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ALZITA ORMOND: Tem sido linda a luta dos servidores públicos da Saúde de Mato Grosso em defesa do SUS. Junto a nós estão todos aqueles que entendem que a Saúde é um dos direitos mais essenciais ao homem, e que deve ser 100% pública, para que a ganância da iniciativa privada não prejudique o acesso de todos a ela.

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Alzita Leão Ormond é presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e do Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (Sisma/MT).


A luta em defesa da Saúde Pública
*Por Alzita Ormond
Sabemos que a saúde pública neste estado e em todo o país está um caos. O que as pessoas não sabem é que essa situação tem sido induzida há anos, pelos governos que têm o objetivo de sucatear tais serviços para justificar a inserção de empresas privadas na administração daquilo que é de competência dos gestores públicos, custeados pelos recursos captados dos impostos da população, que não são poucos. Alguns ainda têm a capacidade de atribuir os problemas no setor aos servidores públicos, que jamais deixaram de realizar com extrema responsabilidade suas atividades laborais e que trabalham incansavelmente salvando vidas.
Infelizmente, o Governo deste Estado ignora as deliberações da 14ª Conferência Nacional de Saúde e relatório da 7ª Conferência Estadual de Saúde, que constam pela não aprovação, ou seja, rejeição do chamado “novo modelo de gestão” das unidades públicas de Saúde, por meio de Organizações Sociais (OSS’s), inclusive com Moção de Repúdio aos que o implementaram em Mato Grosso. Ao contrário, o poder público tem feito enorme esforço para manter e fortalecer as OSS’s na gerência da Saúde, mesmo sabendo que elas têm deixado pessoas sem atendimento, à míngua. Mesmo sabendo que elas estão destratando os servidores e, para diminuir os gastos com materiais e insumos, têm deixado faltar água e até material de higiene nas unidades. Pois bem, está muito claro que há inúmeros interesses por traz desse modelo que é, na prática, a privatização daquilo que é público, com gastos de até três vezes mais ao erário. Como é possível que a população ganhe com esse tipo de coisa?
Neste diapasão, tem sido linda a luta dos servidores públicos da Saúde de Mato Grosso em defesa do SUS. Junto a nós, usuários e todos aqueles que entendem que a Saúde é um dos direitos mais essenciais ao homem, e que deve ser 100% pública, para que a ganância da iniciativa privada não prejudique o acesso de todos a ela. A luta contra as Organizações Sociais (OSS’s) não é apenas uma questão de “vai gerir bem ou mal”, é uma posição política de quem acredita que o público deve ser respeitado e administrado com qualidade, e não entregue nas mãos daqueles que só visam lucro em detrimento do serviço.
Apesar dos bônus da luta, entristece ver algumas pessoas, inclusive colegas que trabalham na Saúde, descaracterizando o movimento, utilizando-o como trampolim político, pessoal. Infelizmente, esses “equívocos” acontecem em muitos lugares e terminam enfraquecendo e inviabilizando que a sociedade toda tenha conquistas efetivas, baseadas na união por uma só causa, que seja coletiva, e não de uma ou outra entidade ou pessoa. Isso demonstra o quanto a nossa sociedade ainda é politicamente despreparada, imatura.
Mas temos conseguido muitos avanços, independente de posturas egocêntricas e politiqueiras. O Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e do Meio Ambiente (Sisma/MT) tem vivenciado experiências grandiosas, pois a grande maioria dos que estão nessa luta o fazem pelo bem coletivo. É gratificante ver o brilho nos olhos dos servidores que dedicam todos os seus dias, há 10, 20, 30 anos ou mais ao atendimento de pessoas que dependem do SUS para continuarem vivas.
Podemos afirmar, com grande orgulho, que os cerca de 3 mil servidores públicos da saúde em Mato Grosso vestem a camisa do movimento contra as Organizações Sociais, pois sabem tudo o que isso significa. Estamos à frente, inclusive, de mobilizações feitas em outros estados, em que também há repúdio a esse sistema parasita.
Na última semana, entregamos mais de 31 mil assinaturas aos deputados estaduais, de eleitores de vários municípios de Mato Grosso, que desaprovam esse modelo, implantado às escuras em 2011. Com o empenho de todos os envolvidos nesta luta, superamos a meta para proposição de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular em apenas um mês. E mesmo entregando mais de 10 mil assinaturas que o necessário, novas assinaturas não param de chegar.
Agora é continuar a luta para que os deputados entendam que sua função é priorizar aquilo que é melhor para a população e não para os donos das Organizações Sociais. Continuemos, então, brigando por um SUS 100% público e de qualidade, que respeite o cidadão, o trate como um ser humano, porque é o que nós merecemos.
Alzita Leão Ormond é presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e do Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (Sisma/MT). Especialista em Saúde Pública. Especialista em Epilinguistica

