DE JOSÉ ANTONIO LEMOS PARA QUE SILVAL BARBOSA E MAURO MENDES LEIAM E MEDITEM: “Dentre todas as joias turísticas de Mato Grosso a de maior potencial é o centro geodésico da América do Sul, que, no entanto, não é lembrada nas programações para a Copa. O centro do continente sul-americano só existe um, está aqui e precisa ser explorado como gerador de empregos, renda e cultura”

O governador Silval Barbosa, o arquiteto José Antonio Lemos e o prefeito Mauro Mendes. Por que os nossos governantes até agora não enxergam a possibilidade de explorar turisticamente o fato de que Cuiabá está situada no Centro Geodósico da América do Sul?

O governador Silval Barbosa, o arquiteto José Antonio Lemos e o prefeito Mauro Mendes. Por que os nossos governantes até agora não enxergam a possibilidade de explorar turisticamente o fato de que Cuiabá está situada no Centro Geodósico da América do Sul?

 

 

 

A Copa e o centro da América

POR JOSÉ ANTONIO LEMOS
Desde que surgiram em 1851 com a Exposição Universal de Londres, os grandes eventos internacionais objetivam promover a venda de alguma coisa. Na época era fazer uma mostra da produção da indústria inglesa, reunindo em um só lugar produtos, produtores e consumidores de todo o mundo. A grande atração acabou sendo o próprio edifício onde se realizou o evento, o Palácio de Cristal, de dimensões jamais vistas, todo em estrutura metálica e vidro, abrindo caminho para a nova arquitetura que mais tarde se consolidaria como Arquitetura Modernista. Quando Dutra, o presidente cuiabano, construiu o Maracanã e trouxe a Copa do Mundo de 1950, seu objetivo era mostrar ao mundo um novo país que deixava de ser rural começando a ser industrializado, apto a receber as atenções dos investidores internacionais.

Agora ao estender a Copa 2014 para o Pantanal e Amazônia o Brasil buscou mostrar ao mundo as belezas desses ecossistemas e promover seu potencial turístico em nível internacional, objetivo, aliás, que parece ter sido marginalizado pelos próprios gestores da Copa. Em comparação às obras da mobilidade urbana, tão importantes para Cuiabá, pouca coisa foi desenvolvida no turismo. Sorte é que as atrações naturais de Mato Grosso são tão poderosas, que mesmo marginalizadas nas atenções oficiais, elas mesmo se promovem, aliás, como sempre fizeram. Nesta reta final para o grande evento, fundamental é que os governos não atrapalhem e que invistam ainda no que puder ser feito em termos segurança, informação e conforto ao turista. É o que dá!

Além do Pantanal, Mato Grosso tem as belezas naturais do Cerrado e da Amazônia, assim como – por que não? – as belezas das paisagens artificiais das grandes plantações e dos grandes campos criatórios, ricos em capital, tecnologia e polêmicas, sérias e não sérias, como as que sempre acompanham os avanços pioneiros. Porém, dentre todas as joias turísticas de Mato Grosso a de maior potencial é o centro geodésico da América do Sul, que, no entanto, não é lembrada nas programações para a Copa. O centro do continente sul-americano só existe um, está aqui e precisa ser explorado como gerador de empregos, renda e cultura. De quebra ainda leva junto o nome de Rondon, pantaneiro reconhecido mundialmente como um dos maiores vultos da história humana, que identificou e demarcou aquele lugar mágico. Por falar em Rondon, não dava para preparar alguma referência lá no local onde nasceu, talvez na parte já levantada de seu memorial em Mimoso?

Voltando ao centro da América do Sul, não temos o direito de negar a um turista que vem lá do outro lado do mundo ao menos a informação de que ele esteve no centro exato de um continente e a possibilidade de registrar essa sua presença em uma foto certificada a ser pendurada em alguma das paredes de sua memória. Seria tão difícil preparar uma estrutura para fotos e certificados oficiais assinados pelo prefeito, com visitas agendadas pelos hotéis logo à entrada do hóspede, e cobrados a preços módicos à sua saída? Seria difícil conseguir que cada delegação fizesse uma visita com foto oficial junto ao obelisco? Haveria melhor divulgação? Meu primeiro artigo sobre assunto é de 1986 no saudoso O Estado de Mato Grosso, propondo no local um centro de cultura sul-americana. Quem sabe para o Tricentenário? Hoje, a poucos meses da Copa é impossível pensar além desses serviços de registro de presença. Em termos do espaço, o tratamento dado por Jaime Lerner está ótimo, nada a construir, só adicionar uma bela iluminação cenográfica, apoio técnico de qualidade ao turista, manutenção e limpeza constantes. O mais importante é o centro da América do Sul, atestado por Rondon. Isso só Cuiabá tem.

*JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário. 

Categorias:Beleza Pura

1 Comentário

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  1. - IP 189.59.51.63 - Responder

    Esse arquiteto,sonhador como a maioria dos colegas,ardoroso defensor do DESgoverno Silval,sempre enxergou o copo da Copa ,meio-cheio apesar, dos fatos e imagens demonstrarem o contrário.Agora que esta comprovado que o copo está e ficará ,MEIO-VAZIO,e irremediávelmente derramado,vem ele falar sobre as belezas naturais de MT.Agora essas belezas é que salvarão a COPA do Pantanal,não mais as obras.Assim fica fácil,não ter opinião sobre o nada.PASSAREMOS VERGONHA,ISSO QUE O DR.TINHA A OBRIGAÇÃO DE DIZER COM TODAS AS LETRAS,pois sua formação é cartesiana,ou seja:”o que não ficou pronto em 7 anos não ficará pronto em 7 meses ,ainda mais nas chuvas de verão!

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