Chamado de “bravateiro de notória ousadia”, ministro Gilmar Mendes processa psicólogo Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pede indenização de R$ 100 mil reais na Justiça de Brasília. No artigo que motivou processo, Boulos fala de “condutas nada republicanas” de Mendes em sua cidade natal, Diamantino (MT), onde sua família é proprietária de terras e seu irmão foi prefeito duas vezes. LEIA A AÇÃO E O TEXTO DE BOULOS SOBRE GM

Gilmar Mendes quer R$ 100 mil de lider dos Sem Teto Guilherme Boulos por pretenso dano moral – Integra by Enock Cavalcanti

Gilmar Mendes e Guilherme Boulos

Gilmar Mendes e Guilherme Boulos

DANOS MORAIS

Gilmar Mendes pede indenização de líder do MTST que o chamou de bravateiro

DO CONSULTOR JURÍDICO

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, está processando Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), por ataques a sua honra e imagem. Ele pede na ação, protocolada na 18º Vara Cível de Brasília, indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil.

Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, em novembro de 2014, Boulos chamou o ministro de “bravateiro de notória ousadia”. O líder dos trabalhadores sem teto analisava a entrevista concedida pelo ministro ao jornal em que ele dizia que o STF corria o risco de tornar-se uma “corte bolivariana” com a possibilidade de governos do PT terem nomeado 10 de seus 11 membros a partir de 2016.

A petição, assinada pelo advogado Rodrigo Mudrovitsch,  diz também que Boulos se distanciou “por completo dos preceitos éticos jornalísticos, principalmente no que diz respeito ao compromisso com a verdade dos fatos e informações”, ao dizer que Mendes era “afinado, como sempre, ao PSDB”.

“A suposta análise jornalística, redigida muitas vezes em irônico tom de denúncia, é composta por diversas frases que, além de desinformarem o leitor, são deliberadamente difamatórias e injuriosas, procurando, sem nenhum compromisso com a verdade, macular a função exercida pelo ministro Gilmar, como se esta fosse pautada por interesses particulares espúrios”, diz o documento.

 

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LEIA AGORA O ARTIGO DE GUILHERME BOULOS SOBRE GILMAR MENDES

Dos 608 mil reais gastos com as mulheres dos ministros do STF, 437 mil custearam viagens de Guiomar Feitosa de Albuquerque Ferreira Mendes, esposa do ministro Gilmar Mendes

Gilmar Mendes e o bolivarianismo

por Guilherme Boulos, na Folha de S. Paulo – 13.11.2014

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, saiu “às falas” mais uma vez. Na semana passada, o ministro deu uma entrevista à Folha alardeando o risco de “bolivarianismo” no Judiciário brasileiro.

Afinado, como sempre, com o PSDB e ecoando as vergonhosas marchas de Jair Bolsonaro (PP) e companhia, apontou a iminente construção de um projeto ditatorial do PT, que passaria pela cooptação das cortes superiores. Não poderia deixar de recorrer ao jargão da moda.

Gilmar Mendes, todos sabem, é um bravateiro de notória ousadia. Certa vez, chamou o presidente Lula “às falas” por conta de um suposto grampo em seu gabinete, cujo áudio até hoje não apareceu. Lula cedeu e demitiu o diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Mais recentemente, o ministro comparou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a um “tribunal nazista” por ter barrado a candidatura de José Roberto Arruda (PR) ao governo do Distrito Federal. O único voto contrário foi o dele.

O próprio Arruda afirmou que FHC –que indicou Mendes ao STF– trabalhou em favor de sua absolvição. Para quem não se recorda, Arruda saiu do palácio do governo direto para a prisão após ser filmado recebendo propina.

Quem vê o ministro Gilmar Mendes em suas afirmações taxativas e bradando contra o “bolivarianismo” pensa estar diante do guardião da República. Parece ser o arauto da moralidade, magistrado impermeável a influências de ordem política ou econômica e defensor da autonomia dos poderes.

Mas na prática a teoria é outra. Reportagem da revista “Carta Capital”, em 2008, mostrou condutas nada republicanas de Mendes em sua cidade natal, Diamantino (MT), onde sua família é proprietária de terras e seu irmão foi prefeito duas vezes.

Lobbies, favorecimentos e outras suspeitas mais. Mendes, que questionou o PT por entrar com ação contra a revista “Veja”, processou a revista “Carta Capital” por danos morais.

Já o livro “Operação Banqueiro”, de Rubens Valente, mostra as relações de Mendes com advogados de Daniel Dantas, que após ser preso pela Polícia Federal na Operação Satiagraha, foi solto duas vezes pelo ministro em circunstâncias bastante curiosas. Na época, ele também acusou uma ditadura da PF, mostrando o que parece ser seu estratagema predileto.

