“Já identificamos responsáveis pelo rombo no MT Saúde”

Sindicalistas e Ministério Público já identificaram os responsáveis pelo rombo nas contas do MT Saúde

Nos próximos dias, o promotor de Justiça Roberto Turin deve destrinchar o rombo nas contas do MT Saúde, divulgando os responsáveis pelo sumiço do dinheiro que vinha sendo descontado dos servidores públicos e desviado por um grupo de espertalhões, deixando à mingua o atendimento ofertado às diversas categorias em hospitais e clínicas. Quem anuncia isso é o sindicalista Gilmar Brunetto, presidente do Sindicato dos Servidores da Empaer e um dos coordenadores do Fórum Sindical em Mato Grosso. Ele conversou com o CENTRO OESTE POPULAR sobre a reorganização do Fórum, sobre o tumultuado relacionamento dos sindicatos de servidores com a administração do governador Silval Barbosa e garantiu que, daqui para a frente, as contas do MT Saúde serão fiscalizadas muito de perto pelos dirigentes sindicais que lutam para diminuir o poder dos “atravessadores” sobre o MT Saúde, um plano que atende a mais de 50 mil pessoas dentro do Estado e pode, tranquilamente, dobrar esta clientela se for bem administrado.

ENOCK CAVALCANTI
CENTRO OESTE POPUAR

CENTRO OESTE POPULAR – Esse ano de 2012 está marcado pela rearticulação do Fórum Sindical, em Mato Grosso. Por que os sindicatos resolveram priorizar este esforço?
GILMAR BRUNETTO – Nós, dirigentes de sindicatos de servidores, depois de uma fase de reestruturação de nossas entidades, percebemos que aumentaria nossa força se tivéssemos uma atuação em comum. Foi simples assim.
COP – Quais são as lideranças sindicais e as categorias que se juntaram em torno desta proposta?
GILMAR BRUNETTO – No momento, o Fórum é formado por aproximadamente 16 entidades, entre sindicatos e associações de servidores. Nós temos 5 associações que representam todas as categorias da Policia Militar. Temos a participação do Sintep que é o sindicato que agrega o maior número de servidores, da Educação, representado pelo sindicalista Orlando Francisco, que é o diretor financeiro do Sintep. Temos conosco o Siagespoc, que representa os investigadores da Policia Civil. Temos o Sinpaig, que reúne os servidores da área instrumental do governo e é liderado pelo Edmundo César, sindicalista muito ativo. Temos o SindSinfra, liderado pelo José Carlos Callegari. Temos o Sintema, que reúne aquele povo da Sema e tem como presidente o sindicalista Jesus. Temos o Sindicato dos Agentes Prisionais, liderado pelo João Batista. A Veneranda Acosta trouxe o Sinetran, que congrega trabalhadores do Detran. A Dianny comanda o Sintap, do pessoal da agricultura e pecuária. Enfim, são vários sindicatos num movimento de renovação. Apenas uns dois sindicatos ainda não entenderam a importância de fortalecer o Fórum mas isso é um sentimento que acredito que será superado à medida que o resultado de nosso trabalho for aparecendo.
COP – Como é que vocês se organizam, quem é que coordena, onde é que funciona a sede do Fórum Sindical?
GILMAR BRUNETTO – Definimos que a cada 60 dias, vão estar no comando dois coordenadores, para dar oportunidade a que todos sejam coordenadores. Inicialmente, estávamos eu e o Callegari, agora chegou a vez da Veneranda e de um outro colega. O Fórum funciona sem muita burocracia e sua estrutura é a estrutura dos sindicatos. Importante é essa união em defesa dos interesses dos servidores.
COP – O Fórum Sindical se vinculou a alguma das centrais sindicais que existem no Brasil, tipo CUT e Força Sindical?
GILMAR BRUNETTO – Não, não. Essa questão nem sequer entrou em pauta. Cada sindicato faz a sua opção e a pauta comum dentro de Mato Grosso é a defesa dos interesses dos servidores.
COP – Como é que está o nível de participação dos servidores públicos de Mato Grosso nas entidades sindicais?
GILMAR BRUNETTO – Existe uma participação que não é perfeita mas que está num bom nível. No meu sindicato, o Sinterp, que envolve os servidores da Empaer, a gente percebe uma adesão crescente à medida que as conquistas vão acontecendo, os ganhos salariais vão sendo registrados e, no nosso caso, a própria reestruturação da empresa de assistência técnica e extensão rural tem contribuído para fortalecer nosso Sindicato. O Sintep tem feito grandes mobilizações, o Siagespoc, o Sinpaig, o Sindicato do Detran. É bom que se diga que a maioria dos sindicatos conseguiu melhorias nas questões salariais, nesses períodos recentes e a presença do servidor dentro do sindicato ela se fortalece a partir do momento em que os dirigentes sindicais se preocupam em melhorar o holerite do servidor. O ganho salarial é sem dúvida nenhuma o grande fator de mobilização e vai se formando um círculo, porque à medida que os servidores fortalecem seus sindicatos as conquistas salariais acontecem e essas conquistas atraem novos filiados e o movimento vai crescendo.
COP – Pelos dados de que o Fórum Sindical dispõe, você diria que os servidores públicos de Mato Grosso são servidores bem remunerados?
GILMAR BRUNETTO – Bem, se compararmos os salários que se pagam dentro das próprias categorias de servidores que temos aqui, você observa que ainda há distorções e desníveis, mas tem melhorado muito. O que recebe um servidor da Sefaz ainda está bem distante do que se ganha em outras categorias mas a tendência tem sido de elevação do padrão salarial. O que a gente tem observado, dentro do Fórum, é que temos um problema muito grande de defasagem salarial na Educação, que reúne o maior contingente de servidores e entre os servidores da Polícia Militar. São duas áreas que precisam ser valorizadas e, não só nos sindicatos destas categorias, mas também no Fórum Sindical a gente tem percebido a necessidade de trabalhar por uma mudança com relação a estas duas categorias. Se você pegar hoje o salário da Educação e da Policia Militar, ele não chega, na média, a 70% dos salários que são pagos aos servidores desses sindicatos que participam do Fórum Sindical.
COP –E os servidores do Legislativo e do Judiciário, eles também podem vir a ser atraídos para esta união?
GILMAR BRUNETTO – Bem, essa é uma proposta que evidentemente nós consideramos mas vamos dando tempo ao tempo. Sabemos que existem categorias como a dos servidores do Grupo TAF e do Ministério Público e do Tribunal de Contas que contam com melhores remunerações e são categorias que gostaríamos de ter ao nosso lado só que as coisas não acontecem de uma hora pra outra. Já procuramos os servidores do Judiciário, já estivemos com os servidores da Assembleia, apelando para que reforcem as nossas mobilizações. Acredito que à medida que os resultados forem aparecendo eles vão acabar se juntando a nós.
COP – Os servidores do Grupo TAF já se interessaram em participar do Fórum Sindical?
GILMAR BRUNETTO – Até o momento, não. Eles estão bem de vida, tem conquistado muitas vitórias com seu sindicato mas acredito que tudo tem seu tempo e unir os servidores é o mais importante. Agora mesmo tivemos um episódio de repressão contra o sindicalista Ricardo Bertolini, presidente dos fiscais de tributo, que merece nosso repúdio porque não se pode permitir que o Governo pretenda ameaçar o direito constitucional dos fiscais de tributo de se organizarem livremente.

