PREFEITURA SANEAMENTO

CORRUPÇÃO EM CUIABÁ: O ex-deputado Maksuês Leite explicou, durante depoimento em Juízo, como aconteciam as negociações do esquema criminoso de desvio de dinheiro público por meio de fraude em licitações do Legislativo municipal, que culminaram na cassação do mandato do então presidente da Câmara, João Emanuel Moreira Lima. VEJA EM VÍDEO

 

 

Maksuês fez acordo com o Ministério Público de delação premiada

Maksuês fez acordo com o Ministério Público de delação premiada

Maksuês relata como dinheiro era dividido entre ele e João Emanuel; veja vídeo

Da Redação – Flávia Borges
Do Olhar JurídicoO ex-deputado Maksuês Leite explicou, durante depoimento em Juízo, como aconteciam as negociações de um esquema criminoso de desvio de dinheiro público por meio de fraude em licitações do Legislativo municipal e que culminou na cassação do mandato do então presidente da Câmara de Cuiabá, João Emanuel Moreira Lima. Em um vídeo obtido com exclusividade pelo Olhar Jurídico, Maksuês relata como acontecia a “manobra”.

São réus no processo o ex-vereador João Emanuel (PSD); o ex-deputado estadual Maksuês Leite, dono da gráfica envolvida no esquema; o ex-secretário-geral do Legislativo municipal, Aparecido Alves; o ex-chefe do almoxarifado, Renan Moreno Lins Figueiredo; e Gleisy Ferreira de Souza, ligado à gráfica.

O ex-deputado explica que o esquema teve início antes mesmo de João Emanuel assumir a presidência da Câmara. O vereador Júlio Pinheiro teria sido o responsável pelo início da confecção do termo de adesão entre a Câmara e a Gráfica Propel, de propriedade de Maksuês. O processo permaneceu parado porque, segundo Maksuês, Júlio alegou que a Casa estava sem dinheiro e seu mandato no comando do Legislativo já estava chegando ao fim.

“Em janeiro, quando o João Emanuel Assumiu, eu tive um encontro com ele na frente da Clínica Femina, onde acertamos como tudo seria feito. Ele (João Emanuel) me disse que a Propel ficaria com 35% do valor do contrato e devolveríamos 65% para ele”, afirmou Maksuês.

Segundo ele, porém, o acordo não foi cumprido. João Emanuel teria voltado atrás e exigido que a gráfica lhe desse um “retorno” de 75% do valor de cada contrato. “Eu falei para ele: João, 25% para 75%, tiro 13% de impostos e o que que eu vou ganhar? Ele falou: calma, vamos fazer 35% e 65% e eu te compenso mais à frente, você produzindo uma boa leva e aí você tem um lucro”, explicou Maksuês.

Ele tenta explicar os motivos que o levaram a participar do esquema. “O correto seria produzir e entregar. Ninguém seria lesado e a gráfica ganharia. Mas os gestores não concordam com isso”. Ele completa dizendo que “já tinha esperança de vender alguma coisa para a Câmara” e, por isso, aceitou a divisão imposta por João Emanuel.

O ex-deputado diz que as ordens de serviço começaram a ser feitas em fevereiro de 2013 e explica a participação de Gleisy Ferreira de Souza, seu sócio na gráfica Propel. “Ele começou em fevereiro a movimentar notas de R$ 200 mil, R$ 300 mil. Cada mês era um valor. Então o Gleisy chegava em mim com uma ordem de serviço de, por exemplo, R$ 220 mil, a gente sentava e já tirava os 75% que eram devolvidos não para a Câmara, mas para o João Emanuel”, explica.

Ainda segundo Maksuês, eram retirados os 13% referentes aos impostos que deveriam ser pagos e o restante era dividido entre ele e Gleisy.

Questionado sobre como era feito o repasse dos 75% a João Emanuel, Maksuês diz que não sabia detalhes, porque a pressão era muito grande. “Na verdade Glaisy nunca entrou em detalhes, porque a ânsia para devolver o dinheiro para João era tão grande, eles ficavam ligando, pressionando. O Gleisy tinha que sair voando para levar os cheques lá na Câmara”, diz.

Operação Aprendiz

A Operação Aprendiz desarticulou um esquema criminoso de desvio de dinheiro público por meio de fraude em licitações do Legislativo municipal. No total, o Ministério Público ofereceu duas denúncias com base nesta investigação.

Neste caso, o objeto principal é o de desvio de mais de R$ 1,6 milhão dos cofres da Câmara Municipal de Cuiabá em conluio com a gráfica Propel Comércio de Materiais para Escritório Ltda.

João Emanuel e os demais réus foram acusados de peculato, formação de quadrilha e falsidade ideológica por ter supostamente fraudado uma licitação da Câmara de Cuiabá para aquisição de materiais gráficos.

Outro lado

O advogado Eduardo Mahon, que defende João Emanuel no processo, afirmou ao Olhar Jurídico que todo o processo de adesão foi feito ainda na gestão de Júlio Pinheiro. O jurista questiona o fato de Maksuês e Pinheiro não terem sido denunciados, mesmo com as declarações do ex-deputado. Ainda segundo Mahon, o princípio da indivisibilidade, segundo o qual a denúncia contra um implica a denúncia contra os demais autores do mesmo crime, não foi respeitado. O advogado explicou também que questionou Maksuês sobre qual o lucro que ele obteve na negociação e que provou, durante o processo, que a carga tributária paga pela Propel era muito maior do que os 13% declarados pelo ex-deputado. “Ou ele está protegendo alguém, ou não contou tudo o que sabe, ou está mentindo”, afirmou Mahon.

2 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 189.59.53.236 - Responder

    Cara de pau! Ficou rico fazendo esquemas a vida toda e agora quer dar uma de delator. Repugnante!

  2. - IP 177.203.43.176 - Responder

    Não compreendo essa relação entre a Justiça e o dedo-duro. Qual é a dimensão ética de uma Justiça aplicada a partir das “verdades” de um dedo-duro? Ou melhor, possui fundamento ético uma Justiça administrada dessa forma? Não causa repugnância?

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

3 + 11 =