DUELO NA TRIBUNA – Cidinha Campos enfrenta Clarissa Garotinho




Explosiva e corajosa, sem medo de ser chamada de barraqueira, a jornalista e deputada estadual Cidinha Campos continua marcando as sessões plenárias da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e dando lições para caititus e outros vacilões da política de Mato Grosso. Ah! Que falta que faz uma Cidinha Campos, ou alguém assemelhada a ela, no parlamento de Mato Grosso. Cidinha não alivia pro lado de ninguém. No vídeo, alguns explosivos momentos de Cidinha na tribuna, disponiveis no You Tube. E, abaixo, trecho de debate que Cidinha sustentou na tribuna contra a filha de Anthony Garotinho, a Clarissa, divulgada neste sábado na coluna de Jorge Bastos Moreno, em O Globo:

A bruxa Cidinha Campos X a trombadinha Clarissa Garotinho

Texto da Ordem do Dia

A SRA. CLARISSA GAROTINHO – Sr. Presidente, no Expediente Inicial, de ontem, eu não estava aqui, porque me encontrava em Brasília. Esta Senhora, que acaba de ofender a Deputada Janira Rocha, mais uma vez, como é de costume, a Deputada Cidinha Campos, costuma usar do sarcasmo com outros Deputados – inclusive os que sofrem de problema de obesidade – essa mesma Deputada Cidinha Campos que costuma chamar o corajoso e combativo Deputado Freixo, de Frouxo, ocupou a tribuna ontem numa discussão, em que meu pai colocava no blog o Garotinho, que ela teria omitido na prestação de contas dela que recebeu doações na sua campanha, onde ela cita: comitê financeiro único, omitindo a palavra PMDB. Quando se descobre que era do PMDB, ela sobe à tribuna e diz: “Qual o problema? Nossos partidos eram aliados.” É verdade. Eram aliados na campanha majoritária, não eram na proporcional.
Será que o PMDB foi tão generoso assim com os demais Deputados do próprio PMDB? Há alguma coisa nessa história toda, mas isso é uma questão da Deputada, ela que venha, se defenda, fale o que quiser.

O fato é que ela é desrespeitosa mesmo, fala da família das pessoas. Ela chamou os meus irmãos, que ela nem conhece, de pivetes – tenho um irmão de 12 anos – e me chamou de trombadinha. Que moral tem a Deputada Cidinha Campos para me chamar de trombadinha gratuitamente, e por quê? Dizendo que se transmite um DNA político genético? Questionando a cara-metade do Garotinho, que é a Rosinha, dizendo que eles são cara-metade em tudo? Sinto muito se a felicidade dos meus pais, que têm 30 anos de casados, incomoda a Deputada Cidinha Campos.

Sabe o que tudo isso está parecendo? Aquele programa Chaves, que tem a Dona Clotilde, a ‘Bruxa do 71’, apaixonada pelo Sr. Madruga, que fica querendo fazer todas as vontades dele e perseguindo os moradores da vila. Aqui, na Alerj, tem a ‘Bruxa do 506’, apaixonada pelo Sr. Cabral, querendo fazer todas as vontades dele e perseguindo os Deputados de oposição. Implicou com o Deputado Luiz Paulo por conta de um pequeno erro de português, debocha da estrutura física das pessoas e chama um Deputado corajoso, que combate as milícias no Estado, de frouxo. O que é isso? Que moral tem essa Deputada para usar adjetivos pejorativos para se referir às pessoas?

Fiquei pensando se eu ia ou não respondê-la, porque é muita falta de respeito, mas resolvi fazê-lo para dizer que ela é a ‘Bruxa do 506’ da Assembleia Legislativa.

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Tem a palavra pela ordem, para réplica, a Deputada Cidinha Campos, que dispõe de três minutos.

A SRA. CLARISSA GAROTINHO – Até o chapéu é igual!

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Deputada Clarissa Garotinho, a palavra está com a Deputada Cidinha Campos agora.

A SRA. CIDINHA CAMPOS (Pela ordem) – O discurso já começa mentiroso, porque não omiti o PMDB na minha prestação de contas – está aqui a fotocópia: “Comitê Financeiro Único – PMDB-RJ”. Eu não omiti.