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Parentes de vítimas da covid-19 fazem relatos e pedem mudanças na lei

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Em um dia exclusivamente dedicado a ouvir vítimas da covid-19, na Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPI) do Senado, a enfermeira obstetra Mayra Pires Lima contou nesta segunda-feira (18) como foi trabalhar no Amazonas durante o colapso enfrentado pelo estado no início deste ano, em meio à falta de insumos e oxigênio hospitalar para tratar pacientes da doença.

Emocionada, a enfermeira contou que hoje é responsável por quatro sobrinhos, filhos de sua irmã, que morreu durante o colapso da saúde em Manaus. À época do falecimento da irmã, Mayra disse que as crianças menores, gêmeas, tinham apenas 4 meses de vida. “Muitas vezes eu assumia a assistência de saúde da minha irmã porque nós tínhamos cinco técnicos de enfermagem para cuidar de 80 pacientes graves”, destacou Mayra aos senadores. “Só em Manaus nós temos mais de 80 órfãos da covid. Só na minha família são quatro”, destacou, questionando o que está se fazendo por essas crianças e por essas famílias.

Mayra acrescentou que também foi infectada pelo novo coronavírus e perdeu outro irmão para a doença. “Um pouco de bom senso e um pouco de humanidade por parte dos gestores teriam dado um rumo diferente à pandemia no Amazonas”, disse. Segundo ela, durante todo o ano de 2020, os profissionais de saúde com quem trabalha tiveram que comprar seus equipamentos de proteção individual. Ela agradeceu aos amigos que em várias ocasiões doaram os que ela usou.

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza audiência pública destinada a ouvir o depoimento de vítimas diretas e indiretas atingidas pela Covid-19. Conforme proposto em requerimento, os convidados representam as cinco Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza audiência pública destinada a ouvir o depoimento de vítimas diretas e indiretas atingidas pela Covid-19. Conforme proposto em requerimento, os convidados representam as cinco

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza audiência pública destinada a ouvir o depoimento de vítimas diretas e indiretas atingidas pela Covid-19. Edilson Rodrigues/Agência Senado

Valorização

No Senado, a enfermeira comparou a situação dos profissionais de saúde a “um cenário de guerra”. “No Amazonas, tivemos uma situação bastante difícil. Quando eu me formei, tinha grande sonho de ajudar em outras calamidades. Hoje, eu falo que eu vivi uma guerra, atendi pacientes às vezes sem proteção nenhuma”, declarou.

Mayra lembrou ainda que no Amazonas a covid-19 vitimou “ótimos médicos e obstetras”. “Perdemos colegas pra depressão e suicídio”, destacou. Segundo ela, somente entre enfermeiros, foram 82 óbitos, sem contar os que ficaram com sequelas. “A gente via postagens sobre os nossos heróis. Nós não queremos parabéns, queremos valorização”, disse ao defender a aprovação do Projeto de Lei (PL) 2564/2020, que visa aumentar o piso salarial dos profissionais da enfermagem.

Em resposta ao pleito, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) disse que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), comprometeu-se a pautar a matéria “o mais breve possível” no plenário da Casa. A recomendação de aprovação da proposta também estará no relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Em outro depoimento, Giovanna Gomes Mendes da Silva, de 19 anos, que perdeu a mãe e o pai por complicações da doença em um intervalo de 14 dias, também falou aos senadores das dificuldades que enfrenta. Hoje a jovem, que tem a guarda da irmã mais nova, de 10 anos, diz passar por problemas psicológicos e financeiros. “Antes, vivia uma vida de alegria com alguns momentos de tristeza. Hoje, vivemos tristes, e uma ou outra coisa nos deixa alegres”, destacou.

A adolescente lembrou aos senadores que, antes de ser intubada, sua mãe chegou a passar uma noite inteira internada com uma máscara de oxigênio furada e que acredita que isso tenha agravado a situação de saúde dela. “Trocaram, mas de qualquer forma o quadro dela se agravou.” Dois dias depois, seu pai foi internado. O homem já havia se recuperado da covid-19, mas tinha um câncer, que segundo ela, após a doença, se agravou muito. “A gente não teve nem tempo de sofrer pela minha mãe, pois não podia ficar chorando na frente do meu pai”, contou a jovem. “Perdemos as pessoas que mais amávamos.”

