Câmara de Volta Redonda(RJ) atende a recomendação do Ministério Público Federal e tira nome do ditador Garrastazu Médici da ponte da cidade. Ponte, agora, homenageia Dom Waldyr Calheiros, bispo e lutador pela causa dos Direitos Humanos, falecido em 2013, que enfrentou a ditadura militar, defendendo os perseguidos políticos e apoiando as greves dos trabalhadores. A atuação pastoral e a luta pelos direitos dos pobres marcaram a história de vida de D.Waldyr

Para o bispo dom Waldyr Calheiros, de Volta Redonda, “Médici foi o mais criminoso dos ditadores brasileiros”. Ele conta que  “dentro da Igreja, um dos defensores do golpe militar era o Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara. Ele, por sua vez, teve um de seus sobrinhos atingido pela ditadura. Foi na Bahia. Colocaram-no no 5º andar de um prédio e começaram a maltratá-lo. Ele, então, pulou para se livrar daquilo. Suicidou-se. Esse suicídio desse menino serviu para Dom Jaime refletir e rever sua posição. Ele afastou toda possibilidade de dar apoio à ditadura”.

Para o bispo dom Waldyr Calheiros, de Volta Redonda (agora homenageado com o nome na ponte da cidade), “Médici foi o mais criminoso dos ditadores brasileiros”. Ele conta que “dentro da Igreja, um dos defensores do golpe militar era o Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara. Ele, por sua vez, teve um de seus sobrinhos atingido pela ditadura. Foi na Bahia. Colocaram-no no 5º andar de um prédio e começaram a maltratá-lo. Ele, então, pulou para se livrar daquilo. Suicidou-se. Esse suicídio desse menino serviu para Dom Jaime refletir e rever sua posição. Ele afastou toda possibilidade de dar apoio à ditadura”.

Câmara de Volta Redonda aprova por unanimidade mudança de nome da ponte Presidente Médici

Projeto atende à recomendação do MPF e vai agora para sanção do prefeito
 

Após recomendação do Ministério Público Federal (MPF), a Câmara Municipal deVolta Redonda aprovou, por unanimidade,  um projeto de lei para alterar o nome da ponte da cidade, que liga os bairros Aterrado e Niterói, de Presidente Médici para Dom Waldyr Calheiros. O projeto vai agora para sanção do prefeito.

O projeto, do vereador José Jerônimo (PSC), é resultado da audiência pública realizada no dia 11 deste mês  na Câmara para debater a mudança do nome daponte. Para o procurador da República Julio José Araujo Junior, autor darecomendação do MPF, a deliberação 1.218, de 9 de novembro de 1973, que conferiu o atual nome, ofende o princípio da impessoalidade e o direito à memória.

A recomendação do MPF pede ainda a retirada do nome do ex-presidente Emílio Gasrratazu Médici de qualquer placa indicativa da ponte. “Esperamos que o prefeito de Volta Redonda, com base na decisão da Câmara, cumpra a outra parte da recomendação, retire as placas indicativas do nome do ditador e coloque o nome escolhido pelos representantes da população”, disse o procurador daRepública Julio José Araujo Junior.

 

——-

Bispo Waldyr Calheiros ficou conhecido pelo engajamento em movimentos sociais (Foto: Reprodução/TV Rio Sul)

Bispo Waldyr Calheiros ficou conhecido pelo engajamento em movimentos sociais (Foto: Reprodução/TV Rio Sul)

Memória

Waldyr Calheiros Novaes (1923-2013) – Bispo que puniu torturadores na ditadura

ITALO NOGUEIRA
FOLHA DE S PAULO, DO RIO

Ao ser ordenado bispo auxiliar em 1º de maio de 1964, primeiro Dia do Trabalho sob a ditadura militar, dom Waldyr Calheiros Novaes já deixava claro qual seria sua marca como líder religioso.

