(65) 99638-6107

CUIABÁ

Alguma coisa está fora da ordem

ENOCK CAVALCANTI: Tanta gente revoltada com a reforma da Previdência – mas ainda não basta. Parlamentares e governantes vivem dentro de uma redoma que, para ser abalada, exige muito mais

Publicados

Alguma coisa está fora da ordem


As ruas e a Previdência
Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: uma multidão foi às ruas, pelo Brasil afora, nesta quarta-feira, 15 de março, para protestar contra a reforma da Previdência, pretendida pelo governo golpista de Michel Temer. O protesto juntou muita gente, notadamente em São Paulo. Só que, pela reação do Governo Federal e dos parlamentares, no Congresso Nacional, já se vê que essa mobilização não bastou para alterar o propósito da reforma. A pressão precisa crescer.
Na Grande Cuiabá, onde existem perto de 2 milhões de pessoas, as centrais sindicais avaliam que perto de 5 mil pessoas prestigiaram a manifestação. Num meio de semana, no meio do expediente de trabalho, com esse calor infernal que faz em Cuiabá, foi, sem dúvida, uma vitória. Só que ainda não basta. O que são 5 mil diante de tantos outros que se mantém adormecidos?
Ouvi alguns oradores dizendo que “o povo não aceita esta Reforma”, “o povo está mobilizado para garantir seus direitos”, como se a adesão ao protesto fosse geral. O fato é que governantes e parlamentares ainda estão fazendo cara de paisagem diante de quem protesta. Estiveram na Praça do Ipiranga, e participaram da passeata que percorreu as ruas centrais de Cuiabá, 32 sindicatos de servidores do Estado, bem como militantes da Central Única dos Trabalhadores, da Força Sindical, da Central dos Trabalhadores do Brasil. Uma grande tarde multicolorida na capital de Mato Grosso. E muitos gritos de Fora, Temer!
enock, muito mais esperneios, muito mais gente erguendo seus estandartes. Os governos do PT não souberam fazer os trabalhadores avançarem nesta tática de ocupação das ruas e a tendência de muitos continua sendo sempre esperar que haja uma negociação capaz de fazer quem nos ataca recuar.
Só que a realidade é trágica, os poderosos de plantão, notadamente os banqueiros, que nem ficam aqui no Brasil, comandam esses ataques contra os direitos da maioria do povo confiando que o aparato ideológico manterá a grande maioria longe dessa “bagunça” toda.
Quem, do nosso povo, é capaz de estabelecer uma vigília tal que não dê descanso aos nossos deputados federais e nossos senadores, na hora em que estiverem por aqui, nas ruas, fora daquela redoma alienante lá do Congresso Nacional? Para recuarem no apoio à Reforma da Previdência é fundamental que os parlamentares e governantes não fiquem sabendo do protesto popular apenas pelos jornais, pela TV, mas que sintam o cheiro, o calor, a pressão física daqueles que não querem perder seus direitos.
Imagino o Fábio Garcia, o Carlos Bezerra, o Tampinha acuados em todos os cantos, em todos os locais por onde se desloquem em Mato Grosso. A gente sabe que eles já acertaram seus votos com o Palácio do Planalto, com os enormes esquemas econômicos que os sustentam.
Para fazê-los retroceder, só se enfrentarem uma verdadeira guerrilha popular. Uma mobilização popular que não lhes dê sossego ao acordar, durante o dia e também na hora de dormir. Só esse tipo de mobilização para acuar os golpistas. E os palácios lá em Brasília precisam ser todos cercados pelo povo que repele esse nível inacreditável de espoliação que tentam nos impor.
Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  BLOGUEIRO LUIS CARLOS AZENHA: Dilma vira a mesa ao denunciar vazamento; a quem interessava divulgar a falsa delação premiada de Delcídio do Amaral? Nesta quinta-feira, o país passou uma longa jornada horas às voltas com um conto do vigário que pretendia vender gato por lebre, aquecendo a temperatura política a partir de um episódio em que havia muita fumaça e pouco (quem sabe nenhum) fogo

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Alguma coisa está fora da ordem

LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

Publicados

em

Por

CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  BLOGUEIRO LUIS CARLOS AZENHA: Dilma vira a mesa ao denunciar vazamento; a quem interessava divulgar a falsa delação premiada de Delcídio do Amaral? Nesta quinta-feira, o país passou uma longa jornada horas às voltas com um conto do vigário que pretendia vender gato por lebre, aquecendo a temperatura política a partir de um episódio em que havia muita fumaça e pouco (quem sabe nenhum) fogo
Continue lendo

MATO GROSSO

POLÍCIA

Economia

BRASIL

MAIS LIDAS DA SEMANA