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LUANA SOUTOS: Eu voto nulo. Com grande quantidade de votos nulos, os caras eleitos vão parar e pensar que, sem a legitimidade que esperavam, deverão ter cuidado com o que vão fazer

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Luana Soutos é jornalista em Cuiabá, Mato Grosso


Eu voto nulo
Por Luana Soutos
Eu voto nulo porque a política vai muito além do ato de votar. O voto nulo não anula eleição, mas é uma maneira de demonstrar que estamos insatisfeitos com os candidatos “colocados na prateleira” ou mesmo com o sistema eleitoral, que é bastante restrito e nada democrático. Primeiro, porque, teoricamente, as pessoas são convencidas de que as opções são somente aquelas, e que só através do voto é possível mudar alguma coisa.
Mas os partidos que conseguem eleger alguém, são sempre os mesmos, liderados pelos caras que estão aí há anos, só sugando o dinheiro do trabalho do povo para beneficiar seus negócios. Os pequenos partidos e, em especial, aqueles partidos que apresentam projetos que realmente trazem alguma diferença, são massacrados pelo sistema eleitoral e pela mídia. Nada é igual, nem a quantidade de recursos, nem o espaço na mídia, nem a atenção para as diferenças de projeto.
Eduardo Galeano tem um conto que pode elucidar bem essa questão. Um bondoso e democrático cozinheiro chamou as aves que cozinharia para perguntar a elas com que molho gostariam de ser comidas. Uma delas simplesmente respondeu que não queria ser comida com molho algum. “Mas isso está fora de questão”, disse o cozinheiro.
Acreditar que somente a eleição pode trazer alguma diferença é limitar nossa atuação política, enquanto cidadãos e, portanto, reais detentores do poder. Escolher algum candidato qualquer, principalmente desses que já fazem parte da elite econômica e política da nossa sociedade, é legitimar um sistema que serve para beneficiar alguns. E é essa a intenção do sistema eleitoral como é aqui no Brasil – por isso o voto é obrigatório.
O voto nulo, ao menos, deixa clara a posição de que nós sabemos que existem outras alternativas, e que nós mesmos podemos fazer diferente, independente de quem esteja lá nos “representando”. Com grande quantidade de votos nulos, os caras eleitos vão parar e pensar que, sem a legitimidade que esperavam, deverão ter cuidado com o que vão fazer, pois encontrarão a resistência de um povo que sabe que as decisões políticas não estão nas mãos dele.
Luana Soutos é jornalista em Cuiabá, Diretora de Fiscalização do Sindjor-MT e estudante de Ciências Sociais

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Decreto regulamenta prorrogação de contratos do Proinfra

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O presidente Jair Bolsonaro editou decreto para regulamentar prazos, competências e condições para a prorrogação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfra). Esta prorrogação, válida por 20 anos, está prevista na lei de desestatização da Eletrobras, sancionada em julho. A norma foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira (17).

O decreto estabelece que o gerador contratado no âmbito do Proinfa que tenha interesse em prorrogar o contrato de compra e venda de energia deverá apresentar requerimento à Eletrobras até 11 de outubro deste ano. Caberá à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a aferição dos benefícios tarifários até o dia de 11 de novembro. Pela norma, a apuração dos benefícios tarifários deverá considerar a redução dos custos totais para os consumidores em relação a não prorrogação dos contratos.

O decreto também define condições do novo preço de energia para a prorrogação dos contratos, o fim dos descontos na Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) e na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e alteração do índice de reajustes dos contratos, que passará de Índice Geral de Preços Mercado (IGPM) para Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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Edição: Fábio Massalli

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