Sem os pais, Giovanna relatou que se mantém e cuida da irmã com ajuda de doações de parentes da mãe que contribuem “com o pouco que têm”. “Passamos a não ter nossos dois pilares e também não ter quem nos ajudasse”, disse.

Propostas legislativas

Como resultado dos trabalhos da comissão, os senadores também adiantaram que vão apresentar uma proposta legislativa para que os órfãos de responsáveis vitimados pelo novo coronavírus recebam um auxílio financeiro de um salário mínimo até completarem 21 anos de idade. A CPI vai sugerir também a inclusão da covid-19 na relação de doenças que ensejam aposentadoria por invalidez quando a perícia médica atestar.

Prevent Senior

Outra experiência ouvida pelos senadores foi a de Katia Shirlene Castilho dos Santos. Ela também perdeu pai e mãe para a covid-19. “Fiz do meu luto uma luta”, disse. Segundo a depoente, o pai contraiu a doença em março deste ano, uma semana antes de poder receber a vacina. O homem faleceu enquanto a esposa estava internada, em São Paulo, em um hospital da rede Prevent Senior. “Ele não teve nenhuma despedida digna e isso aconteceu com muitos brasileiros”, disse.

Kátia contou que sua mãe, de 71 anos, foi tratada com o chamado kit covid após uma teleconsulta feita pela operadora. “Não fizeram nenhum exame e acabaram mandando o kit covid”, disse. “Como você vai falar para uma idosa de 71 anos que confia no convênio, que aquele remédio que o médico mandou para ela, para cuidar dela, não estaria fazendo nada?”, disse. Entre outras várias denúncias, a operadora, investigada pela CPI, é acusada de obrigar médicos a prescrever medicamentos sem eficácia comprovada para tratamento de pacientes com coronavírus. O plano de saúde nega as acusações. 

Taxista

A CPI também ouviu hoje o taxista Márcio Antônio do Nascimento da Silva, que contou sobre a perda do filho Hugo Dutra do Nascimento Silva, de 25 anos. Hugo foi atendido em uma unidade de pronto-atendimento (UPA) em Copacabana, no Rio de Janeiro, transferido para um hospital, intubado por 15 dias, mas não resistiu.

Com a voz embargada, Silva narrou os últimos dias de vida de seu filho, quando ele começou a sentir cansaço e falta de ar. O taxista disse ter acompanhado Hugo no hospital até o seu falecimento, e lembrou com pesar do dia em que teve de reconhecer o corpo do filho.

“A última vez que o vi, ele estava dentro de um saco”. O depoente criticou declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a covid-19 e a demora do Brasil para a aquisição de vacinas. Segundo ele, o que dói não é apenas o luto, mas o que veio após a morte de Hugo: “O deboche, a irracionalidade das pessoas, inclusive de amigos”. “Eu daria a minha vida para o meu filho ter chances de ser vacinado”, disse.

O taxista lembrou aos senadores como foi o episódio em que foi flagrado na Praia de Copacabana, em abril de 2020, recolocando as cruzes que homenageavam as 100 mil vítimas da doença à época – colocadas por uma organização não governamental – que haviam sido derrubadas por outra pessoa. Silva contou que, na ocasião, foi agredido verbalmente. “Quando descobriram que era apenas um pai que estava triste pelo seu filho, foi um constrangimento geral”, disse.

Para ele, o início da CPI da Pandemia foi um alívio. Ele destacou que sentiu alento em pensar que nem todas as autoridades diriam “e daí” para os óbitos em decorrência da pandemia. Para mim, não importa o partido político dos senhores, o que importa é que meu Hugo não volta mais, mas tenho outros filhos e quatro netinhos”, disse.

Próximos passos

Amanhã os senadores devem ouvir o último depoimento antes da leitura do relatório final dos trabalhos, marcada para quarta-feira (20). O representante do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Elton da Silva Chaves, que integra a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão consultivo do Ministério da Saúde. Ele será cobrado a dar explicações sobre a última reunião da Conitec que retirou de pauta um documento que pretendia vetar o uso de medicamentos ineficazes no tratamento contra a covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS).

A votação do relatório final do colegiado foi reagendada para a próxima terça-feira (26).

Edição: Bruna Saniele

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