Dom Waldyr costumava contar uma anedota sobre sua ordenação. Assim que aceitou ser indicado a bispo, o então papa, João 23, morreu. “Creio que não foi de susto pela minha resposta”, disse em entrevista para o livro “O Bispo de Volta Redonda” (FGV).

A indicação pode não ter assustado o papa, mas seu bispado na diocese Barra do Piraí/Volta Redonda (1966-1998) foi motivo de preocupação para os militares.

Em 1967, foi ao quartel pedir para ser preso ao lado de quatro auxiliares detidos por panfletar. “Me considerem preso em solidariedade a eles. Se estão presos por minha causa, eu sou o maior criminoso”, afirmou à época.

Também participou de raro episódio de punição a militares por tortura durante a ditadura. Foi autor de um relatório sobre a morte de quatro soldados. Três militares foram expulsos em razão do caso.

Ajudou na fuga de perseguidos políticos e abrigou ex-presos. Um deles foi Jesse Jane, militante da ALN. Segundo ela, o religioso abriu as dependências da diocese para discutir os direitos das mulheres, entre eles o do aborto.

Após a ditadura, manteve sua atuação política. Apoiou a greve de funcionários da CSN, quando três trabalhadores foram mortos pelo Exército, em 1988. Criticou a privatização da empresa e fez denúncias de abuso policial.

Morreu de falência de múltiplos órgãos, aos 90 anos.

[email protected]

——

 Dom Waldyr, guerreiro do povo brasileiro

Dom Waldir

Por: Tiago Signorini

 

No sábado, 30 de novembro de 2013, faleceu, aos 90 anos, o bispo emérito Dom Waldir Calheiros de Novaes, na cidade de Volta Redonda-RJ, de falência múltipla dos órgãos. A trajetória de dom Waldir Calheiros confunde-se com a história do município de Volta Redonda. A atuação pastoral e a luta pelo direito dos pobres foi sua marca episcopal. Ele foi o 5º bispo da Diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda.

Na caminhada final, quando seu corpo era levado pelo povo rumo à Igreja de Santa Cecília, região central de Volta Redonda, onde foi sepultado, um grito único de milhares de vozes se ouviu: “Waldir/ guerreiro/ do povo brasileiro”. Se dom Waldir foi um guerreiro, podemos descrever sua partida como São Paulo: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7).

A atividade episcopal de dom Waldir na Diocese de Barra do Piraí iniciou-se no dia 08 de dezembro de 1966 e, oficialmente, terminou em 1999, quando se aposentou. Foram 34 anos à frente da Diocese. Alagoano de Murici, teve uma caminhada marcada pela renovação da vida da Igreja, inspirada no Concílio Ecumênico Vaticano II. Defensor dos princípios da Teologia da Libertação e incentivador das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), de movimentos populares e das pastorais sociais, ele estudou Filosofia no Seminário Maior de Maceió (AL) e Teologia no Seminário São José, no Rio. Foi bispo auxiliar do Rio de 1964 a 1966.

Numa entrevista que deu para o livro intitulado “O Bispo de Volta Redonda: memórias de Dom Waldir Calheiros”, organizado por Celia Maria Leite Costa, Dulce Chaves Pandolfi e Kenneth Serbin, publicado em 2001, dom Waldir fez uma declaração sobre sua vida após a aposentadoria, que pode ser considerada seu legado para todos aqueles que são cristãos: “Vou vivendo o provisório. O definitivo fica para depois. Só quero ser fiel a Deus na sua Igreja e aos pobres. Onde e quando, só Deus sabe. Não me interessa saber. Francamente, estou nas mãos de Deus. Não quero criar obstáculos ao Evangelho, que deve ser anunciado pela Igreja […]. Quer eu vá, quer eu fique, prefiro deixar meu coração livre para amar o que se apresentar”.

Categorias:Cidadania

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 179.252.13.22 - Responder

    O MPF manda e o prefeito obedece… estranho, esquisito, inadequado… muito parecido com Médici! Não?

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

5 + três =