Cientista político WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS analisa fala de Dilma e afirma que o discurso foi ineficaz e que as manifestações revelam o maior ataque à democracia dos últimos 20 anos. “A mensagem subliminar dos arquitetos da desordem tem consistido em insinuar que as instituições democráticas – governo representativo, parlamentos, movimentos sociais organizados, partidos políticos – são os obstáculos à construção de uma sociedade mais justa e livre”, escreve

Para Wanderley Guilherme, a cobertura que a TV faz  é uma empulhação, ao falar de manifestações “cívicas até aqui pacíficas, no meio das passeatas, como se as apresentadoras não soubessem o que viria ao fim da encenação. Em minha opinião, se trata do maior cerco reacionário, nacional e internacional, que este país já sofreu nos últimos vinte anos.

Para Wanderley Guilherme, a cobertura que a TV faz é uma empulhação, ao falar de manifestações “cívicas até aqui pacíficas, no meio das passeatas, como se as apresentadoras não soubessem o que viria ao fim da encenação. Em minha opinião, se trata do maior cerco reacionário, nacional e internacional, que este país já sofreu nos últimos vinte anos.

A presidenta Dilma Rousseff falou mas não disse

Por Wanderley Guilherme dos Santos
Especial para o IG

Não se cura tuberculose por decreto ao fim de passeatas. Mas as gangues de ladrões e depredadores que desde terça-feira, dia 18 de junho, receberam de presente a mais legítima carona da sociedade – desfiles pacíficos em nome da democracia – estão pouco se lixando.

Os articuladores anônimos dos grupos violentos de direita, neo-nazistas inclusive, e dos radicalóides sociopatas, conhecem muito bem o tempo das políticas, mas não é o que os interessa. Para os atraídos de boa fé para a trapaça reivindicatória, enfim, o discurso da presidente Dilma não trouxe novidade. Investimento em saúde e educação, ensino técnico como nunca visto, transparência na administração, através da lei de acesso à informação, apuração de desvios administrativos, com inédita demissão de ministros, são políticas já em vigor e rotineiras, isto é, não há mais discussão sobre se devem ou não devem ser executadas. São políticas de Estado, compromisso do país. Isso para não enumerar sucessivas inovações na política social que, estupidez que o amanhã julgará, passou a ser impudico mencionar em meios de classe de renda mais elevada.

A mensagem da presidente arrisca ser ineficaz, do mesmo modo como são absolutamente vazias as reivindicações marchadeiras: saúde, educação, transparência, ética na política – sem que se indiquem os acusados de objetá-las. Por isso, as provocações tendem a perdurar enquanto os de boa fé não se derem conta de que são equivocadas as manifestações com tanta virulência contra o que de fato já está em execução, obtendo variados graus de sucesso. O cerne da contestação não está nas demandas fragmentadas. Está no ataque à democracia como sistema capaz de prover e operar uma sociedade justa. Em outras palavras: segundo os mentores e comentaristas convertidos os grandes feitos dos últimos governos não seriam tão significativos, antes revelando ser a democracia, pelo menos em sua forma atual, um desastre governativo. Recusa enfática a esse niilismo não constou, mas devia ser crucial, do discurso presidencial.

A mensagem subliminar dos arquitetos da desordem (com exceção do Movimento pelo Passe Livre fora) e dos aproveitadores de todas as idades tem consistido em insinuar que as instituições democráticas – governo representativo, parlamentos, movimentos sociais organizados, partidos políticos – são os obstáculos à construção de uma sociedade mais justa e livre. Golpistas crônicos, anarquistas senis em busca de holofote, muitos jovens anencéfalos e assustados da classe média em geral, formam a retaguarda deste exército do obscurantismo e da violência. A essência desse arremedo intolerante de participação é uma reação à democracia e suas realizações. Faltou ao discurso de Dilma Roussef uma declaração de que reconhecia as manhas dos que se aproveitam das boas intenções para conduzi-las ao inferno. E de que não se submeterá a elas.

Enquanto a empulhação televisa continua a descrever as manifestações “cívicas até aqui pacíficas”, no meio das passeatas, como se as apresentadoras não soubessem o que viria ao fim da encenação, registro que, em minha opinião, se trata do maior cerco reacionário, nacional e internacional, que este país já sofreu nos últimos vinte anos.

WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS é cientista político.

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 177.64.234.81 - Responder

    EPA!! TÁ LOUCO ESSE CARA?!/ O REPÚDIO É O USO POR PARTIDOS DA MANIFESTAÇÃO. O QUE SE QUER É A MORALIZAÇÃO DAS PRÁTICAS DOS PARTIDOS E DA CORRUPÇÃO QUE TOMOU CONTA DO PAÍS.. VEJAM SÓ O CASO DE MATO GROSSO… TODOS SABEM QUES ESSAS OBRAS ESPALHADAS POR CUIABÁ FORAM “BEM PLANEJADAS” PARA NÃO CUMPRIREM O CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO E NO FINAL DÁ ERRADO .. PRA QUE? .. PRA MAIS ROUBO.. TODOS SABEM DISSO.. AGORA BASTA… CORRUPTOS FORA.. QUE VENHAM NOVAS LIDERANÇAS .. E HONESTAS E CAPAZES

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

9 + dezesseis =