Candidatura de Totó Parente é um blefe bobo do PMDB

O velho PMDB do cacique Bezerra tenta encontrar um jeito de tutelar a candidatura de Mauro Mendes em Cuiabá. Com um candidato a vice como Totó, fica difícil

A noite caia sobre Cuiabá e sobre o PMDB, nesta segunda-feira, 18 de junho, quando o governador Silval Barbosa, orientado pelo eterno cacique do partido, o deputado estadual Carlos Bezerra, convocou a imprensa para anunciar que o seu partido resolveu lançar candidatura própria em Cuiabá. Imaginem quem: o desaparecido Totó Parente, que há muito tempo andava sumido de Cuiabá, residindo no Rio de Janeiro, onde mantém negócios com o governo de Sérgio Cabral,  e agora, renascido das cinzas, resolveram transformar no paraquedão da hora.

Para este humilde blogueiro, uma candidatura como a do Totó, lançada do jeito como está sendo lançada, logo depois do esvaziamento da Dorileo Leal, e das primeiras frustradas negociações com Mauro Mendes, só pode ser blefe do PMDB, de Silval e de Carlos Bezerra, como forma de fazer uma última pressão sobre Mauro Mendes para que ele abra as pernas, abra mão do PR de Blairo Maggi e aceita ceder a vice para essa ala do PMDB, comandada por Bezerra, que busca conseguir assim um novo fôlego para continuar mandando no partido e abrir uma nova frente na capital, onde tem pouca força.

Mesmo porque, lançar Totó como candidato a prefeito contra Mauro, Maluf, Lúdio, Brito e o Procurador Mauro seria uma forma do PMDB se lançar na disputa pela prefeitura de Cuiabá já anunciando que busca a lanterninha da tabela, na hora da contagem dos votos. Só pode ser blefe. Desmontar a campanha de Dorileo Leal para depois erguer a “monumental” campanha do Totó só pode ser um blefe bobo. No jargão jornalístico se diria “um factóide”. Uma opção que buscasse um fortalecimento real do partido em Cuiabá teria que passar, necessariamente, por nomes como é do vereador Domingos Sávio que não consegue expandir suas possibilidades, desde que ousou confrontar, internamente, o cacicão Bezerra.

Até o dia 30, imagino que os dados vão continuar rolando e o PMDB de Bezerra continuará tentando impor a Mauro Mendes o seu vice, até que alguém o convença que ele tem que ceder espaço ou vai para o buraco em Cuiabá, já que é um partido de pequena expressão na capital, marcado por uma grande divisão interna.  Sim, a grande verdade é que, com medo do fortalecimento da candidatura de Pedro Taques mais adiante, o PMDB não tem cacife para fazer grandes exigências pra cima do Mauro. Já será uma grande vitória para a turma de Bezerra e Silval conseguir que Mauro se afaste de Pedro Taques ou reduza suas possibilidades de ascenção em 2012. Querer tutelar o mandato de Mauro, nomeando o vice… bem, a turma do Bezerra deveria ter simancol para perceber que isso não lhe pertence mais. Sua parte neste bolo deve se restringir ao nivel das secretarias.  Já para Mauro Mendes, o grande desafio é encontrar uma formula de garantir o PMDB do seu lado, atraindo, ao mesmo tempo, o PR, o PT e o PSD, e subordinar as pretensões de Pedro Taques. Não vai ser fácil costurar esse acordo. Mas nada se decide nesta semana.

Categorias:Jogo do Poder

2 Comentários

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  1. - IP 201.49.166.90 - Responder

    A Justificativa desta candidatura estaria entre querer fortalecer a Legenda, que não seria o caso já que Totó Parente não tem densidade para isso, ou então fortalecer o próprio Totó para uma eventual candidatura a deputado na próxima eleição. Eu fico com a segunda opção. Só que, é uma estratégia para ser melhor avaliada já que o cenário prevê candidaturas muito fortes e amargar uma lanterna nesta disputa talvez não atendesse essa pretensão. Mas pra quem tem grana sobrando tudo é possível.

  2. - IP 187.54.208.120 - Responder

    O partido político do chefe do executivo geralmente é um partido forte, coeso e de militância aguerrida. Em nosso estado esta tem sido a realidade desde a década de 1.980 quando Júlio Campos chega ao governo pelo extinto PDS. Contrariando a regra, o governador Silval Barbosa (PMDB) se submete a constrangedora situação de ter que lançar um candidato laranja na disputa pela prefeitura da Capital. Tal fato demonstra a fragilidade de um partido controlado com mão de ferro, aprisionado numa redoma de caprichos e vaidades, sendo aquecido apenas pela campana dos interesses de seu dirigente vitalício. Totó Parente é um bom moço, cuiabano de origem, militante histórico do partido e ponto. Ocorre que Totó se distanciou de Cuiabá. Ele vive mais no Rio de Janeiro e em Brasília. Ora, lançar Totó na corrida pela prefeitura da Capital é algo hilário, risível e debochado. O governador foi forçado a esta triste e vexatória situação por evidente imposição do deputado Carlos Bezerra. Se quisesse marcar terreno ou mesmo disputar em condições de igualdade, o partido poderia ter lançado o brilhante advogado Francisco Fayad. Este sim tem nome, credibilidade e poderia oxigenar o partido. Fayad é capaz de mobilizar a sociedade e tem chances reais de chegar ao segundo turno. É jovem, talentoso, de honorabilidade inatingível e representa mudanças. Não, ao contrário disso, o velho PMDB preferiu buscar alguém do Rio de Janeiro e plantá-lo como candidato laranja com o objetivo único e exclusivo de forçar barganha no segundo turno, caso este exista. Isto é uma vergonha ou falta dela.

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