Conexões criminosas de Cachoeira e Demóstenes em MT

Governo e MPE precisam investigar as conexões criminosas de Carlinhos Cachoeira em MT
Por Pedro Pinto de Oliveira

As autoridades de Mato Grosso, Governo e o Ministério Público Estadual, devem começar já a sua apuração local da denúncia levantada pela Revista Época. Reportagem publicada na última edição da revista informa que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) trocou favores com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Os acordos iam da saúde pública às licitações da Copa do Mundo de 2014.

A revista obteve a transcrição de uma conversa na qual o senador pedia a Cachoeira ajuda para a agência de publicidade de um amigo conseguir contratos em Mato Grosso para a Copa do Mundo.

De acordo com a revista, em 11 de abril de 2011, o senador conversou com Cachoeira sobre como vencer uma licitação em Mato Grosso, de acordo com investigações da Polícia Federal. O alvo era a prestação de serviços de marketing relacionados à Copa do Mundo. “Cê acha que consegue?”, pegunta o senador.

“Acho um negócio bacana. Se for do interesse seu…”, respondeu o contraventor. Alguns minutos depois da ligação telefônica, Demóstenes diz que passará na casa de Cachoeira para falar mais sobre o assunto. A “Época” informa que estavam em jogo dois lotes, de R$ 13 milhões cada um.

A licitação da Secopa não aconteceu e não se pode portanto falar na materialização da intenção da fraude que o senador e o bicheiro pensavam transformar em gesto de corrupção. Mas é preciso ir fundo para descobrir quais as condições, contatos e relação de poder, o bicheiro Carlinhos Cachoeira teria aqui para interferir numa licitação do Estado de Mato Grosso, a ponto do senador goiano pedir a sua ajuda para montar a operação de fraude explicitada nas ligações grampeadas pela PF.

A população de Mato Grosso descobre que depois da prisão do “comendador” João Arcanjo Ribeiro, o bicheiro de Goiás Carlinhos Cachoeira aproveitou o vácuo do poder criminoso para esticar seus tentáculos no Estado.

A investigação é urgente para apurar as eventuais conexões locais com Cachoeira. O bicheiro contava com quem em Mato Grosso? (Com O Globo)

FONTE PNB ON LINE

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LEIA AQUI O QUE A REVISTA ÉPOCA DIVULGOU

O legislador e o fora da lei (trecho)

Novos documentos e escutas mostram a intensa troca de favores entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira – da saúde pública às licitações da Copa

MARCELO ROCHA, MURILO RAMOS E ANDREI MEIRELES
REVISTA EPOCA

Qual é o papel de um líder? Conseguir que outros o sigam. Inspirar seus subordinados por meio de suas próprias ações. Servir de exemplo para as futuras conquistas de um corpo coletivo. O senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, liderava seu partido no Senado Federal. Suas palavras e atitudes, apoiadas num passado de credibilidade no mundo jurídico e como secretário da Segurança Pública de seu Estado, eram respeitadas na cena política nacional. Não mais. Documentos e escutas telefônicas revelados nas últimas semanas mostram que, em vez de representar seus mais de 2 milhões de eleitores, Demóstenes se concentrou em defender os interesses de um único cidadão brasileiro: o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Demóstenes fez lobby para Cachoeira no Congresso Nacional, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na Infraero, empresa responsável pela infraestrutura dos aeroportos do país. Uma transcrição obtida com exclusividade por ÉPOCA mostra que Demóstenes também pedia favores a Cachoeira. Ele queria que o bicheiro, influente no Centro-Oeste, ajudasse a agência de publicidade de um amigo a conseguir contratos em Mato Grosso para a Copa do Mundo. Acumulam-se as evidências de uma relação promíscua entre um legislador e um fora da lei.
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Investigações da Polícia Federal mostram que essa relação incluía inúmeras conversas amistosas, acompanhadas de troca de favores. Um desses bate-papos ocorreu num final de tarde, exatamente às 16h38, do dia 11 de abril de 2011. Os dois conversaram sobre negócios ao telefone. Demóstenes pediu ajuda a Cachoeira para vencer uma licitação em Mato Grosso. Estava em disputa a prestação de serviços de marketing relacionados à Copa do Mundo de 2014. Demóstenes diz a Cachoeira que um “amigo nosso”, dono de agência de publicidade, está interessado. “Cê acha que consegue?”, pergunta Demóstenes. “Acho um negócio bacana. Se for do interesse seu… (de Demóstenes)”, responde Cachoeira. “Eu acho que consigo.” Quatro minutos depois, os dois voltam a se falar, e Demóstenes afirma que passará na casa de Cachoeira para conversar mais sobre o assunto. A ocasião realmente merecia uma discussão mais profunda: estavam em jogo dois lotes, de R$ 13 milhões cada um. Mais tarde, Cachoeira tratou do mesmo assunto com Cláudio Abreu, representante da empresa Delta Construções no Centro-Oeste. “Pega uma (um dos lotes) pra nós”, diz Cachoeira. Em milhares de páginas, o inquérito da Operação Monte Carlo expõe em detalhes como Demóstenes Torres conciliou – e muitas vezes misturou – sua função de senador da República com a de prestador de serviços e parceiro privado de Cachoeira. Tais serviços incluíam lobby, tráfico de influência e corrupção.

Demóstenes defendeu, por exemplo, os interesses da Vitapan Indústria Farmacêutica, laboratório de Carlinhos Cachoeira. Era uma vida dupla. Em público, Demóstenes cobrava rigor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nas licenças concedidas na área de medicamentos. Pelo caminho legal, um laboratório desenvolve um medicamento, submete o trabalho à Anvisa e pede autorização para fabricá-lo. ÉPOCA teve acesso a documentos internos e atas de reunião da Anvisa, a registros e planilhas da Vitapan e à troca de correspondência entre o gabinete de Demóstenes, o laboratório e a agência reguladora. Esses papéis mostram que, nos bastidores, Demóstenes mudava de lado. Ele usava seu prestígio de senador e a estrutura do Senado para pressionar a Anvisa a atender os pleitos de Cachoeira. Entre eles, apressar o registro de uma dúzia de medicamentos.

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