COP – Como é que toda essa rearticulação do Fórum Sindical tem sido encarada pelos poderes públicos? Existe um bom diálogo com o secretário de Administração, César Zilio?
GILMAR BRUNETTO – A nível de governador ainda não teve avanço mas avalio que dentro da Assembleia Legislativa e a nível de secretariado temos sido respeitados e temos conseguido avanços interessantes. Em relação mais diretamente ao César Zilio, no começo teve algumas dificuldades mas agora as coisas melhoraram e ele percebeu que essa união de todos os sindicatos pode ser uma forma, inclusive, de agilizar negociações e facilitar o diálogo com as diversas categorias dos servidores.
COP – O primeira ação comum desenvolvida pelos sindicatos do Fórum foi a luta pela recuperação do plano de saúde que atente aos servidores, o MT Saúde. Como é que começou essa luta?
GILMAR BRUNETTO – Essa luta começou a partir do momento em que os servidores passaram a ficar sem atendimento, quando procuravam um hospital, uma clínica. A gente percebeu que havia uma crise de gestão.
COP – Qual a porcentagem de servidores ligados ao MT Saúde?
GILMAR BRUNETTO – O MT Saúde tem, aproximadamente, entre 17 a 20 mil servidores públicos, chegando a uma clientela total de 54 mil vidas, o que dá uma arrecadação em torno de R$ 7,5 milhões descontando em folha, todo mês, mais 3,5 milhões que recebe do Estado, chegando a 10 milhões. O plano quando foi criado atendeu razoavelmente bem mas, no final do ano passado, mergulhou em dificuldades porque houve desvio de recurso do MT Saúde. Tivemos informações e elas já foram confirmadas, estão com o Ministério Publico, com o promotor Roberto Turin, de que 30% dos recursos eram desviados e o Fórum Sindical já contratou uma empresa para uma auditoria no MT Saúde. É um negócio muito sério porque é a saúde dos servidores e de seus familiares que acabou sendo prejudicada. Aliás, o desvio de recursos públicos tem sido uma constante nas mais diversas secretarias do Estado, como o jornal de vocês, o CENTRO OESTE POPULAR tem denunciado muito. Em breve, a sociedade vai saber de que forma estes desvios aconteceram no MT Saúde porque estamos informados de que as providências do Ministério Público, neste sentido, já estão adiantadas.
COP – Como é que tem sido o diálogo do Fórum com o Governo do Estado, com relação ao MT Saúde?
GILMAR BRUNETTO – A partir do momento em que percebemos que havia um problema de gestão conseguimos que o governo rompesse o contrato com as antigas empresas gestoras e foi assinado um contrato emergencial com uma nova empresa, a São Francisco, e terá a participação de dois fiscais do Fórum Sindical acompanhando o desenvolvimento deste contrato. Sabemos que acompanhar os desdobramentos de um contrato como esse não é uma coisa fácil mas temos a responsabilidade de zelar pelos interesses dos servidores. Não podemos permitir que aconteçam os desvios anteriores porque temos informações que a Samaritano, uma das empresas que gerenciava o plano, não pagou somente despesas na área da saúde. Aconteceram pagamentos indevidos que, em breve, o Ministério Publico, bem documentado, vai estar divulgando.

COP – Na capital, qual a clínica em que os servidores não passam por constrangimento na hora de serem atendidos.
GILMAR BRUNETTO – Temos informação de que no Hospital Santa Rosa o atendimento foi completamente normalizado e que ali o atendimento aos servidores está sendo digno.

Categorias:Jogo do Poder

1 Comentário

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  1. - IP 189.75.99.174 - Responder

    Foi o papa. A turma do sival é toda onesta!

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