Contra sua vontade, sargento gay é transferido para Brasília

O sargento Laci Marinho de Araújo, preso na madrugada de quarta-feira (4) pelo crime militar de deserção, é transferido de um hospital do Exército, no Centro de São Paulo, para Brasília na manhã desta quinta-feira (5), segundo informações do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).

De acordo com o advogado Francisco Lúcio França, o militar, que assumiu publicamente sua homossexualidade em entrevista à revista Época, pode ser encaminhado a uma carceragem em Brasília. O sargento De Araújo era acompanhado no hospital por seu companheiro, o sargento Fernando de Alcântara de Figueiredo.

"Eles me telefonaram desesperados. Foram obrigados a entrar num helicóptero que foi para a Base Aérea Militar de Cumbica. Estão sendo enviados para Brasília", relatou o advogado ao G1 por volta das 11h. Neste horário, o Condepe informou que os militares estavam na Base Aérea Militar de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e embarcariam em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para a capital federal. O Comando do Exército não comentou a info

O Condepe quer que o senador Eduardo Suplicy (PT) receba os sargentos em Brasília e acompanhe o caso. De acordo com o parecer do psiquiatra Paulo César Sampaio, do Condepe e do Conselho Regional de Medicina, o sargento De Araújo não teria condições de ser transferido tampouco de permanecer detido em carceragem. Já os médicos do Exército o consideraram apto.

Laci Marinho de Araújo disse ao G1 na quarta-feira acreditar que sua detenção, determinada pela Justiça Militar, esteja relacionada a discriminação pelo fato de ter assumido publicamente sua homossexualidade. Questionado se acha que a prisão foi um ato discriminatório, ele afirmou: "Tudo culminou em relação a isso mesmo".

O ministro da Defesa negou que tenha havido discriminação do Exército ao decretar a prisão do sargento. "O problema não é a discriminação. A questão é verificar se o caso concreto se aplica às regras disciplinares do Exército", disse Jobim.

Laci de Araújo assumiu ser gay em uma entrevista à revista Época e revelou ter um relacionamento de 10 anos com o também militar Fernando Alcântara de Figueiredo. A assessoria de imprensa do Comando do Exército disse, por meio de nota, que "os militares já respondem a procedimentos judiciais, que estão na esfera da Justiça Militar da União, sendo que um deles estava foragido e indiciado por crime militar de deserção, previsto no Decreto-Lei 1001, de 21 de outubro de 1969".

"A prisão efetuada em 4 de junho é decorrente, tão-somente, do poder-dever da administração militar no cumprimento de suas atribuições de polícia judiciária e dos mandados de prisão expedidos pela Justiça Militar. Portanto, não guarda qualquer relação com a situação declarada pelos próprios militares, foco das reportagens, tampouco com a presença dos mesmos no programa de televisão", acrescenta a nota.
 

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