O pai dela, depois de muito tempo – porque isso está publicado em todo lugar há mais de um ano e meio – descobriu e achou que tinha feito a descoberta…

Não vou falar da trombadinha, mas do pai dela, o trombadão. É muito fácil posar de moralista, dizer que todo mundo é desonesto, é ladrão, quando está condenado a dois anos e meio de cadeia. Diz a sentença da 4ª Vara Federal Criminal, do Juiz Marcelo Leonardo Tavares: “Anthony William Garotinho Mateus de Oliveira, fixo-lhe a pena, em definitivo, em dois anos e seis meses de reclusão. O regime inicial de cumprimento da pena é o aberto, nos termos do artigo 33, §2º do Código Penal. Converto a pena privativa de liberdade em duas restritivas de direito, nos termos do artigo 44, §2º do Código Penal (…). Tendo em vista a peculiaridade de o réu ter praticado os atos pelo acesso privilegiado ao poder pelo exercício anterior do cargo de Governador e Secretário, bem como por se portar como Governador de fato durante o governo da esposa Rosinha, como demonstram as provas dos autos, poderá apelar em liberdade, pois assim respondeu a essa ação penal. Custas pelo condenado”.

Diz ainda a denúncia do Ministério Público, folha 55: “Ex-Governadora Rosinha, esposa do codenunciado Garotinho, recebia contribuições financeiras de quase todos os bicheiros do Rio de Janeiro.”

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Conclua, Exa.

A SRA. CIDINHA CAMPOS – Entre os documentos apreendidos, folha de papel branco tamanho A4, com manuscrito frente e verso e tal. Consta: Rosinha, 8 de 2, 400; 9 de 2, 600; 10 de 2, 600. Rosinha era candidata a Governadora do Rio. Agora, a trombadinha, …

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Conclua, Deputada.

A SRA. CIDINHA CAMPOS – … com essa idade, já está respondendo a processo! Já está respondendo a processo pelo Projeto Jovens pela Paz – ela e o ex-namorado dela. Eu tenho de falar das famílias, porque envolvem a família inteira! É o pai, conforme eu disse aqui, é a mãe, conforme eu disse aqui, é a filha, que está aqui, e o ex-namorado, que tem o sugestivo nome de Sombra, todos respondendo por peculato e formação de quadrilha. Neste processo, já existe pedido de condenação para o Garotinho; os outros estão aguardando.

A SRA. CLARISSA GAROTINHO – Sr. Presidente…

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Eu vou conceder a V. Exa. apenas um minuto.

A SRA. CIDINHA CAMPOS – Eu vou querer falar de novo.

A SRA. CLARISSA GAROTINHO – Pode falar…

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Como a Deputada Cidinha Campos excedeu o tempo em um minuto, eu vou dar um minuto à Deputada Clarissa Garotinho e não vou dar tréplica à Deputada Cidinha Campos.

A SRA. CIDINHA CAMPOS – Não, vai dar.

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Não, V. Exa. excedeu seu tempo em um minuto.

Com a palavra, a Deputada Clarissa Garotinho.

A SRA. CLARISSA GAROTINHO – Obrigada, Presidente.

Eu não vou entrar nas observações da Deputada de maneira específica porque ela deturpa os fatos, ela os mostra como quer. Ela não disse nenhuma novidade. Tudo que está ali está sendo explicado, tudo que está ali já saiu nos jornais, as implicações políticas, o que nós consideramos perseguição e o que não é considerado perseguição.

O fato é o seguinte, Sr. Presidente: eu não vou aqui ficar discutindo com pessoas insanas. Eu já vi a Deputada Cidinha Campos chamar de louco aqui, por diversas vezes, Deputados, líderes sociais. Mas, na minha visão de mundo, louco e insano é quem atenta contra a própria vida. Então, fico até com receio de discutir com a Deputada e, de repente, ela resolver cortar os pulsos novamente. Eu jamais gostaria de me sentir responsável por uma atitude como essa ou de qualquer outra pessoa. Eu não discuto com gente insana.

Muito obrigada.

Expediente Final

A SRA. CIDINHA CAMPOS – Sr. Presidente, quem vai falar agora é a “Bruxa do 506”, mas é melhor ser a “Bruxa do 506” do que a “trombadinha do T03”.
Sou um personagem de ficção, na cabeça dela, doente, ou discriminatória também, porque, para alguns jovens, qualquer pessoa que passa dos 60 anos, no meu caso estou chegando aos 70, é bruxa, ou, como disse a outra, senil. Estou em pleno gozo das minhas faculdades mentais.

Então, lamento que a “trombadinha do T03” não esteja aqui.

Queria dizer que virou moda. Como não tem muito a falar de mim, as pessoas se referem a um caso que já passou há muito tempo. Eu era quase uma adolescente que, por amor, cortou os pulsos. As marcas ficam (estão aqui até hoje), mas o aprendizado também. E isso não quer dizer que eu seja doida, porque os canalhas não se matam. Aliás, os canalhas vivem muito. Só conheço um caso de bandido que tenha se suicidado. Vocês se lembram do filme com Sundance Kid e Butch Cassidy? Um matou o outro e depois se suicidou. É o único caso de bandido que tenha cometido esse ato.

Portanto, na família Garotinho, isso não vai acontecer, mas em outras famílias, ilustres famílias, isso já aconteceu.

