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CASA BARÃO: Prestes a lançar seu primeiro romance, Eduardo Mahon faz balanço positivo de sua gestão à frente da Academia Mato-grossense de Letras. A Academia quer ser levada a sério

Como presidente da Academia, Eduardo Mahon deu novo impulso às atividades da Casa Barão

Como presidente da Academia, Eduardo Mahon deu novo impulso às atividades da Casa Barão

 

CASA BARÃO

 

Academia quer ser levada a sério

Prestes a lançar seu 1º romance, Eduardo Mahon faz balanço positivo de sua gestão na AML

 

Vanessa Moreno

DIÁRIO DE CUIABÁ

 

Além dos quatro novos “imortais” a serem escolhidos em fevereiro, estão programados novos lançamentos de livros, de um site com o acervo da academia e da próxima revista, um curso de literatura, uma exposição artística e, por fim, a posse da nova diretoria.

Desde novembro de 2013, a Casa Barão tem passado por transformações que valorizaram o património histórico outrora esquecido pela população. “Meu objetivo inicial era revitalizar a casa e restaurar os móveis”, explica Eduardo Mahon, atual presidente da Academia Mato-grossense de Letras.  As cadeiras centenárias e bicentenárias passaram por uma reforma, o prédio foi todo revitalizado com nova mobília e nova iluminação, a galeria dos presidentes, a varanda e o salão de festas foram recuperados.

“Quem passa hoje na frente da casa, depois das 18 horas, vê a Casa Barão iluminada, é um dos pouquíssimos casarões que estão iluminados à noite”, garante orgulhoso. Após três meses de gestão, Cuiabá ganhou de presente um novo ponto turístico.

Eduardo Mahon, que assumiu a diretoria após a gestão de Nilza Queiroz Freire, primeira mulher presidente da academia, trouxe inovações de qualidade com o objetivo de dar maior visibilidade a uma das mais antigas instituições culturais de Mato Grosso, em atividade ininterrupta desde a sua fundação.

“Com o ambiente favorável e acolhedor, o passo seguinte foi sensibilizar a sociedade de que a Casa Barão estava aberta a todos”. Mahon abriu três vagas na academia. Na posse do médico Ivens Scaff, que foi o primeiro a assumir na nova sequencia, a população viu uma Casa Barão querendo se reciclar. A sociedade passou a ser convidada a participar. “Nós estamos em condição agora de recebê-los”. Depois veio a posse do professor Agnaldo Silva, que trouxe um público universitário de Cáceres e, logo após, a posse do João Carlos Vicente Ferreira, ex-secretário de Cultura, no governo Maggi.

Consumadas as primeiras posses, foi aberto um novo edital com mais três vagas que foram preenchidas por três mulheres: Lucinda Persona, Marta Cocco e Sueli Batista, ambas com posses animadíssimas que atraíram um novo público. “Cada posse é um sopro de vida na Casa Barão porque aparecem lá 200 ou 300 pessoas”, avalia Mahon.

“Abrimos a Casa Barão para a visita de estudantes de ensino fundamental, de ensino médio e de ensino superior”. Através de caravanas e de congressos a Casa passou a receber estudantes não só regionais, mas também de outros estados. A casa passou a ser uma casa jovem mas que se esforça por manter as tradições.

“A gente precisava também dialogar com um novo público: o público que não vai.” Foi lançado o site da academia, uma fanpage no Facebook que alcançou três mil acessos em três meses e, em 2015, será lançado o site do acervo da Casa Barão de Melgaço que agora dialoga com o mundo inteiro.

Outra forma de alcançar a população foi a exposição “Academia Matogrossense de Letras: Um Patrimônio de Todos”, levada para dentro do Shopping Goiabeiras e  que atraiu um grande público. A terceira opção foi a distribuição de materiais gráficos, foram distribuídos mais de quatro mil livros da academia.

Em novembro deste ano foram aberta as últimas quatro vagas que deverão ser preenchidas em fevereiro de 2015 finalizando as vagas de gestão de Eduardo Mahon. “Eu peguei a academia e vou deixar ano que vem com dez posses feitas, o site, a fanpage, a casa revitalizada, os móveis recuperados e o mais importante que é o diálogo com a sociedade”, comemora.

Para encerrar o ano, foi realizada uma noite de ação de graças, no dia 6 de dezembro, pelo ano acadêmico de 2014. Após s missa dedicada a Santa Edwiges e Santa Terezinha, os convidados foram recebidos na varanda cuiabana, confraternizando no melhor estilo cuiabano com cerca de 600 pessoas.

O relacionamento com os artistas da literatura mato-grossenses se deu através do lançamento de sete livros realizados no casarão da Academia, mas não é só isso. A academia também vem procurando apoiar a arte como fotografias, grafitagens, teatros, apresentações de música, inclusive música clássica. Este ano, abrigou o centenário do Rubens de Mendonça com acervo histórico e pretende, no próximo ano, abrigar uma exposição de arte sobre a coordenação da professora Marília Beatriz, que faz parte do conselho editorial da Academia.

2015 promete ser um ano agitado na casa. No ultimo ano de sua gestão, Mahon planeja o lançamento da próxima revista da casa, um curso de literatura coordenado pelo professor Agnaldo Rodrigues e pela professora Yasmim Nadaf que deve acontecer em março e abril, promover as escolhas e as posses das quatro últimas cadeiras, continuar com a sequência de lançamentos de livros de artistas mato-grossenses e, finalmente, dar posse à nova diretoria no dia 5 de setembro.

