civil.

“Eu digo: constitucionalmente, estamos autorizados. Considero essa uma leitura simplória, equivocada, apesar de eu respeitá-la, e que restabelece toda a discussão feita em 2013. Estou surpreso com a manutenção do voto”, conclui. (

Defesa ataca Comissão de ÉticaKAMILA ARRUDA
Diário de CuiabáResponsável pela defesa do ex-presidente da Câmara de Cuiabá, vereador João Emanuel (PSD), o advogado Eduardo Mahon quer suspender as investigações contra o social-democrata pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar do Legislativo.

Mahon afirma que o grupo de vereadores tem deixado alguns pontos falhos, que dão brechas para ser questionados juridicamente. As contestações devem ser apresentadas no relatório de defesa.

A intenção é suspender as investigações e evitar o pedido de cassação de João Emanuel sob acusação de quebra de decoro parlamentar.

O social-democrata deve ter o prazo para apresentação de suas alegações estendido. A prorrogação foi solicitada na última terça-feira (18). João Emanuel alegou não ter recebido todo o material que está sendo usado pela Comissão no processo.

“Eles vão ter que nos dar mais tempo. Se eles não restabelecerem nosso prazo, entro com um mandato de segurança. Como vou formular a defesa se não tenho o material que estão usando para acusar? Eles entregaram a capa sem o DVD”, argumenta Mahon.

João Emanuel teria que apresentar sua defesa na sessão da Câmara desta terça-feira (25). Mahon afirma que a formulação do pedido de prorrogação tão perto do prazo expirar faz parte de sua estratégia.

O advogado também afirma que na citação do vereador, a Comissão de Ética não especificou o objetivo da investigação. “Com base em que temos que formular a defesa, se nem sabemos do que ele é acusado?”.

Segundo Mahon, há seis preliminares estruturadas que podem suspender a investigação da Câmara antes mesmo do julgamento do mérito da questão, ou seja, que o relatório final do grupo seja levado para apreciação em plenário.

Entre estes pontos está a reunião da Comissão com o Ministério Público (MPE) e a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT). Para a defesa, os vereadores teriam “atropelado” etapas do processo, já que, enquanto não se apresenta a defesa, o grupo deveria trabalhar apenas internamente.

HABEAS CORPUS – Quanto ao recurso em trâmite na Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, Mahon afirma que vai aguardar o desempate entre os desembargadores para decidir que medidas adotar.

Adianta, todavia, que, se a decisão foi desfavorável a seu cliente, vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

6 Comentários

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  1. - IP 189.59.39.159 - Responder

    Esse Marrom botou a turma do Gaeco pra dormir!

  2. - IP 187.7.212.2 - Responder

    Muito triste isso….. Briga de vaidades, gaeco e desembargador batendo boca…. coisa feia.. Enquanto isso o que de fato importa, ou seja a conduta do vereador e os eventuais crimes cometidos ficam sem julgamento.

  3. - IP 186.213.229.82 - Responder

    Este Dr. Mahon não perde nenhuma oportunidade de bajular Desembargador,

  4. - IP 189.59.40.175 - Responder

    De um lado,o mahon de outro lado o mp ,e do lado de fora nós ,que pagamos a acusação e a defesa .Ou alguém tem duvida que só dinheiro publico tá envolvido .Enquanto isso ,nós:TOP,TOP,TOP!

  5. - IP 177.64.247.25 - Responder

    lendo sobre as manobras desse advogado do joão emanuel, lembrei daquele piada que conta que certo dia estavam dois homens caminhando por um cemitério quando se depararam com uma sepultura recente.
    na lápide lia-se: “aqui jaz um homem honesto e advogado competente’*. ao terminar a leitura um virou-se para o outro e disse: – desde quando estão enterrando duas pessoas na mesma cova?

  6. - IP 177.64.247.25 - Responder

    outra piada em homenagem ao advogado do joão emanuel:
    dois advogados saem do escritório cansados… com a gravata semi-aberta, o cigarro no canto da boca depois de um dia estafante de trabalho, um vira para o outro e pergunta:
    – vamos tomar alguma coisa?
    o outro arregala os olhos empolgado e responde:
    – vamos!!! de quem?

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