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De 1º a 7 de setembro realizou-se em todo o território nacional o Plebiscito Popular por uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político. Embora ainda não seja oficial, a estimativa é que tenhamos passado dos 10 milhões de votos, o que, por si só, já representa o desejo do povo brasileiro de transformar o nosso sistema político.

Plebiscito popular: vitória da população e dos movimentos sociais

Embora ainda não seja oficial, a estimativa é que tenhamos passado dos 10 milhões de votos, o que, por si só, já representa o desejo do povo brasileiro de transformar o sistema político. Foram 4 milhões de acessos ao site da campanha

POR JULIANE FURNO
BRASIL DEBATE
De 1º a 7 de setembro realizou-se em todo o território nacional o Plebiscito Popular por uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político.

A iniciativa foi de diversos movimentos sociais brasileiros que identificaram a necessidade de aprimorar a democracia brasileira, criando mecanismos que aproxime a política do conjunto da população.

Esses mecanismos passam pelo incentivo à participação popular, ao mesmo tempo em que avançam na restrição do papel que os grandes grupos econômicos têm sob os parlamentares, por meio do financiamento às suas campanhas. No ditado popular: Quem paga a banda escolhe a música.

O plebiscito aponta para o desejo de mudar essa realidade, por meio da convocação da constituinte. Além de pautar o debate sobre o sistema político na conjuntura brasileira, esse processo teve como principal característica retomar o protagonismo popular.

Com a organização do plebiscito pelas organizações sociais brasileiras, retoma-se o papel dos movimentos sociais como sujeitos propositivos, detentores de um projeto de nação.

Nesse sentido, rompe-se com o isolamento e fragmentação atual da esquerda brasileira e dos movimentos sociais corporativos.

A pauta da reforma política, assim, ganha os movimentos de moradia, sem-terra, de mulheres, de juventude, além dos partidos políticos, fazendo crescer a força do povo organizado.

A principal vitória desse plebiscito foi a criação de 1.500 comitês populares por todo o Brasil, envolvendo mais de 600 organizações políticas diversas e contando com o envolvimento direto de 200.000 ativistas. O número de acessos ao site da campanha chegou em 4 milhões.

Esses números contrastam muito com a herança neoliberal dos anos 1990 no Brasil de individualismo exacerbado e de uma visão de que as organizações históricas da classe trabalhadora já não tinham mais serventia.

Os anos 2000 parecem ter rumado, mediante as melhoras na economia, em direção a um novo caminho para a esquerda brasileira. As melhores condições econômicas, políticas e sociais contribuíram para retomada da ofensiva popular e conquistas de vitórias.

Um exemplo é que se trata da primeira vez na história da construção de plebiscitos populares que nós votamos “SIM”. Em todos os demais, como plebiscito da ALCA ou da Dívida Externa, a posição era de rechaço. Nesse plebiscito, nós pautamos os governos e a sociedade.

Embora ainda não seja oficial, a estimativa é que tenhamos passado dos 10 milhões de votos, o que, por si só, já representa o desejo do povo brasileiro de transformar o nosso sistema político.

Porém, quero ressaltar aqui que o principal resultado dessa consulta popular não foi o número de votos – embora ele seja fundamental – mas a certeza de que o diálogo com a sociedade, a unidade dos setores populares e a disposição do povo brasileiro de seguir, insistentemente, sonhando e construindo um novo Brasil, permanecem vivos.

Essa experiência marcará na nossa sociedade, assim como marcará um novo período de esperanças de que o povo organizado faz história!
Juliane Furno é graduada em ciências sociais pela UFRGS, mestranda em desenvolvimento econômico na Unicamp e militante do plebiscito constituinte do comitê Unicamp

Categorias:Plantão

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