Mais recentemente, seu nome foi envolvido na investigação da Operação Monte Carlo, sob a suspeita de ter pego carona no jatinho do bicheiro Carlinhos Cachoeira, na ilustre companhia do senador Demóstenes Torres, cassado depois por seu envolvimento no escândalo. Em julho deste ano, Mendes deu uma liminar que permitiu a Demóstenes voltar ao trabalho como procurador de Justiça.

São denúncias públicas, nenhuma delas inventada pelo bolivariano que aqui escreve. Assim como é público que o ministro mantém parada há 7 meses a ação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que propõe a inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanhas e que já obteve a maioria dos votos no Supremo, antes de seu pedido de vistas.

Ou seja, a trajetória de Gilmar Mendes está repleta de ligações políticas e partidárias, aquelas que ele acusa nos outros magistrados, os bolivarianos. Afinal, o que seria uma “corte bolivariana”? Se tomarmos os três países sul-americanos que assim são identificados –Venezuela, Bolívia e Equador– veremos que todos passaram por processos de reformas no Judiciário.

No caso da Bolívia, a reforma incluiu o voto popular direto para juízes, estabelecendo um controle social inédito sobre o Poder Judiciário. O mesmo controle que já existe sobre o Executivo e o Legislativo.

Por que o Judiciário fica de fora? Por que não presta contas para a sociedade? Não, aí é bolivarianismo!

Na Venezuela e no Equador o foco das reformas foi o combate das máfias de toga e dos privilégios de juízes. Privilégios do tipo do auxílio-moradia que os juízes brasileiros ganharam de presente do STF neste ano. Mais de R$ 4.000 por mês para cada juiz. A maioria deles tem casa própria, mas mesmo assim poderá receber o auxílio. Cada auxílio de um juiz poderia atender a oito famílias em situação de risco.

O Judiciário é o único poder da República que, no Brasil, não tem nenhum controle social. Regula a si próprio e estabelece seus próprios privilégios. Mas questionar isso, dizem, é questionar a democracia. É bolivarianismo.

Este tal bolivarianismo produziu reformas estruturais e populares por onde passou. Os indicadores mostram redução da desigualdade social, da pobreza, dos privilégios oligárquicos e avanços consideráveis nos direitos sociais. Basta ter olhos para ver e iniciativa para pesquisar. Os dados naturalmente são de organismos bolivarianos como a ONU e a Unesco.

Pena que nessas terras o bolivarianismo seja apenas um fantasma. Fantasma que a oposição usa para acuar o governo e o governo repele como se fosse praga. Afinal, Gilmar Mendes pode chamá-lo “às falas”.

Guilherme Boulos, 32, é formado em filosofia pela USP, professor de psicanálise e membro da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Também atua na Frente de Resistência Urbana e é autor do livro “Por que Ocupamos: uma Introdução à Luta dos Sem-Teto”.

7 Comentários

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  1. - IP 189.59.38.252 - Responder

    Coclusão,badeneiro vai pagar,Boulos é mais um bagunceiro e desocupado que milita nos movimenyos ditos sociais.

    • - IP 179.185.70.27 - Responder

      Mais uma do idiota Ormirda! Agora defender Gilmar Dantas…

  2. - IP 189.59.60.213 - Responder

    Excelente matéria. Hoje, não há espaço na sociedade brasileira para pessoas com posturas, muitas vezes reacionárias, como a do ministro Gilmar Mendes. Em suas manifestações, quer no tribunal do qual faz parte, quer em palestras ou solenidades públicas, ele tem ofendido, não só um partido político, como a democracia brasileira, incorporando a maior oposição do governo federal, incompatível com o cargo de julgador. Respeito o seu conhecimento jurídico, mas esquece que o seu ingresso na magistratura se deve a um partido político, cuja trajetória não é nada Republicana, muito pelo contrário.

    • - IP 179.185.70.27 - Responder

      Muito bem Celso!
      Assino a sua opinião.

  3. - IP 179.185.70.27 - Responder

    Poderíamos fazer uma campanha e conseguir milhares de pessoas que assinem este artigo, para ver se Gilmar vai processar a todos.
    Sou o primeiro a me oferecer para subscrever este artigo, que diz a verdade que todo o Brasil sabe.

    • - IP 177.221.96.140 - Responder

      Isso mesmo, Ademar, alguém tem que parar o Ministro que manda os petralhas para a cadeia!

      Que absurdo, mandar os meliantes dos PT para a cadeia não pode.

  4. - IP 201.86.178.187 - Responder

    Os filopetralhas estão revoltados com Gilmar Mendes porque ele fica mandando os ladrões do partido para a cadeia!!

    Ai não pode!!!

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