Eduardo Mahon é carioca, mas se tornou cuiabano há mais de 30 anos quando se mudou pra cá. “Virei cuiabano, de vez em quando eu me pego falando expressões cuiabanas”, conta. Advogado criminalista há mais de 15 anos, é autor de seis livros já lançados – O Ministério Público de Robespierre, Alegorias do Arquiteto, Nevralgias, Doutor Funéreo e Outros Contos de Morte – de um romance, “O Cambista”, e de “Meia Palavra Vasta” que está finalizando e pretende lançar no próximo ano.

Atento à movimentação em derredor, avalia que houve precipitação por parte da equipe de transição do novo governo de Pedro Taques (PDT) em falar da extinção da Secretaria de Cultura. “O estado de Mato Grosso é um dos estados mais ricos do Brasil em termos culturais. O Estado é desaguador de vários feixes culturais: indígena, o negro quilombola e suas várias vertentes e os feixes de quem chegou, a cultura “extrangeira”, a cultura ribeirinha. Isso tem que ser levado em consideração por novos governantes”, defende.

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A Casa Barão, no centro de Cuiabá

A Casa Barão, no centro de Cuiabá

Basta um livro para ganhar uma cadeira

Da Redação

A Academia Mato-grossense de Letras, fundada em 7 de setembro de 1921, foi criada de acordo com o modelo instituído pela Academia Brasileira de Letras.

Ela é composta também por 40 cadeiras das quais apenas quatro ainda estão vagas. Por muito anos, o interesse pelas cadeiras era raro, o que tem mudado desde que Eduardo Mahon resolveu dar uma repaginada na instituição.

As inscrições para ocupação dessas quatro últimas cadeiras já foram encerradas, e 13 pessoas estão disputando as vagas que serão preenchidas em fevereiro de 2015.

Para ingressar na Academia é preciso fazer a inscrição, ser mato-grossense ou morador do Estado por pelo menos cinco anos ininterruptos, ter pelo menos um livro publicado e aguardar a aprovação da comissão. A cadeira é vitalícia e o conteúdo e o valor literário do livro publicado não costuma ser levado em consideração na hora da escolha. (VM)

 

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Eduardo Mahon, advogado e presidente da AML

Eduardo Mahon, advogado e presidente da AML

PEQUENO PERFIL CULTURAL DE EDUARDO MAHON

 

O que gosta de ouvir: MPB da década de 50 e 60, Ópera e Jazz.

Livro de cabeceira: Todos os livros de Fiódor Dostoiévski, Marcel Proust e Nelson Rodrigues.

Cantor preferido: Dolores Duran, Elizeth Cardoso.

Um poeta: Paulo Leminski

Uma viagem que marcou: Existem apenas dois lugares do mundo onde se pode ser feliz: em casa e em Paris, segundo Ernest Hemingway. Em Paris temos a cidade à nossa disposição …

O que Cuiabá tem de melhor: O povo

O que precisa mudar em Cuiabá: Cuiabá precisa gostar mais dela mesma.

Restaurante predileto: Brie Restô e Mahalo

Lugar aonde vai para ouvir música: Casa do Parque e Chorinho.

Lugar onde vai pra comprar livros: Livraria Janina

Uma opção de lazer que nunca o cansa: Música

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RESENHA

 

O poeta tira ouro do nariz

MARINALDO CUSTÓDIO

Da  Redação

Eduardo Mahon não é o poeta municipal, nem o estadual, nem o federal de que falam os famosos versos de Drummond (“O poeta municipal / discute com o poeta estadual / qual deles é capaz de bater o poeta federal. / Enquanto isso o poeta federal / tira ouro do nariz”), mas me ocorre a citação por causa desse ar interiorano, de pequenas cidades, que transpiram as crônicas, os quase contos e os poemas que ele publicou, sobretudo em Nevralgias (Carlini & Caniato Editorial, 2013).

As crônicas (quase contos) às vezes contam ‘causos’ como o do estelionato amoroso proposto via on-line em “Nick ‘loirinha’”, do golpe que se procura perpetrar via orelhão a um advogado (lembre-se que Mahon, na vida real, tem um escritório de advocacia) em “Fabulosos, picaretas e milionários” e até a transcrição de instantâneos da vida real como em “Eu me rendo!”, sobre o deputado Sérgio Ricardo querendo partilhar a cama do narrador em pleno sábado à tarde, via mensagem telefônica gravada, texto que ele fecha com uma curiosa ‘declaração’ de voto: “Gostaria de pedir ao nobre parlamentar que parasse de me ligar, mandar e-mail, carros de som, correspondência e outros informativos. Eu me rendo. Meu voto é seu!”.

Como se pode perceber, Eduardo Mahon não procura reinventar a roda, sua obra não almeja a proposição de inovações formais nem estilísticas. Fica entre o velho cronista de pince-nez aninhado na cadeira de palhinha, vendo passar as moçoilas com o frufru das saias, e aquele outro, bem mais jovem, num banco de praça, de mochila, boné e jornal na mão, vendo passar as mina de fone no ouvido e o umbiguinho com piercing, de fora.

 

 

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