Fiz rapidamente uma relação de pessoas que tentaram ou se suicidaram mesmo, tudo gente da pior espécie: Aristóteles; Antero de Quental, que antes de morrer foi para uma praia e escreveu: “Na mão direita, na mão de Deus, na sua mão direita, descansou, afinal, meu coração.” E se matou.

Camilo Castelo Branco, aquele que escreveu:

“Os Meus Amigos

Amigos 110 e talvez mais,

Eu já contei! Vaidade que eu senti!

Pensei que sobre a terra não havia

Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos 110, tão serviçais,

Tão zelosos das leis da cortesia,

Que eu já farto de os ver, me escapulia

Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia, adoeci profundamente.

Ceguei. Dos 110 houve um somente

Que não desfez os laços quase rotos.

Que vamos nós (diziam) lá fazer?

Se ele está cego, não nos pode ver…

Que 109 impávidos marotos!”

A cabeça da velha, aqui, da “Bruxa do 506”, ainda “está dando caldo”.

Florbela Espanca se suicidou; Getúlio Vargas se suicidou; Hemingway se suicidou; Judy Garland se suicidou; Maiakovski, aquele que escreveu em A Caminho com Maiakovski:

“Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim: não dizemos nada.

Na segunda, já não se escondem: pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta: e já não podemos dizer nada.”

Provavelmente, a “trombadinha do T03” nunca tenha lido nada disso. Vai-lhe fazer falta! Porque isso é uma grande companhia quando envelhecemos.

Mário de Sá Carneiro se suicidou; Pitágoras!

Eu até lembrei: Pitágoras fez o Teorema do Sistema Decimal: o quadrado da hipotenusa. Ela vai confundir com o obtuso ao quadrado, que é outra coisa: esse é o pai dela!

Tem ainda Santos Dumont, Stephen Wike, o idiota do Sócrates, tem Tchaikovsky, tem Virgínia Woolf. E tem um que tentou e não conseguiu – esse é colega.

Quem tentou e não conseguiu foi o Arthur Rubinstein, o maior pianista de todos os séculos. Arthur Rubinstein, Sr. Presidente Gilberto Palmares, quis se matar por amor. E o que ele fez? Amarrou uma corda ao pescoço e se pendurou. Só que chegaram, conseguiram tirar a corda e ele se salvou. E fez os maiores concertos que o mundo já assistiu.

Para desgraça da “trombadinha do T03”, eu sobrevivi. Senão, estaria aí, incólume, falando o que quisesse, se achando bonitinha, de uma família que só tem prestado maus serviços à população, deixado um rastro de agonia pelo Estado do Rio de Janeiro. A minha declaração ao TSE é absolutamente correta.

Agora, eu quero que eles me expliquem o seguinte: por que tanta fábrica de cerveja faz doação para a Rosinha e para o Garotinho? Eles não são evangélicos? Quer dizer, eles não bebem, mas tomam! O dinheiro é bem-vindo.

Ah, não! Sabe o que eles vão dizer? Que da Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes, eles só receberam da parte do refrigerante! Da cerveja, não.

Quase todas as indústrias de bebidas fazem doações para a família Garotinho. Não há uma contradição nisso? Que evangélico é esse que recebe dinheiro daqueles que ficam condenados à bebida?

Mas, eles recebem mais. O Garotinho recebeu da Locanty – esse que ele critica tanto. Recebeu, em 2002, R$100 mil. Ele, que faz discurso; a outra pede assinatura para CPI; e o pai recebeu dinheiro da Locanty, que prestava serviço para eles!

Eu tenho aqui a relação de todos os doadores: 99% faziam doação e prestavam serviços ao Governo Garotinho, Rosinha. Ah, no Garotinho tem mais. Tem uma empresa, eu não vou dizer o nome do dono, não, vou dizer só o nome da empresa – Brasil Sul Indústria e Comércio Ltda. que fez uma grande doação para eles! Essa empresa, o dono dela, já foi preso, condenado. O Garotinho ainda não foi, mas o dono da empresa já foi. E o moralista vem aqui posar de íntegro, honesto.

Eu vou falar depois das doações da Clarissa Garotinho. Não vou falar agora porque hoje eu quis me dedicar somente ao trombadão. A trombadinha do T03 eu vou falar outro dia. Se ela estiver aí ainda, porque quando eu estava saindo – ela chega sempre atrasada – ela disse: “Eu vou falar da senhora, não vai ficar?” Eu falei: “Vou”. Eu espero que ela esteja para vir retrucar essas doações todas da família, e saber se ela conhece essas pessoas que eu mencionei como suicidas e que só dignificaram a humanidade.

Obrigada, Sr. Presidente.

 

 

FONTE O GLOBO

Categorias:Cidadania

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