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ROBERTINHO BOAVENTURA – A educação brasileira vive na zona do rebaixamento. Nossas universidades, “PT-tizadas” e mais serviçais da ideologia do que quando se viveu a ditadura, são corresponsáveis da tragédia

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Coreia, Trinidad e Brasil
ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ

Na Ed. 2164, de 04/05/2011, Isto É, o economista Ricardo Amorim apresenta opinião sobre investimento na educação brasileira. Para ele, assim como na Coreia do Sul, aqui se deveria investir mais nas crianças do que nos idosos. Hoje, conforme Amorim, “para cada R$ 1 de gasto público com crianças, são gastos R$ 10 com idosos”.

A meu ver, uma ponderação de percentuais orçamentários na análise do economista evitaria a simples escolha de faixas-etárias para aplicação de recursos; todos são cidadãos. Assim, antes da conclusão de Amorim – que vai ao encontro do discurso sistêmico do momento de que é preciso cortar gastos na Previdência – quase tudo paira sobre obviedades. Destaco: o economista aponta que nossa educação, no último Program for International Student Assessment, “ficou no 53º lugar entre 65 países, atrás de Trinidad e Tobago” (TT).

Como em 2005 passei uma temporada de três meses de estudo naquelas duas ilhas caribenhas, que formam o país, confesso: não entendi o espanto. É óbvio que a educação de lá é melhor do que a de cá. Todavia, antes de tudo, o principal motivo não está no fato de TT ter feito opção entre infância (futuro) ou velhice (passado). Lá, é fácil perceber que os mais velhos, em geral, são bons exemplos aos jovens. Até onde soube, em TT não há políticos que beiram o analfabetismo ou que sabidamente nunca leram um livro sequer.

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Mais: além da indispensável questão orçamentária, há rigor na educação em TT. Ex.: a variante linguística do inglês “trini” – mistura de inglês britânico, dialetos da Índia, África e China – não faz afrouxar o ensino da língua inglesa padrão. Por aqui, ao contrário, ensinar formalidades da língua portuguesa, instrumento para o aprendizado das outras disciplinas, é visto como postura político-pedagógica conservadora/bancária. Não é sem motivo, pois, que muitos estudantes brasileiros, principalmente das escolas públicas – aliás, os mais pobres – chegam semianalfabetos às universidades; isso quando chegam. Pior: não saem tão diferentes.

Em TT não se vê estudantes, mesmo os adolescentes, perambulando fora de hora. Uniformizados, todos vão e voltam ao mesmo tempo dos colégios. Não é comum crianças trabalharem; tampouco pedindo esmola. No BR, cenas de alunos fora da escola, ainda que em horário de aula, são corriqueiras. Muitos preferem praças, shoppings e… cemitérios… Drogas?

Educação em TT tem sabor de conteúdo a ser visto de verdade. Sem maiores problemas, o professor ensina o que sabe; o aluno, sem maiores traumas, busca aprender o que desconhece. Se os docentes de lá não têm receio de dizer que vão ensinar, em contrapartida, muitos dos daqui aprenderam a repetir que vão “aprender com o aluno”. Por lá não se aderiu a invencionices de acadêmicos irresponsáveis – agentes do sistema travestidos de democráticos – que, por aqui, se alastram como pragas, confundindo a própria lógica. Aqui, além da inversão dos papéis, professores são ridicularizados pelos salários, mesmo se matando de tanto trabalhar; e ainda vivem expostos à violência, dentro e fora da escola.

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Por isso tudo, numa metáfora futebolística, tão a gosto nacional, a educação brasileira vive na zona do rebaixamento. Ao contrário do que é dito em propagandas do MEC, nossa educação não está no rumo certo; aliás, nunca esteve tão errada. Nossas universidades, “PT-tizadas” e mais serviçais da ideologia do que quando se viveu a ditadura, são corresponsáveis da tragédia.

Logo, tudo mais ao futuro, mas nada a menos ao passado.

*ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ é dr. em Jornalismo/USP e prof. de Literatura da UFMT

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LUIZ CLÁUDIO: Devemos ouvir a população sobre VLT ou BRT

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A troca do VLT pelo BRT

* Luiz Claudio

Em seu primeiro discurso, após receber o resultado da última eleição, o prefeito Emanuel Pinheiro deixou claro que a gestão do Município sempre estará disponível para debater todas as ações que melhorem a vida da população cuiabana. Acontece que, para que um debate realmente seja uma verdade, esse processo necessariamente deve cumprir etapas como argumentar, ouvir, analisar e, por fim, tomar uma decisão em conjunto.

Essas etapas, essenciais principalmente em assuntos que envolvem mais de 600 mil pessoas, até o presente momento, continuam sendo completamente negligenciadas pelo Governo do Estado de Mato Grosso. O recente caso da troca do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) pelo Bus Rapid Transit (BRT) é um grande exemplo dessa dificuldade que a Prefeitura de Cuiabá tem encontrado quando se depara com demandas em que o Executivo estadual está envolvido.

Agora, depois de tomada uma decisão individualizada, se lembraram que existem as Prefeituras Municipais. Com convites para reuniões, as quais o Município não terá nenhuma voz, tentam criar um cenário para validar um discurso de decisão democrática que nunca existiu. Por meio da imprensa, acompanhamos declarações onde se é cobrada uma mudança de postura da Prefeitura de Cuiabá. Mas, qual é a postura que desejam da Capital? A de subserviência? Essa não terão!

Defendemos sim um diálogo. No entanto, queremos que isso seja genuíno. Um diálogo em que as decisões que envolvam Cuiabá sejam tomadas em conjunto e não por meio da imposição. De que adianta convidar para um debate em que já existe uma decisão tomada? Isso não passa de um mero procedimento fantasioso, no qual a opinião do Município não possui qualquer valor.

Nem mesmo a própria população, que é quem utiliza de fato o transporte público, teve a oportunidade de ser ouvida. Isso não é democracia e muito menos demonstração de respeito com aqueles que depositaram nas urnas a confiança em uma gestão. Por conta dessa dificuldade de diálogo foi que o prefeito Emanuel Pinheiro criou Comitê de Análise Técnica para Definição do Modal de Transporte Público da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

Queremos, de forma transparente, conhecer o projeto do BRT. Saber de maneira detalhada o custo da passagem, o valor do subsídio, tipo de combustível, e o destino da estrutura existente como os vagões do VLT e os trilhos já instalados em alguns pontos de Cuiabá e Várzea Grande.

Confiamos nesse grupo e temos a certeza de que ele dará um verdadeiro diagnóstico para sociedade. Mas, isso será feito com diálogo. Como deve ser! E é por isso que o próprio Governo do Estado também está convidado para participar das discussões, antes de qualquer parecer, antes de qualquer tomada de decisão. Como deve ser!

Assim, em respeito ao Estado Democrático de Direito, devemos ouvir a população que é quem realmente vai utilizar o modal a ser escolhido, evitando decisões autoritárias de um governo que pouco ou quase nada ouve a voz rouca das ruas.

* Luis Claudio é secretário Municipal de Governo em Cuiabá, MT

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